Voluntários de Curitiba e RMC debatem a construção de uma nova política
Já envolvidos em redes de desenvolvimento em suas localidades, eles participaram de curso sobre redes sociais e democracia
A importância da articulação política dos cidadãos no processo de desenvolvimento das localidades foi o tema central do curso 'Democracia e articulação política nas redes sociais', promovido nesta quarta-feira (4), em Curitiba, pela Rede de Participação Política em parceria com o Programa de Formação de Agentes de Relações com a Comunidade - iniciativas da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) que estimulam o processo de implantação das Redes de Desenvolvimento Local.
Cerca de 30 pessoas de Curitiba e Região Metropolitana, envolvidos com o programa em suas localidades, participaram do curso ministrado pelo professor e analista político Augusto de Franco. Além dos voluntários das Redes em bairros da capital paranaense, estiveram presentes moradores de São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Pinhais, Campo Largo, Quatro Barras, Colombo e Araucária.
O analista político apresentou conceitos de redes sociais e a relação delas com a política. Segundo Augusto de Franco, a explanação e indagações feitas durante o encontro são uma tentativa de estimular a reflexão dos participantes. 'Os voluntários que se dispuseram a estar aqui são questionados acerca de questões políticas e das visões que eles já têm sobre ela, que normalmente é distorcida. A partir do diálogo e da relação que eles descobrem que possuem com a verdadeira política é que é possível a percepção deles como seres políticos e, principalmente, atores principais do desenvolvimento em suas localidades', esclarece.
O evento serviu para a discussão em torno da sustentabilidade das Redes de Desenvolvimento nas localidades, disponibilizando mais uma ferramenta que é a elaboração de projetos comunitários. "A articulação é fundamental para dar continuidade e, principalmente, para transformar as ações em projetos que possam ser realizados através de parcerias", explicou Gilseia Baraniuk, agente de desenvolvimento, que já participou da elaboração e implementação de diversas redes locais no Brasil.
Questionados sobre a possibilidade da construção de uma nova política, os voluntários discutiram questões como O que é democracia?, O que é política? Como podemos nos articular politicamente para agregar pessoas, segmentos da sociedade, em prol de melhorias para a coletividade?. Segundo o coordenador da Rede de Participação Política, José Marinho, este é o momento, dentro das redes locais existentes em Curitiba e Região Metropolitana, de as pessoas perceberem que estão fazendo política cidadã, "intrínseca ao ser humano". Ele destaca que "muita gente, em virtude do desgaste da nomenclatura política, acaba se afastando e deixa de perceber que atua politicamente e que as ações políticas são imprescindíveis para assegurar as melhorias na qualidade de vida das pessoas". E uma nova política, na opinião de Marinho, "é o empoderamento das pessoas para que estas assumam o protagonismo, como preconiza o processo das redes de desenvolvimento local.
Liceia Franco, estudante de Serviço Social e residente em Fazenda Rio Grande, na RMC, ressaltou a importância de eventos como este, que, na opinião dela, estimulam a reflexão do indivíduo. "As indagações que foram feitas aqui servem para as pessoas terem uma mudança de pensamento sobre seus papeis como cidadãs políticas", afirma. A estudante destacou a necessidade de se replicar os conceitos da construção de uma nova política para outras pessoas. "É preciso haver uma mobilização para divulgar essas ideias, tentar tirar das pessoas os preconceitos que elas têm com a palavra política. Só a partir do momento que elas tomam conhecimento do funcionamento do sistema que podem fazer algo para mudar", acrescenta.
O aposentado Urandy Ribeiro do Val, morador do Hauer, demonstrou otimismo em relação ao futuro graças à construção das redes sociais. "Apesar do individualismo histórico que a sociedade vive, eu prevejo que com a construção das redes de pessoas conectadas, sem hierarquias, é possível uma mudança de visão, uma união maior em torno do coletivo. Para mim, é para isso que o mundo esta caminhando", argumenta.
Para o músico Alex Sandro de Pontes, integrante da Rede de Desenvolvimento do bairro Tingui, os conceitos de redes sociais e desenvolvimento local serão bem utilizados. Ele acredita que é a partir da interação e, principalmente, do exemplo positivo é que será possível disseminar as ideias e convencer mais pessoas a aderirem ao desenvolvimento independente. "As palavras convencem, mas as ações arrastam as pessoas. Não adianta nada ficar só falando e explicando as vantagens se eu mesmo não faço nada para mudar a situação", opina. Pontes ainda comenta que é preciso uma tomada de consciência para a mudança e as redes locais têm papel fundamental no processo. "A articulação que nós já fazemos no bairro, o diálogo e as ações que nós planejamos já é fazer política. Nós somos seres políticos, mas alguns se esquecem disso quando tomamos consciência disso é que podemos praticar a mudança real", completa. O assunto despertou tanto interesse que os participantes do curso já se articulam para criar, dentro da Rede de Participação Política, fóruns permanentes de discussões sobre uma nova política.
Atualmente, em Curitiba e RMC, são mais de 80 redes de desenvolvimento comunitárias sendo implantadas. A gestora do Programa de Formação de Agentes de Desenvolvimento, Soraia Melchioretto, explica que o objetivo das Redes é mobilizar a população para que os próprios moradores possam decidir o que desejam para o futuro do bairro e quais as estratégias para atingir este objetivo. "Quando você propicia que as pessoas sentem e conversem sobre os problemas, as soluções encontradas são surpreendentes", observa. "Acredito que quanto mais os moradores se engajarem e souberem mais a fundo sobre os conceitos e proposta do nosso trabalho, mais as redes serão fortalecidas nas localidades", destaca Soraia.