18/08/2006

Varejo usa treinamento para reter funcionários

Com pontos negativos como trabalho durante os finais de semana, jornada de trabalho prolongada e salários pouco atraentes, muitas empresas do setor varejista começam a mudar sua sugestão de pessoal.


Com pontos negativos como trabalho durante os finais de semana, jornada de trabalho prolongada e salários pouco atraentes - além da concorrência cada vez maior dos shopping centers pelos profissionais -, muitas empresas do setor varejista começam a mudar sua gestão de pessoal.

Grupos como Carrefour, Wal-Mart e Magazine Luiza buscam desmistificar a idéia de que o varejo só oferece trabalhos temporários, onde não é possível construir carreiras sólidas, e investem cada vez mais na capacitação e retenção destes profissionais, especialmente diretores de lojas e gerentes, incutindo neles a cultura da empresa e a possibilidade de ascensão profissional.

"As empresas têm de incutir a idéia da cultura da organização e, no meio do desenvolvimento de todo o processo, empregar técnicas modernas, educação a distância em um ciclo de controle da qualidade dos serviços", aconselha o professor do Centro de Excelência no Varejo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Maurício Morgado. Para ele, o setor, hoje, vem buscando alternativas. "O varejo já oferece um bom atendimento e também sabe da importância do cliente", acredita.
De acordo com a consultora da Gelre, Sidnéia Palhares, a área comercial vem mudando seu foco e hoje as empresas estão cientes de sua função estratégica. Segundo ela, o profissional deve ter características como credibilidade, extroversão e poder de persuasão.

"Hoje, há maior conscientização que esta área também vende a imagem da empresa", acredita.

A expansão de algumas redes tem colaborado para promoções e novas contratações. A rede de supermercados Carrefour, por exemplo, destinou R$ 24 milhões para capacitação de seu pessoal em 2006. Medidas como formação de líderes reduziram o turn over (rotatividade) em 20% nos últimos 18 meses. Antes disso, esse percentual atingia os 34%. Na empresa, atuam 45 mil funcionários - sendo 40 mil diretamente ligados ao setor de vendas.

Em 2006, o Carrefour tem a previsão de abrir 15 novas lojas, com a criação de quatro mil novos empregos. ?Isso amplia a perspectiva de carreira, uma vez que serão 15 novos diretores de loja e pelo menos 50 novos gerentes?, revela a diretora de recursos humanos da rede, Renata Moura.

Desde o início do ano já foram realizadas 193 promoções internas. "No dia-a-dia surgem muitas oportunidades. Nossa prioridade é o recrutamento interno, mas também trazemos profissionais de fora?, conta. A empresa enfoca as ações no planejamento estratégico de líderes. ?O Carrefour acredita que uma boa equipe só funciona se tiver um bom líder."

Carro-chefe

No Magazine Luiza o vendedor é visto como o carro-chefe da empresa. "É o vendedor quem fideliza o consumidor, pois seu trabalho se baseia no relacionamento. Ele cria uma carteira de clientes que se tornam fiéis ao vendedor e à empresa", acredita a diretora de RH Telma Geron. Visando principalmente este colaborador, a empresa adota medidas como incentivos e promoções, que buscam reter este profissional.

A comunicação corporativa é uma delas. No final do ano passado, foi criada a TV Luiza - canal interno exibido todas as quintas-feiras durante 45 minutos antes da abertura das lojas - que pretende aproximar todos os 9,5 mil colaboradores. "A idéia também é fomentar o negócio, apresentar desafios e promoções, divulgar produtos e fazer treinamentos rápidos", explica a diretora de RH.

A Internet também é ferramenta de aproximação. Pela intranet os colaboradores podem fazer sugestões para melhorar o dia-dia dos negócios. Os melhores recebem gratificações de até R$ 300. As críticas e queixas são atendidas pelo telefone diretamente pela diretora de RH ou a superintendente da organização, Luiza Helena Frajano.

A diretora de RH diz que a principal ação da empresa é mostrar para seus funcionários uma administração aberta e fazer com que os seus colaboradores se sintam parte integrante do negócio.

Com isso, a rotatividade vem diminuindo no Magazine Luiza. Cerca de 40% do corpo de funcionários já está na empresa há mais de três anos. Parte deles provém das aquisições de algumas redes que a empresa realizou nesta época e contabilizaram em 300 novas lojas ? metade do grupo.

Na rede Wal-Mart, os colaboradores de loja são considerados pela empresa como aqueles que fazem a diferença no negócio. ?Eles são a sustentação de tudo, são eles que se relacionam diretamente com os clientes?, acredita a diretora de desenvolvimento organizacional do Wal-Mart Brasil, Susana Raposo.

A empresa enxerga os líderes como os facilitadores deste processo e por isso vem investindo, ao longo deste ano, na qualificação de médias lideranças e formação de líderes. Em novembro se forma a primeira turma de um programa de desenvolvimento de executivos que está capacitando desde março, em parceria com a Fundação D. Cabral, 36 gestores.

A comunicação interna também é explorada pela companhia. No início do mês, a empresa inaugurou um canal interno de televisão, chamado TV Wal-Mart. ?O varejo vem se redesenhando nos últimos sete anos. Foi o segmento que mais se modificou e hoje é altamente profissional?, acredita. Segundo a diretora, o setor adquiriu expertise e vem se cercando de profissionais qualificados. ?Atualmente, o varejo é um segmento tão atraente quanto qualquer outro setor. Prova disso são os nove mil currículos, em média, que recebemos, a cada anúncio de postos de trabalho?.

Presente com 296 unidades em 17 estados, o Wal-Mart vai investir R$ 600 milhões na abertura de 15 novas lojas este ano, o que deve gerar cinco mil empregos diretos.

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