17/02/2007

USP comemora resultados positivos de programa de inclusão

Por Olavo Soares, da Agência USP

Os números superaram as expectativas da Universidade. A Fuvest 2007, que teve os primeiros calouros fazendo suas matrículas nos dias 12 e 13 desse mês, registrou uma aprovação de alunos oriundos de escolas públicas cerca de 20% superior à do ano anterior. O bom resultado deve-se a uma política de inclusão desenvolvida pela USP, denominada Inclusp, que entrou em vigor no último vestibular.

O Inclusp determinou um acréscimo de 3% nas notas do vestibular para alunos que cursaram os três anos do ensino médio em escolas das redes públicas municipal, estadual ou federal. A bonificação se aplicou tanto na primeira quanto na segunda fase do vestibular. Com a medida, foi verificado que os alunos de escolas públicas representaram, nesse ano, 26,2% do total dos 10.202 aprovados no vestibular. No ano passado essa quantia foi de 21,2%.

A pró-reitora de Graduação da USP, Selma Garrido Pimenta, considera que o programa teve resultados “bastante positivos”. E cita um componente que, ao seu ver, amplifica o sucesso do Inclusp: “tivemos pouco tempo para divulgar o programa. O Inclusp foi criado em maio, e junho e julho do ano passado foram atípicos, com a Copa do Mundo e as férias escolares. Então foi uma surpresa verificar esse sucesso todo”.

Outro fator que indica o sucesso do projeto está na proporção de alunos de escolas públicas que participaram da Fuvest. Em 2006, houve um “empate técnico” na quantidade de alunos de escolas particulares e públicas que participaram do vestibular; mas no vestibular 2007, a relação de vestibulandos seguiu um padrão que se repetiu nos anos anteriores (com exceção de 2006): as inscrições de alunos de escolas particulares chegando a mais de 60% do total.

Resultados

A USP ainda está contabilizando o total de aprovados e uma distribuição mais precisa desses alunos entre as carreiras. Por isso que o resultado é celebrado, segundo a pró-reitora, “com os pés no chão”. Selma adianta que é necessário esperar a realização das outras chamadas do vestibular, que acarretarão na entrada de outros aprovados na Universidade, o que poderá modificar o perfil encontrado.

Mas algumas conclusões já podem ser tiradas. A Fuvest 2007 verificou a presença de pelo menos um aluno de escola pública entre os aprovados em todos os cursos. Em anos anteriores, algumas carreiras se preenchiam sem um aluno sequer de escola pública –fenômeno que ocorria com mais freqüência em cursos de muita procura e poucas vagas, como editoração e fisioterapia, por exemplo.

Outra conclusão importante diz respeito à expressiva participação de escolas municipais e, principalmente, estaduais na quantidade de aprovados. Em São Paulo, a Escola Técnica Federal figura entre as melhores da cidade e seus alunos, em tese, não precisariam de uma força adicional – que foi concedida, dado que se trata de uma instituição pública. Mas os resultados da Fuvest mostram que a Federal tem apenas pouco mais de 3% dos aprovados. A grande quantidade, portanto, dos alunos aprovados vindos de escolas públicas vem de colégios municipais ou estaduais – principalmente destes, que existem em maior quantidade.

Suporte
Uma vez aprovados os alunos, cabe à Universidade saber lidar com eles. Para a professora Selma Garrido Pimenta, a USP deve apostar em maneiras de viabilizar a permanência dos estudantes – que é naturalmente dificultada para alunos de condições financeiras inferiores, obrigados a conciliar o estudo com trabalho, e muitas vezes moradores de bairros ou cidades distantes da Universidade.

“Nosso plano é dar apoio à permanência, mas com qualidade”, explica a pró-reitora. Para ela, as ações desenvolvidas em benefício dos alunos – como alimentação subsidiada, moradia e outras – não se tratam de “assistencialismo”. “Nós aliamos as necessidades sócio-econômicas com o mérito acadêmico”, resume.

A USP deve ampliar, nesse ano, a concessão de bolsas para alunos com menores condições financeiras.

Campanha

Selma é enfática em dizer que o Inclusp “chegou para ficar”. “Após essa primeira experiência bem sucedida, podemos dizer que essa ação já faz parte da cultura da Universidade”, afirma.

A meta agora é trabalhar para a Fuvest 2008 em um ponto que justamente foi o mais fraco do programa em 2006, a divulgação. “Pensamos em convidar alunos que entraram na Universidade através do Inclusp para que eles visitem suas antigas escolas e estimulem os alunos que lá estão a tentar o vestibular”, diz a pró-reitora.

Para Selma, há uma espécie de “distanciamento” da USP que inibe pessoas que poderiam ter relações mais próximas com a Universidade. “Sabemos que a USP é um centro de excelência e, por isso, não pode oferecer vagas a todos. Mas é direito de todos tentarem uma vaga na Universidade. Experiências positivas do Inclusp podem fazer com que mais pessoas percam o ‘medo’ da USP e corram atrás de fazer parte da Universidade”, completa.

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