USP busca definir sua política de internacionalização
Por Marina Almeida, da Agência USP
A USP tenta melhorar seu processo de internacionalização. O maior incentivo aos intercâmbios e a implantação de medidas que atraiam o aluno estrangeiro, como aulas de português para estrangeiros, são alguns dos projetos da universidade. "Ainda falta, porém, um planejamento que garanta a sustentabilidade desse programa a longo prazo", diz a professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP Irene Kazumi Miura. Ela defendeu recentemente sua tese de livre-docência sobre o tema na FEA-RP.
A professora constatou em sua pesquisa que faltava à universidade uma definição clara sobre a política central de internacionalização - que inclui os intercâmbios de alunos e professores, o desenvolvimento de pesquisas e projetos em conjunto com universidades de outros países. Por outro lado, lembra Irene, os órgãos centrais da USP têm consciência da importância desse processo, que responde às demandas da própria globalização.
Irene ressalta os avanços, "tenho sido procurada para explicar minha pesquisa para a Pró-Reitoria de Graduação, para a Comissão de Graduação e para a Comissão de Cooperação Internacional (CCint) da USP, além de recentemente ter sido nomeada presidenta da CCint-FEA-RP. Há um grande interesse e esforço para melhorar a integração e o planejamento da internacionalização na universidade", conta.
Reconhecimento
Além da experiência intercultural que os intercâmbios podem proporcionar, eles são uma forma de divulgar a universidade, tornando-a conhecida no exterior e atraindo alunos e professores estrangeiros para cá. "Isso é importante também para promover a experiência da diversidade cultural entre aqueles que não têm a oportunidade de sair do país", ressalta professora.
"Na pós-graduação, há ainda mais benefícios nesse tipo de intercâmbio: a possibilidade de melhorar a pesquisa nacional e a troca de experiências entre os orientadores aumenta as probabilidades de publicação do estudo numa revista especializada internacional", diz. Esse tipo de exposição é importante não só para a divulgação da pesquisa e para o prestígio da universidade, mas porque conta pontos na avaliação feita pelos órgãos de financiamento brasileiros.
Entre as unidades estudadas por Irene, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) é uma das que têm forte reconhecimento internacional. "A FMRP não apenas importa conhecimento, mas também exporta", lembra a pesquisadora.
Medidas práticas
Para atrair mais intercambistas, a pesquisa propõe algumas medidas como o oferecimento de algumas optativas em inglês, o que já possibilitaria a vinda de muitos estudantes. Também deveria haver mais cursos de português para estrangeiros, que, atualmente, são oferecidos apenas em algumas unidades, além da adequação internacional do currículo.
Irene lembra também dos muitos atrativos que a USP tem a oferecer para os alunos de fora. O primeiro deles é a ausência de taxas ou mensalidades. Além disso, a importância da universidade na pesquisa e no ensino do país e a existência de muitos projetos sociais. "Esses estudantes querem conhecer a nossa realidade e têm muito interesse por esse tipo de projeto, existente em várias unidades", conta.
Para incentivar mais estudantes brasileiros a cursar disciplinas em outras universidades, a USP ainda precisa desenvolver alguns projetos. "Não há, por exemplo, bolsas de estudo para os alunos da graduação, apenas para os da pós", explica a professora. Ela lembra que este ano, pela primeira vez, algumas bolsas foram distribuídas para a graduação graças ao patrocínio de um banco.
A pesquisa foi feita com base em diversas entrevistas realizadas em 2005 sobre o tema com a professora Suely Vilela, quando ainda atuava como pró-reitora de pós-graduação, com os coordenadores do CCint e da pós-graduação. Também foram entrevistados diretores e chefes de departamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Faculdade de Economia e Administração e Contabilidade (FEA), do Departamentos de Elétrica da Escola Politécnica e Hidráulica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). A escolha das unidades procurou abranger as três diferentes áreas do conhecimento e programas de pós-graduação com notas 6 e 7 (as mais altas) na avaliação da Capes.