Universitários se tornam empreendedores em Feira de Micronegócios
A feira acontece todo ano em João Pessoa (PB), na Praça de Eventos do Centro de Tecnologia do Campus I, em semestres alternados.
João Pessoa - Não são apenas os administradores que discutem conceitos de empreendedorismo quando passam pelas universidades. Com apenas dez reais para investir, um grupo de alunos do curso de Arquitetura mostrou na prática que também sabe conduzir um negócio. Eles participaram da III Feira de Micronegócios dos Alunos do Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba, que aconteceu na manhã desta terça-feira (11).
A feira acontece todo ano em João Pessoa na Praça de Eventos do Centro de Tecnologia do Campus I, em semestres alternados, como encerramento das atividades da disciplina de Empreendedorismo, ministrada pelo professor e idealizador do evento, Antônio Gualberto Filho. Segundo ele, o objetivo é pôr em prática os conceitos e as teorias do empreendedorismo que são discutidos durante as aulas.
“Esse trabalho é essencial para que os alunos vivenciem um pouco da rotina de um empreendedor. Atualmente, há um processo de extinção dos postos de trabalho, pois a demanada e as opções mais óbvias são o trabalho assalariado e a carreira acadêmica. Mostramos aqui a terceira via que é o empreendedorismo. Estamos estimulando o estudante a transformar os conhecimentos que ele ganhou na universidade em negócios”, afirma Antônio.
Guia histórico de João Pessoa em CD-Room, cartilha digital sobre plantas ornamentais, cappuccino light, modelismo em papel, bijuterias, cartões artísticos e banco de dados digital foram alguns dos negócios apresentados pelos alunos nesta edição do evento.
As estudantes Juliane Lins e Flora Meira, que criaram o banco de dados digital, explicaram que antes de desenvolver o produto elas fizeram um planejamento, procurando algo que fizesse o diferencial e que tivesse uma boa demanda.
Oferecendo informações nas áreas de arquitetura, engenharia, geografia, história e turismo em um CD, pelo valor de cinco reais, as estudantes esgotaram o estoque e ainda receberam encomendas. “Estamos pensando em dar continuidade ao negócio transformando conteúdo digital em empresa de pesquisa, ampliando as áreas atendidas e aperfeiçoando o produto”, diz Flora.
Já Daniel Romeiro, que apresentou o serviço de horóscopo, ideograma do signo e ainda a venda de cartões com mensagens em chinês, desenhadas na hora, diz que a premissa para o sucesso de um negócio é a afinidade, o prazer com o que se pretende trabalhar.
Um bom exemplo disso é o da estudante Nathalie Porto. Praticante de pára-quedismo há oito anos, ela criou a empresa “Biruta” – Escola de pára-quedismo. Como os dez reais não davam nem para o começo, Nathalie buscou alternativas. “Fiz uma sociedade com instrutores que já trabalham na Paraíba e o dinheiro investi na parte de logomarca, folders e vídeos demonstrativos sobre o esporte”, revela. Segundo a estudante, a empresa foi uma boa idéia que ela pretende tornar realidade.
“O importante é o estímulo ao desenvolvimento de projetos rentáveis, independente da área de atuação. Depois, nós vemos o resultado e fazemos uma avaliação sobre a eficácia dos negócios realizados”, ressalta o professor que acompanha os trabalhos.
A estudante de Arquitetura Gabriela Cardoso, que cursa o 5º período e optou por fazer a disciplina, achou importante ter aprendido como montar e gerenciar um próprio negócio. “Os conceitos de empreendedorismo fazem com que agente pense não só como arquiteta, mas sim como uma empresária com claras condições de administrar um escritório”, afirma.
Sobre a III Feira de Micronegócio dos Alunos do Centro de Tecnologia, Gabriela diz que os alunos estão trabalhando em idéias criativas e econômicas que possam chamar a atenção de compradores. “Além de pulseiras e brincos a baixo custo, será possível comprar CD contendo informações sobre algumas áreas do conhecimento e até fazer inscrição para um curso de paraquedismo”, ressalta.
Carro de corrida criado por alunos já é sucesso
Os irmãos Pedro, Paulo e João Araújo têm em comum a paixão pela engenharia mecânica. Pedro e Paulo cursam a graduação na UFPB e Paulo foi aprovado no vestibular, aguardando o início das aulas no próximo semestre. Juntos, eles desenvolveram o carro mini-baja, apropriado para competições de kart-cross, muito difundido entre universitários no País e no exterior.
O mini-baja também foi apresentado durante a III Feira de Micronegócios. Os alunos, que já contaram com o patrocínio da Petrobras e da NSK, empresa de rolamentos, para a construção do carro, agora esperam conquistar novos apoiadores para confeccionar um modelo mais novo. O custo de produção gira em torno de R$ 12 mil.
“Construímos o primeiro carro num tempo recorde de seis meses, quando a maioria dos mini-bajas ficam prontos como mais de um ano de trabalho. Em abril, participamos da competição nacional da categoria e passamos à frente de outros estados que já tinham tradição na corrida”, conta, orgulhoso, Pedro Araújo, do 6º período de Engenharia Mecânica.
A inovação do veículo se encontra na suspensão dianteira com pontos diferenciados. Ele explica que existem dois tipos de suspensão para este tipo de carro: uma mais pesada e uma mais leve. No caso deles, além de apresentar suspensão com estrutura leve, também dispõe de um mecanismo de regulagem que facilita as manobras exigidas durante as competições.
“O importante é que esses alunos saíram na frente, se dedicaram e estão apresentando um trabalho inovador, muito positivo para eles enquanto profissionais e para a própria UFPB”, completa o professor Gualberto.