28/06/2007

Universitários devem ser formados para diversidade do mercado

Por Karina Costa, do Aprendiz

“No processo de formação do aluno, a universidade tem a responsabilidade de capacitá-los para atuar sobre a realidade do mercado de trabalho. Isso inclui incorporar estudantes em projetos colaborativos desenvolvidos dentro da própria universidade e fazê-los enxergar novas oportunidades dentro e fora de seu campo de formação”, acredita o diretor executivo da Mercatus - Educação em Negócios, Alessandro Saade.

Ele conta que, apesar de áreas como Medicina, Letras, Artes e Farmácia liderarem o ranking de empregabilidade, existem outras áreas em grande evidência como Comunicação, Energia Limpa, Saúde dos Idosos, Lazer e Meio Ambiente. “O setor de reciclagem movimentou no último ano R$ 8 bilhões, as redes de fast food e o setor de bebidas estão se ajustando para atender novas demandas quando oferecem alimentos mais saudáveis e sucos ao invés de lanche e refrigerante”, cita outros casos.

Saade acredita que no campo tecnológico, o Second Life – ambiente virtual que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano -, também é uma grande oportunidade de negócios principalmente para a área tecnológica e mesmo em outros campos. “Psicólogos podem atuar nessa inovação a fim de situar as pessoas nesse envolvimento entre o real e virtual”, diz. Ele destaca também o campo da mobilidade como os celulares e mp3 players. “Hoje já existe até o ´Personal Ippoder´, que é uma espécie de dj pessoal que, a partir de uma conversa com o contratante, capta seu estilo e seleciona no aparelho músicas que tenham a ver com seu jeito de ser, o momento em que vive. No Brasil ainda se serve açaí com granola na tigela. Mundialmente, esse mesmo açaí vindo do Brasil se transforma em shampoo e bebida energética”, critica.

Criar oportunidades dentro do ambiente universitário também colabora para o processo de inserção no mercado profissional, que exige muito além da formação acadêmica, segundo a docente da Universidade São Marcos, Sandra Farto Botelho Trufem. Por conta dessa crença, ela conta que a São Marcos tem procurado outras inserções para os estudantes que vão desde coleta seletiva, turismo sustentável até um projeto recente denominado Cátedra Unesco de Educação para Sociedades Sustentáveis, que envolve professores e alunos em projetos que permeiam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). “Trabalhamos sempre na perspectiva de colocar o aluno na realidade externa à universidade. A sala de aula não é tudo para a formação”, acredita.

Steve Robinson, diretor Internacional do Georgian College, em Ontário, no Canadá, explica que a instituição é conhecida como universidade comunitária pela capacidade de integração entre alunos, professores, funcionários, empresas e comunidades. Entre os feitos da universidade está a construção colaborativa do centro de aprendizagem e tecnologia aplicada, desenvolvido por estudantes das áreas de tecnologia, engenharia e arquitetura.

“Tudo que fazemos envolve consulta de quem estuda e trabalha no Georgian College, da comunidade e governo. Isso gera um senso de pertencimento de todos à universidade. Em relação ao mercado de trabalho, os alunos aprendem que todos devem ter voz ativa e deixar de esperar que lhes digam o que devem fazer”, acha Robinson.

Robinson conta ainda que está entre os projetos da universidade, que trabalha com educação cooperativa, um curso em que os estudantes ficam seis semestres em formação acadêmica, seguidos de três meses em empresas parcerias da instituição. “Nesse momento é que se dá a transferência de conhecimentos e habilidades,” acha. “A abordagem cooperativa não é impossível de ser trabalhada na academia. São valores que fortificam o currículo pessoal e da instituição”, defende.

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×