03/08/2007

Universitário diz precisar de auxílio psicológico, mas não o procura

Por Julia Dietrich, do Aprendiz

Uma pesquisa feita com 2.785 estudantes da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, revelou que 30% deles sentem a necessidade de buscar atendimento psicológico para sanar angústias mentais ou emocionais. Apesar disso, a proporção de entrevistados que não procura ajuda chega a 84%, variando de acordo com o distúrbio analisado.

Entre os universitários que não buscam tratamento, 51% responderam que sintomas depressivos e de ansiedade fazem parte da vida estudantil e 37% crêem que as angústias passam sozinhas. Podendo responder a mais de uma alternativa do questionário, 20% dos jovens apontam ter medo do que os outros pensariam deles e o mesmo número declarou que seus problemas não seriam entendidos por ninguém.

Como mais da metade dos jovens norte-americanos tem acesso ao ensino superior, o quadro local estudado aponta resultados similares ao panorama apresentado nos relatórios do país. Para chegar aos resultados, o estudo organizou os sofrimentos psicológicos que aparecem normalmente entre o 15º e 24º ano da vida. De acordo com o trabalho, por exemplo, 5% dos jovens entrevistados apresentaram quadros de depressão crônica e 2% de síndrome do pânico.

Os resultados foram publicados no 45º volume da revista norte-americana Medical Care, periódico acadêmico especializado em medicina, e chamaram atenção sobre a necessidade de se investigar formas de tratamento para a faixa etária. Para o autor do estudo e professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, Daniel Eisenberg, a saúde mental dos jovens deve ser uma prioridade estatal. "É uma época na qual se forja a independência e importantes decisões precisam ser tomadas", explica.

Apesar da opinião de Eisenberg, nos Estados Unidos há fácil acesso às clínicas de atendimento psicológico, particularmente entre os universitários. Embora a pesquisa tenha revelado que 94% dos entrevistados tinham plano de saúde, menos da metade deles sabia que o convênio cobria despesas de tratamento de distúrbios psicológicos. E entre aqueles que não buscaram ajuda, apenas 32% disseram saber onde conseguir ajuda e apenas 53% sabiam da existência de serviços gratuitos.

"Para isso seria interessante realizar campanhas de conscientização sobre as clínicas universitárias e atendimentos segurados em planos de saúde, mas obviamente, é necessário capacitar esses espaços para receber esses novos pacientes", observou o pesquisador, apontando que, diferente do esperado, as condições sociais do estudante não são determinantes para a procura ou recusa de tratamento. "Mas, observamos que aqueles que tinham origem em famílias mais pobres buscavam menos o tratamento do que aqueles com histórico de mais poder aquisitivo", indicando que não há ligação direta com o poder aquisitivo, mas com o histórico familiar.

Outro resultado que chamou atenção dos pesquisadores foi que entre aqueles que se medicavam, 9% não tinham receituário. Tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil, a grande maioria dos medicamentos psicotrópicos (drogas que agem no sistema nervoso produzindo alterações de comportamento, humor e cognição) é comercializada exclusivamente ao paciente e com apreensão de receita médica. 48% dos entrevistados disseram receber de médicos sem especialização em psiquiatria.

Pesquisadores atribuem diferentes origens para a depressão crônica, também chamada de transtorno depressivo maior, acreditando que sua causa pode estar relacionada ao estresse, causas genéticas, abuso de drogas e até alimentação. Acredita-se que mais de um quinto da população mundial já a tenha apresentado em algum momento da vida. "Além da ansiedade e depressão observamos que muitos estudantes apresentam outros sofrimentos, como, por exemplo, distúrbios alimentares", conta Einsenberg, pontuando que pretende realizar estudos futuros na área. Nos últimos anos, o Brasil passou a dedicar maior atenção à anorexia e bulimia que, até pouco, eram desconhecidas da população.

É possível encontrar tratamento psicológico gratuito ou a preço simbólico em diversos hospitais públicos e clínicas de psicologia das principais universidades e faculdades do país.
(Envolverde/Aprendiz)

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