09/09/2006

Universidades paulistas irão capacitar professores da língua espanhola

Foi assinado, na manhã desta quarta-feira (6), em São Paulo, o acordo de cooperação que cria o projeto ¡Oye!, que irá formar e capacitar cerca de 45 mil professores para o ensino da Língua Espanhola na rede pública do Estado de São Paulo. A iniciativa, sem precedentes entre uma instituição financeira e a administração pública, conta com a participação do Grupo Santander, Instituto Cervantes, universidades públicas do Estado de São Paulo e o Universia Brasil.

O acordo foi firmado no Palácio do Governo, em um evento que contou com a presença de Cláudio Lembo, governador do Estado de São Paulo, e Emílio Botín, presidente do Grupo Santander. "Hoje é um dia de grande festa por este projeto, que irá beneficiar os professores de São Paulo. E temos muito interesse em aprender o espanhol, por ser a nossa segunda língua", disse Lembo. "Estou muito feliz com o convênio. Primeiro pelo motivo cultural, por nossas raízes latino-americanas. E depois porque o espanhol é uma língua universal."

De acordo com o presidente do Grupo Santander, o acordo dá seguimento às iniciativas da instituição em desenvolvimento sustentável. "A educação é o foco de responsabilidade social do Santander, porque consideramos que investir em educação é investir em progresso e desenvolvimento social estável e igualitário", afirmou Botín. "O projeto tem um claro efeito multiplicador. Quando se aprovou a lei, que fixava o prazo para capacitação em 2010, parecia um prazo irrealizável. Mas sem dúvida, esse projeto tem uma fórmula mágica."

Plano de ação

Na primeira fase do projeto, que será iniciada ainda neste ano e levará 18 meses, serão capacitados 2.000 professores. A partir da segunda fase, que terá início em meados de 2007, serão 7,8 mil docentes por ano, alcançando 45 mil professores do Ensino Médio em São Paulo até 2010. Neste processo, as universidades estaduais paulistas (USP - Universidade de São Paulo, Unicamp - Universidade de Campinas, e Unesp - Universidade Estadual Paulista) serão responsáveis pela seleção de tutores e oferecerão suas propostas acadêmicas ao projeto.

"Esse projeto é fundamental e uma excelente iniciativa que gera aperfeiçoamento dos professores e valoriza a cultura de reciclagem", disse a reitora da USP, Suely Vilela, também presente à assinatura do convênio. "Pelo lado do aluno, é um benefício e é uma iniciativa que populariza o espanhol na cultura brasileira. Acredito que temos muito a oferecer a este projeto, tanto na formação de tutores, como também na contribuição para a metodologia de ensino."

"Já temos contribuído muito com programas de qualificação dos professores na área de gestão das escolas, formação dos professores de filosofia e cursos da Teia do Saber. Adicionar o ensino de espanhol dá uma abrangência total e permite que a universidade cumpra seu papel de agente qualificador de recursos humanos", acrescentou o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge.

Da mesma forma, o Instituto Cervantes será o responsável pela elaboração dos conteúdos, bem como pela provisão da plataforma tecnológica. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo colocará a disposição do projeto um canal específico dentro de seu portal de conteúdos e serviços, e oferecerá a infra-estrutura tecnológica, como a videoconferência, com o objetivo de difundir e dinamizar a participação do corpo docente.

O Universia Brasil realizará a coordenação geral do projeto e proporcionará uma plataforma de ensino, por meio do Portal Universia, que permitirá o acesso dos professores tanto a partir das mais de seis mil escolas em que trabalham, como em suas próprias casas, via Internet.

Obrigatoriedade do espanhol no Brasil

Em 05 de agosto de 2005, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que tornou obrigatória a oferta da língua espanhola nas escolas públicas e privadas de Ensino Médio. A lei prevê a implantação gradativa do ensino do espanhol, no prazo de cinco anos, e atribui aos conselhos estaduais de educação a responsabilidade pelas normas que tornem viável sua execução de acordo com as condições e peculiaridades locais.

A obrigatoriedade do ensino exigirá um esforço concentrado para capacitação de docentes de Ensino Médio. Para se ter idéia da situação atual, um levantamento preliminar realizado pela SEB/MEC (Secretaria de Educação Básica) indicou que, para implantar o ensino da língua espanhola nas 1.354 escolas de Ensino Médio nos 11 estados que fazem fronteira com países que falam espanhol, serão necessários 1.411 professores.

Para o reitor da Unesp, Marcos Macari, o projeto ¡Oye! terá um papel relevante na evolução da adaptação a esta legislação. "Do ponto de vista nacional é um projeto importante porque atende a decisão federal de colocar a língua espanhola como a segunda língua do país. E é importante também pela inserção do Brasil na América latina do ponto de vista das raízes espanholas na nossa cultura", afirmou.

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