Universidade sem fronteiras
O Brasil começa a viver mais intensamente uma nova fase na educação superior. Depois de conviver desde sempre com vergonhosos números de acesso às universidades, inclusive em relação a países do seu próprio continente, a proliferação de vagas nas instituições privadas e comunitárias, combinada a novas políticas públicas de estímulo ao ingresso à universidade, abriu oportunidade de formação acadêmica para milhares de pessoas. No período 1991-2009, por exemplo, a quantidade de matrículas triplicou nas universidades não estatais, passando de 1,5 milhão de vagas para cinco milhões. Embora haja, segundo um estudo recente do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp) da Unicamp, um contingente de 12 milhões de jovens que não ingressou ou não concluiu o Ensino Médio – um considerável universo ainda alijado das universidades, houve avanços importantes nas últimas duas décadas.
Esse progresso, induzido por uma demanda altamente reprimida, tem alargado a fronteira da educação superior. Ao lado da expansão dos cursos de graduação, crescem viçosamente os programas de pós-graduação, seguindo uma tendência que se verifica em grande escala em países desenvolvidos, onde há uma crescente inversão na proporção de alunos na graduação e na pós-graduação. Na Universidade de Stanford, na Califórnia, a título de referência, desde a década de 1990 o número de alunos matriculados nos programas de pós-graduação supera os da graduação. Neste cenário, os esforços da Univali na ampliação de seus programas de pós-graduação convergem para esta tendência global. Neste semestre, a Universidade passou a oferecer um amplo leque de MBAs em várias regiões do Estado, apoiada numa experiência bem-sucedida de mais de duas décadas de seus programas lato e stricto sensu. Com efeito, o fato de todos os cursos de mestrado e doutorado da Univali serem recomendados pela Capes/MEC traduz um compromisso com a qualidade. É uma excelência que se irradia nessa nova modalidade de cursos de especialização, alguns ofertados “in Company”.
Outro passo nesse sentido são as parcerias com universidades de outros países. Em recente viagem a Portugal, onde tivemos a oportunidade de visitar as instituições com as quais temos mantido históricos protocolos de intercâmbio, avançamos nos acordos que contemplam a pós-graduação, abrindo novas janelas de experiência acadêmica. É uma iniciativa que reforça importantes parcerias com novas universidades, firmadas durante o Congresso das Américas sobre Educação Internacional, em Vancouver, no qual nossa equipe pôde perceber um declarado interesse de estabelecer emparceiramentos com universidades brasileiras, entre as quais a Univali.
Esse processo de internacionalização está integrado ao planejamento estratégico da Univali, uma vez que estimular a mobilidade de nossos alunos e pesquisadores é um catalisador de qualidade, pois promove uma cultura de integração científica com centros de vanguarda na produção de conhecimento de todo o mundo. Nesse processo bilateral, postulamos um papel mais protagonista na geração de saber, uma condição à qual nos lança a nossa própria história. Afinal, como uma das pioneiras instituições não públicas no Ensino Superior do Estado, cabe à Univali ser uma das universidades envolvidas ativamente nessa nova fase da Educação Superior. No século do conhecimento, a Univali vê diante de si o irrecusável desafio de ser uma universidade sem fronteiras sob o impulso de sua vocação comunitária.