Universidade participa de projeto que resgata a cultura indígena dos Kokamas
A PUC do rio Grande do Sul (PUC-RS) participou de um projeto para a construção da Casa de Cultura Kokama na região da Amazônia, com a idéia de resgatar a cultura do povo indígena que vive no Alto Solimões. O trabalho foi desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Cultura Indígena da Universidade (Nepci), Centro de Educação Marista de Tabatinga e Organização Geral dos Caciques e Comunidades Indígenas do Povo Kokama do Alto Solimões. A inauguração ocorre em junho.
O local se situa em plena selva Amazônica, nas margens do Rio Solimões. Foi construído pelos próprios indígenas e financiado pela comunidade Marista de Roma. Conta com 18 metros de altura e 60 de largura. O coordenador do Nepci, Irmão Marista Edison Hüttner, lembra que os Kokamas não possuíam uma identidade definida e seus costumes e crenças se misturavam com os de outras tribos. “Eles estavam desaparecendo. Com um lugar para encontros e manifestações culturais a tribo vai ressurgir”, destaca. Cristóvão Moçambite, membro da comunidade, fala que hoje a cultura é mais reconhecida e se calcula que existam de 15 a 17 mil kokamas espalhados pelo território brasileiro. “A base de tudo são as nossas comunidades e ali sempre existe alguém que fala a língua original e matem as tradições”.
Hüttner também comenta a importância de não generalizar o termo indígena, porque cada tribo possui suas próprias tradições que devem ser mantidas e respeitadas por todos. A Igreja, hoje em dia, diferentemente da época das Missões, não quer catequizar, mas sim proteger todo tipo de crença e incentivar o diálogo, sem preconceitos. “É importante aprender a lidar com outros mundos e para que isso ocorra é necessário o diálogo entre as duas culturas”, afirma.