22/10/2005

Universidade organiza Dicionário Histórico do Português do Brasil

Por Genira Chagas

A lingüista e lexicógrafa Maria Tereza Camargo Biderman, docente aposentada da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), campus de Araraquara, teve seu projeto de pesquisa Dicionário Histórico do Português do Brasil - séculos XVI, XVII e XVIII, orçado em R$1 milhão, aprovado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), na esfera do Programa Instituto de Milênio, iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Professora colaboradora na pós-graduação da FCL, Maria Tereza explica que a tarefa de organizar um dicionário não é simples, principalmente quando se trata de montar uma base de dados, fundamentada em manuscritos do início da formação do Brasil. Nos próximos três anos, a partir de agora, ela e sua equipe irão estabelecer critérios e metodologia para selecionar documentos. "Só nesta etapa consumiremos um ano", explica a docente.

A partir destes dados, será organizada uma base informatizada do Português do Brasil ou sobre o Brasil dos séculos XVI, XVII e XVIII. A etapa seguinte será para o estabelecimento de critérios lexicográficos e modelos para a elaboração dos verbetes, ou seja, será feito um planejamento de como as palavras deverão aparecer para o consulente. "Ao final do terceiro ano, deveremos ter um dicionário de cerca de dez mil palavras", diz Maria Tereza.

Ao propor a elaboração deste dicionário, uma obra pioneira, a docente levou em consideração as lacunas existentes na lexicografia nacional sobre o vocabulário nos primeiros tempos da formação do português brasileiro. "As informações etimológicas e históricas dos dicionários de Língua Portuguesa são questionáveis. Elas não têm base em estudos sólidos sobre a história do nosso vocabulário simplesmente porque estes estudos nunca foram feitos", enfatiza.

No início da colonização, nos séculos XVI, XVII e XVIII, o português passou a adquirir um vocabulário criado em nosso território, de acordo com uma realidade física e cultural muito diversa. "Era preciso designar com palavras do sistema lingüístico português, elementos daquele universo novo, até então não-nomeado", destaca. O dicionário será construído a partir do esmiuçamento de textos sobre o Brasil e produzidos por brasileiros, ou portugueses radicados definitivamente no país a partir do século XVI.

A importância da institucionalização deste projeto pelo Instituto do Milênio, segundo a pesquisadora, é que ele poderá ser ampliado à medida que novas etapas forem sendo concluídas. "Os dicionários europeus de modelo histórico são obras de financiamento público de longa duração", diz.

Em cerca de 30 anos de vida acadêmica, Maria Tereza se dedicou ao estudo do vocabulário da língua portuguesa e de outras línguas. Com esse saber, acabou desenvolvendo um repertório básico para a proposição de uma pedagogia própria para a elaboração de dicionários escolares.

É autora de quatro dicionários: Dicionário Contemporâneo de Português, Editora Vozes, 1982; Dicionário Didático de Português, Editora Ática, 1998; Dicionário Ilustrado de Português, Editora Ática, 2005; e Dicionário do Estudante, Editora Globo, 2005.

As instituições parceiras no projeto são a Universidade de Évora, em Portugal, [que trabalha em consonância com a Biblioteca de Évora, a qual possui um importante acervo de documentos referentes ao Brasil do início de nossa história]; a USP, campi de São Paulo e São Carlos; a Universidade Federal de São Carlos; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Universidade Federal de Minas Gerais; Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e Universidade Federal da Bahia.

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