26/06/2008

Unila: uma universidade sem fronteiras

Em dezembro de 2007, o Ministério da Educação submeteu ao Presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, um Projeto de Lei propondo a criação da Universidade Federal da
Integração Latino-Americana (Unila), instituição para ter sua sede em Foz do Iguaçu,
Estado do Paraná, devido à confluência, nessa cidade da fronteira, de três países sulamericanos,
o que favorece a idéia de diálogo e interação regional.
Na Exposição Interministerial de Motivos reconhece-se a urgência de promover, por
intermédio do conhecimento e da cultura, a cooperação e o intercâmbio solidários com os
demais países da América Latina, aspiração histórica que se tornou imperativa nos dias
atuais. Num contexto de integração regional, as universidades constituem instituições
privilegiadas para a instauração da cultura do respeito à diversidade concomitante a uma
interação compartilhada do saber e da tecnologia. Destaca-se a necessidade de interiorizar
e expandir a rede de instituições federais brasileiras nas regiões mais distantes dos
centros urbanos desenvolvidos, inclusive nas regiões da fronteira com os países vizinhos
da América do Sul.
Entre os fundamentos de criação da Unila sobressai a necessidade de repensar a universidade
em termos nacionais e transnacionais devido à existência de desafios comuns
que precisam ser superados em escala transfronteiriça nas próximas décadas, entre os quais
destacam-se a redução das assimetrias sociais e a construção de modelos éticos de desenvolvimento
capazes de permitir o advento de sociedades mais sustentáveis, conciliando
crescimento econômico com equidade e equilíbrio ambiental.
O seu compromisso transcende reduções particularistas, tendo assim a pretensão de edificar-
se e de ser referência para indicar e induzir caminhos que conduzam ao respeito mútuo
e à reciprocidade de expectativas. Numa sociedade do conhecimento, a universidade precisa
ampliar e fortalecer a sua tradição de referência. E, só o fará, à medida que conseguir
reinventar-se e reconstruir-se à altura das incertezas e inseguranças que marcam nosso tempo.
A idéia subjacente é que no futuro as sociedades dependerão, ao menos em parte, do grau
de liderança intelectual e social das universidades. No contexto da América Latina, essa condição
sobressai visivelmente tanto em decorrência da história da colonização do continente, como
do papel que se reserva à América Latina para o avanço da democracia e da cultura de paz.
O Projeto de Lei nº 2878/2008, já tramitando no Congresso Nacional, estabelece, entre outros,
os seguintes objetivos para a Unila:
• Formar recursos humanos com lucidez e competência para contribuir com o desenvolvimento
e integração cultural e econômica latino-americana, fomentando o intercâmbio
científico e tecnológico entre as universidades e institutos de pesquisa da região;
• Caracterizar sua atuação pela ênfase no intercâmbio acadêmico e na cooperação solidária
com os países do Mercosul e com os demais países da América Latina;
• Oferecer cursos e desenvolver programas de pesquisas em áreas de interesse mútuo dos
países latino-americanos com ênfase nos recursos naturais, estudos sociais e lingüísticos,
relações internacionais e áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento e integração
regional.
Para o cumprimento dessa missão integradora, o processo de seleção dos docentes e pesquisadores
será aberto a candidatos dos diferentes países da região, devendo ser feito tanto em
língua portuguesa como em língua espanhola e versando sobre temas que assegurem igualdade
de condições entre os candidatos; da mesma forma, o processo de seleção dos alunos será
aberto a estudantes dos diversos países. Em ambos os casos, haverá banca examinadora de composição
internacional e representativa da América Latina.
Com vistas a agilizar o processo de criação da Unila, o Ministério da Educação instituiu pela
Portaria nº 43 a Comissão de Implantação da futura universidade. Essa Comissão, integrada
por especialistas de reconhecida experiência, tem por objetivo realizar estudos, promover
reflexões e debates nacionais e internacionais e apresentar até dezembro do ano em curso
proposta abrangendo a concepção da nova universidade, plano de implantação, estrutura
acadêmica, critérios de seleção docente e discente, política de ensino, pesquisa e extensão, política
de cooperação internacional e gestão democrática representativa de sua missão primordial.
Posse.
Para o cumprimento dessa missão integradora, o processo de seleção dos docentes e pesquisadores
será aberto a candidatos dos diferentes países da região, devendo ser feito tanto em
língua portuguesa como em língua espanhola e versando sobre temas que assegurem igualdade
de condições entre os candidatos; da mesma forma, o processo de seleção dos alunos será
aberto a estudantes dos diversos países. Em ambos os casos, haverá banca examinadora de composição
internacional e representativa da América Latina.
Com vistas a agilizar o processo de criação da Unila, o Ministério da Educação instituiu pela
Portaria nº 43 a Comissão de Implantação da futura universidade. Essa Comissão, integrada
por especialistas de reconhecida experiência, tem por objetivo realizar estudos, promover
reflexões e debates nacionais e internacionais e apresentar até dezembro do ano em curso
proposta abrangendo a concepção da nova universidade, plano de implantação, estrutura
acadêmica, critérios de seleção docente e discente, política de ensino, pesquisa e extensão, política
de cooperação internacional e gestão democrática representativa de sua missão primordial.
A Comissão de Implantação da Unila foi oficialmente instalada no dia 6 de março de 2008 no
Salão de Atos do Ministério da Educação. Naquela oportunidade, o ministro Fernando Haddad
sublinhou que “quanto mais ousado e coerente for o projeto, tanto maior será a chance de
sucesso”. Criar-se-ia na educação um novo paradigma para que outros setores possam também
se adequar aos novos tempos. Esse projeto é um sonho antigo de muitos brasileiros e de muitos
latino-americanos.
Foi com base nessa ousada recomendação que a Comissão de Implantação iniciou seus trabalhos,
propondo-se desde o começo pensar a concepção da Unila com ambição inovadora
e prospectiva. Reconheceu-se logo que para avançar em direção à integração regional, o projeto
da Unila precisava ser construído com base em três direções-pilares que são:
• Interação em termos nacionais e transnacionais de forma solidária e com respeito mútuo;
• Compromisso com o desenvolvimento econômico sustentável, tornando-o indissociável da
justiça social e do equilíbrio do meio ambiente;
• Compartilhamento recíproco de recursos e conhecimentos científicos e tecnológicos com
professores e estudantes da América Latina.
Assim, a Comissão empreendeu sua tarefa com a assertiva
de que para viabilizar uma atuação orientada por esses postulados,
a cooperação e o intercâmbio devem estar pautados por
princípios ético-políticos, entre eles, a liberdade para ensinar
e pesquisar em uma cultura acadêmica inter e transdisciplinar
considerada, hoje, indispensável para maior aprofundamento
e busca de soluções aos desafios latino-americanos; o
fortalecimento das relações culturais e a valorização da cultura
e da memória latino-americana; a promoção do intercâmbio e
da cooperação respeitando as identidades culturais, religiosas
e nacionais; e o conhecimento recíproco para possibilitar a integração regional.
Na concepção da Unila, sobressai como da mais alta relevância a de ser uma instituição bilíngüe,
com professores e alunos do Brasil e dos diversos países da América Latina. A meta é ter
10.000 alunos e 500 professores, sendo uma metade oriunda do Brasil e a outra da América
Latina. Essa exigência está no centro das reflexões da Comissão na medida em que se torna
necessário conceber um projeto pedagógico de alcance inter e transdisciplinar que, tendo como
substrato a convivência intelectual e o diálogo intercultural, ofereça um ensino e desenvolva
pesquisas e programas de extensão de elevado nível acadêmico.
A questão da qualidade tem merecido a melhor das atenções da Comissão. Trata-se de entender
esse vocábulo em diferentes dimensões, sobretudo nos planos ético e cognitivo. Espera-se que os docentes e os estudantes a serem formados pela Unila contribuam, com competência e atitude
ética, para o surgimento de cenários sociais e políticos à altura da responsabilidade planetária
que se requer neste novo milênio para todas as pessoas e instituições. É essa visão global de
sociedade que fundamenta uma metodologia de visão sistêmica. A evolução do conhecimento
disciplinar para o inter e transdisciplinar, em que pesem a magnitude dos desafios metodológicos,
deve ser praticada e perseguida pela Unila. Os projetos de pesquisa e a prática pedagógica
devem refletir essa inovação.
O diálogo intercultural está sendo pensado para ser estabelecido como um dos pontos
nevrálgicos do projeto pedagógico. Haverá de considerar que a busca da integração passa necessariamente
pelo reconhecimento das diferenças entre as diversas culturas da América Latina. Aprofundar
o conhecimento das diferenças certamente favorecerá a identificação das convergências
que são importantes para a construção conjunta de novos horizontes. A Comissão entende que
a análise da especificidade de cada cultura ou subcultura precisa estar presente no currículo da
Unila e que sua explicitação e valorização constituir-se-ão os pilares éticos mais significativos.
Simultaneamente a essas linhas de reflexão de natureza
conceitual, a Comissão está também examinando questões
organizacionais. Entre elas, a organização acadêmica, as formas
de gestão, os eixos estruturantes nas áreas das ciências e humanidades
e os primeiros cursos a serem oferecidos, o intercâmbio
com outras universidades da América Latina e de outros
continentes e os processos de seleção de alunos, docentes e
pesquisadores. Todas essas questões estão sendo examinadas
sob o prisma da integração regional, mas sem perder de vista
a importância estratégica da inserção da América Latina no
contexto internacional e na sociedade do conhecimento.
É importante assinalar que a vocação regional da Unila será trabalhada em perspectiva universal
de forma a abrir espaços intelectuais de reflexão integrada entre o local, o regional e o universal,
evitando-se os reducionismos que não contribuem para uma perspectiva planetária de mudanças
e inovações. O grande desafio da Unila é o de construir uma universidade que responda simultaneamente
à sua vocação nacional e latino-americana no marco dos compromissos do novo
milênio. Dessa forma, a Unila propõe-se a ser uma universidade que seja a expressão da sociedade
democrática e pluricultural, que aspira realizar a máxima qualidade acadêmica, sob a inspiração
de uma ética que respeite a diversidade e os direitos humanos universais, alicerçada nos ideais
de liberdade e de solidariedade, mas como espaço institucional de consciência crítica, no qual
os povos latino-americanos possam repensar suas formas de vida e suas organizações sociais,
econômicas e políticas.
É certo que, ao lado desses ideais, a Comissão está mobilizada para a concretude histórica dessa
utopia. Saber onde está o ponto de intersecção entre o ideal que se anuncia e o real que emerge
da dialética de circunstâncias várias, constitui o cerne norteador da proposta que a Comissão está
elaborando com a participação e colaboração de inúmeros especialistas.
A Unila, com a expectativa de que o Projeto de Lei que está tramitando no Congresso Federal
possa ter até o final do ano a aprovação da Câmara e do Senado Federal, pretende iniciar suas
atividades em meados de 2009, inicialmente em instalações cedidas pelo Parque Tecnológico
de Itaipu. O terreno que abrigará a futura sede será doado pela Itaipu Binacional e já conta com
o apoio de Oscar Niemeyer que, devido à relevância e significado da proposta, se dispôs a doar à
Unila a concepção do Portal da Universidade, da Biblioteca e da Reitoria. A residência universitária
será construída em terreno a ser doado pela Prefeitura Municipal de Foz de Iguaçu.
A arquitetura do futuro campus começa a ser idealizada de forma que os espaços se harmonizem
com a idéia de integração e com concepção pedagógica, de modo a ajudar a instauração de uma
cultura espontânea da integração. Pretende-se que o campus seja uma cidade universitária
educadora, onde os valores da modernidade defendidos pela Unesco em nome de seus paísesmembros
venham a ser cultivados em todos os espaços como parte da formação cidadã que a
Unila propõe-se a desenvolver.
Finalmente, importa sublinhar que uma universidade, para enfrentar os desafios que se colocam
para a América Latina, necessita ser concebida com flexibilidade e versatilidade, de forma a
enfrentar com sucesso as diferentes situações que se apresentarem. Além disso, haverá de ser
uma universidade sem muros e sem fronteiras, que combine o avanço da ciência e da tecnologia
com a interação entre os saberes elaborados pela academia com os saberes produzidos pelos mais
diversos segmentos sociais, com vistas a fazer do conhecimento um instrumento de promoção
humana.Em dezembro de 2007, o Ministério da Educação submeteu ao Presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, um Projeto de Lei propondo a criação da Universidade Federal da
Integração Latino-Americana (Unila), instituição para ter sua sede em Foz do Iguaçu,
Estado do Paraná, devido à confluência, nessa cidade da fronteira, de três países sulamericanos,
o que favorece a idéia de diálogo e interação regional.
Na Exposição Interministerial de Motivos reconhece-se a urgência de promover, por
intermédio do conhecimento e da cultura, a cooperação e o intercâmbio solidários com os
demais países da América Latina, aspiração histórica que se tornou imperativa nos dias
atuais. Num contexto de integração regional, as universidades constituem instituições
privilegiadas para a instauração da cultura do respeito à diversidade concomitante a uma
interação compartilhada do saber e da tecnologia. Destaca-se a necessidade de interiorizar
e expandir a rede de instituições federais brasileiras nas regiões mais distantes dos
centros urbanos desenvolvidos, inclusive nas regiões da fronteira com os países vizinhos
da América do Sul.
Entre os fundamentos de criação da Unila sobressai a necessidade de repensar a universidade
em termos nacionais e transnacionais devido à existência de desafios comuns
que precisam ser superados em escala transfronteiriça nas próximas décadas, entre os quais
destacam-se a redução das assimetrias sociais e a construção de modelos éticos de desenvolvimento
capazes de permitir o advento de sociedades mais sustentáveis, conciliando
crescimento econômico com equidade e equilíbrio ambiental.
O seu compromisso transcende reduções particularistas, tendo assim a pretensão de edificar-
se e de ser referência para indicar e induzir caminhos que conduzam ao respeito mútuo
e à reciprocidade de expectativas. Numa sociedade do conhecimento, a universidade precisa
ampliar e fortalecer a sua tradição de referência. E, só o fará, à medida que conseguir
reinventar-se e reconstruir-se à altura das incertezas e inseguranças que marcam nosso tempo.
A idéia subjacente é que no futuro as sociedades dependerão, ao menos em parte, do grau
de liderança intelectual e social das universidades. No contexto da América Latina, essa condição
sobressai visivelmente tanto em decorrência da história da colonização do continente, como
do papel que se reserva à América Latina para o avanço da democracia e da cultura de paz.
O Projeto de Lei nº 2878/2008, já tramitando no Congresso Nacional, estabelece, entre outros,
os seguintes objetivos para a Unila:
• Formar recursos humanos com lucidez e competência para contribuir com o desenvolvimento
e integração cultural e econômica latino-americana, fomentando o intercâmbio
científico e tecnológico entre as universidades e institutos de pesquisa da região;
• Caracterizar sua atuação pela ênfase no intercâmbio acadêmico e na cooperação solidária
com os países do Mercosul e com os demais países da América Latina;
• Oferecer cursos e desenvolver programas de pesquisas em áreas de interesse mútuo dos
países latino-americanos com ênfase nos recursos naturais, estudos sociais e lingüísticos,
relações internacionais e áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento e integração
regional.
Para o cumprimento dessa missão integradora, o processo de seleção dos docentes e pesquisadores
será aberto a candidatos dos diferentes países da região, devendo ser feito tanto em
língua portuguesa como em língua espanhola e versando sobre temas que assegurem igualdade
de condições entre os candidatos; da mesma forma, o processo de seleção dos alunos será
aberto a estudantes dos diversos países. Em ambos os casos, haverá banca examinadora de composição
internacional e representativa da América Latina.
Com vistas a agilizar o processo de criação da Unila, o Ministério da Educação instituiu pela
Portaria nº 43 a Comissão de Implantação da futura universidade. Essa Comissão, integrada
por especialistas de reconhecida experiência, tem por objetivo realizar estudos, promover
reflexões e debates nacionais e internacionais e apresentar até dezembro do ano em curso
proposta abrangendo a concepção da nova universidade, plano de implantação, estrutura
acadêmica, critérios de seleção docente e discente, política de ensino, pesquisa e extensão, política
de cooperação internacional e gestão democrática representativa de sua missão primordial.
Posse.
Para o cumprimento dessa missão integradora, o processo de seleção dos docentes e pesquisadores
será aberto a candidatos dos diferentes países da região, devendo ser feito tanto em
língua portuguesa como em língua espanhola e versando sobre temas que assegurem igualdade
de condições entre os candidatos; da mesma forma, o processo de seleção dos alunos será
aberto a estudantes dos diversos países. Em ambos os casos, haverá banca examinadora de composição
internacional e representativa da América Latina.
Com vistas a agilizar o processo de criação da Unila, o Ministério da Educação instituiu pela
Portaria nº 43 a Comissão de Implantação da futura universidade. Essa Comissão, integrada
por especialistas de reconhecida experiência, tem por objetivo realizar estudos, promover
reflexões e debates nacionais e internacionais e apresentar até dezembro do ano em curso
proposta abrangendo a concepção da nova universidade, plano de implantação, estrutura
acadêmica, critérios de seleção docente e discente, política de ensino, pesquisa e extensão, política
de cooperação internacional e gestão democrática representativa de sua missão primordial.
A Comissão de Implantação da Unila foi oficialmente instalada no dia 6 de março de 2008 no
Salão de Atos do Ministério da Educação. Naquela oportunidade, o ministro Fernando Haddad
sublinhou que “quanto mais ousado e coerente for o projeto, tanto maior será a chance de
sucesso”. Criar-se-ia na educação um novo paradigma para que outros setores possam também
se adequar aos novos tempos. Esse projeto é um sonho antigo de muitos brasileiros e de muitos
latino-americanos.
Foi com base nessa ousada recomendação que a Comissão de Implantação iniciou seus trabalhos,
propondo-se desde o começo pensar a concepção da Unila com ambição inovadora
e prospectiva. Reconheceu-se logo que para avançar em direção à integração regional, o projeto
da Unila precisava ser construído com base em três direções-pilares que são:
• Interação em termos nacionais e transnacionais de forma solidária e com respeito mútuo;
• Compromisso com o desenvolvimento econômico sustentável, tornando-o indissociável da
justiça social e do equilíbrio do meio ambiente;
• Compartilhamento recíproco de recursos e conhecimentos científicos e tecnológicos com
professores e estudantes da América Latina.
Assim, a Comissão empreendeu sua tarefa com a assertiva
de que para viabilizar uma atuação orientada por esses postulados,
a cooperação e o intercâmbio devem estar pautados por
princípios ético-políticos, entre eles, a liberdade para ensinar
e pesquisar em uma cultura acadêmica inter e transdisciplinar
considerada, hoje, indispensável para maior aprofundamento
e busca de soluções aos desafios latino-americanos; o
fortalecimento das relações culturais e a valorização da cultura
e da memória latino-americana; a promoção do intercâmbio e
da cooperação respeitando as identidades culturais, religiosas
e nacionais; e o conhecimento recíproco para possibilitar a integração regional.
Na concepção da Unila, sobressai como da mais alta relevância a de ser uma instituição bilíngüe,
com professores e alunos do Brasil e dos diversos países da América Latina. A meta é ter
10.000 alunos e 500 professores, sendo uma metade oriunda do Brasil e a outra da América
Latina. Essa exigência está no centro das reflexões da Comissão na medida em que se torna
necessário conceber um projeto pedagógico de alcance inter e transdisciplinar que, tendo como
substrato a convivência intelectual e o diálogo intercultural, ofereça um ensino e desenvolva
pesquisas e programas de extensão de elevado nível acadêmico.
A questão da qualidade tem merecido a melhor das atenções da Comissão. Trata-se de entender
esse vocábulo em diferentes dimensões, sobretudo nos planos ético e cognitivo. Espera-se que os docentes e os estudantes a serem formados pela Unila contribuam, com competência e atitude
ética, para o surgimento de cenários sociais e políticos à altura da responsabilidade planetária
que se requer neste novo milênio para todas as pessoas e instituições. É essa visão global de
sociedade que fundamenta uma metodologia de visão sistêmica. A evolução do conhecimento
disciplinar para o inter e transdisciplinar, em que pesem a magnitude dos desafios metodológicos,
deve ser praticada e perseguida pela Unila. Os projetos de pesquisa e a prática pedagógica
devem refletir essa inovação.
O diálogo intercultural está sendo pensado para ser estabelecido como um dos pontos
nevrálgicos do projeto pedagógico. Haverá de considerar que a busca da integração passa necessariamente
pelo reconhecimento das diferenças entre as diversas culturas da América Latina. Aprofundar
o conhecimento das diferenças certamente favorecerá a identificação das convergências
que são importantes para a construção conjunta de novos horizontes. A Comissão entende que
a análise da especificidade de cada cultura ou subcultura precisa estar presente no currículo da
Unila e que sua explicitação e valorização constituir-se-ão os pilares éticos mais significativos.
Simultaneamente a essas linhas de reflexão de natureza
conceitual, a Comissão está também examinando questões
organizacionais. Entre elas, a organização acadêmica, as formas
de gestão, os eixos estruturantes nas áreas das ciências e humanidades
e os primeiros cursos a serem oferecidos, o intercâmbio
com outras universidades da América Latina e de outros
continentes e os processos de seleção de alunos, docentes e
pesquisadores. Todas essas questões estão sendo examinadas
sob o prisma da integração regional, mas sem perder de vista
a importância estratégica da inserção da América Latina no
contexto internacional e na sociedade do conhecimento.
É importante assinalar que a vocação regional da Unila será trabalhada em perspectiva universal
de forma a abrir espaços intelectuais de reflexão integrada entre o local, o regional e o universal,
evitando-se os reducionismos que não contribuem para uma perspectiva planetária de mudanças
e inovações. O grande desafio da Unila é o de construir uma universidade que responda simultaneamente
à sua vocação nacional e latino-americana no marco dos compromissos do novo
milênio. Dessa forma, a Unila propõe-se a ser uma universidade que seja a expressão da sociedade
democrática e pluricultural, que aspira realizar a máxima qualidade acadêmica, sob a inspiração
de uma ética que respeite a diversidade e os direitos humanos universais, alicerçada nos ideais
de liberdade e de solidariedade, mas como espaço institucional de consciência crítica, no qual
os povos latino-americanos possam repensar suas formas de vida e suas organizações sociais,
econômicas e políticas.
É certo que, ao lado desses ideais, a Comissão está mobilizada para a concretude histórica dessa
utopia. Saber onde está o ponto de intersecção entre o ideal que se anuncia e o real que emerge
da dialética de circunstâncias várias, constitui o cerne norteador da proposta que a Comissão está
elaborando com a participação e colaboração de inúmeros especialistas.
A Unila, com a expectativa de que o Projeto de Lei que está tramitando no Congresso Federal
possa ter até o final do ano a aprovação da Câmara e do Senado Federal, pretende iniciar suas
atividades em meados de 2009, inicialmente em instalações cedidas pelo Parque Tecnológico
de Itaipu. O terreno que abrigará a futura sede será doado pela Itaipu Binacional e já conta com
o apoio de Oscar Niemeyer que, devido à relevância e significado da proposta, se dispôs a doar à
Unila a concepção do Portal da Universidade, da Biblioteca e da Reitoria. A residência universitária
será construída em terreno a ser doado pela Prefeitura Municipal de Foz de Iguaçu.
A arquitetura do futuro campus começa a ser idealizada de forma que os espaços se harmonizem
com a idéia de integração e com concepção pedagógica, de modo a ajudar a instauração de uma
cultura espontânea da integração. Pretende-se que o campus seja uma cidade universitária
educadora, onde os valores da modernidade defendidos pela Unesco em nome de seus paísesmembros
venham a ser cultivados em todos os espaços como parte da formação cidadã que a
Unila propõe-se a desenvolver.
Finalmente, importa sublinhar que uma universidade, para enfrentar os desafios que se colocam
para a América Latina, necessita ser concebida com flexibilidade e versatilidade, de forma a
enfrentar com sucesso as diferentes situações que se apresentarem. Além disso, haverá de ser
uma universidade sem muros e sem fronteiras, que combine o avanço da ciência e da tecnologia
com a interação entre os saberes elaborados pela academia com os saberes produzidos pelos mais
diversos segmentos sociais, com vistas a fazer do conhecimento um instrumento de promoção
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