UNE promove encontro por mudanças na política monetária
Por Marli Moreira, da Agência Brasil
São Paulo - A União Nacional dos Estudantes (UNE) pretende lotar nesta segunda-feira (4) o auditório da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, no encontro em defesa de mudanças na política monetária do país.
O auditório tem capacidade para 400 pessoas sentadas e deverá receber intelectuais, economistas, sindicalistas, parlamentares e representantes de movimentos sociais. Gustavo Petta, presidente da UNE, apontou a necessidade de "desvincular a taxa básica de juros, a Selic, da meta de inflação. E se disse favorável à troca de comando no Banco Central.
Segundo Petta, entre os palestrantes deverão estar o economista Luiz Gonzaga Belluzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa; o sociólogo Emir Sader, secretário executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso); e o economista Paulo Nogueira Batista, professor da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de São Paulo.
Participarão também outros convidados da União Brasileira dos Estudantes (UBES), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Além dessa manifestação, denominada Ato Nacional por Mudanças na Política Econômica, a UNE pretende encaminhar um documento a ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 13, quando ele deverá ter encontro com representantes dos movimentos sociais.
A UNE pedirá mudança na direção do Banco Central e que os novos controladores da política monetária sejam mais afinados com a teoria desenvolvimentista. “Esse movimento é um embrião para pressionar o governo a efetuar mudanças mais significativas na política econômica”, esclareceu Gustavo Petta.
Ele reconheceu avanços no primeiro mandato de Lula, "mas foi um crescimento que ficou abaixo da média mundial e mesmo dos países da América Latina, e isso em conseqüência do conservadorismo do Banco Central”. Com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) em 0,5% no terceiro trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIB), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já disse acreditar em índice de 3,2% no ano, em relação a 2005.
No entanto, para Gustavo Petta, o ritmo não foi suficiente para “diminuir as diferenças sociais e a maioria da população ainda vive a condição de excluída”. Na opinião dele, os juros poderiam ter tido caído mais, já que a redução iniciada em setembro do ano passado não conseguiu fazer com que o capital especulativo migrasse para o setor produtivo. A taxa Selic está em 13,25% ao ano e deverá ser mantida pelo menos até a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, prevista para o dia 24 de janeiro de 2007.