Uma universidade do povo e para o povo da floresta
Pensar uma nova proposta de universidade, integrando os saberes acadêmico e tradicional (povos indígenas e comunidades tradicionais), e propondo formas diferenciadas de acesso dessas populações ao ensino superior. Com esse objetivo é que foram realizados entre os dias 20 e 23 de fevereiro, em Cruzeiro do Sul (AC), o Fórum da Sociedade Civil – visando aprofundar as discussões entre os representantes da sociedade civil e do estado -, e a 2ª Reunião do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) - para avaliar e dar encaminhamento formal às propostas apresentadas no Fórum. O GTI foi instituído pela portaria interministerial nº 132 (17/05/2005) e é composto pelos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), do Meio Ambiente (MMA) e da Educação (MEC).
Segundo o subsecretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do MCT, Avílio Franco, um dos representantes do Ministério no evento, o MCT está atento à importância do tema para a sociedade e o País. Por isso, reservou para o projeto, por meio da Ação Transversal da Amazônia - coordenado pela subsecretaria, R$ 500 mil destinados ao Instituto da Biodiversidade (IB), que juntamente com o Centro de Formação e Tecnologias da Floresta (Ceflora) e o campus Ufac-Floresta, compõe a Universidade da Floresta.
Outra possibilidade de financiamento apontada pelo subsecretário do MCT é o Fundo Setorial de Infra-estrutura (CT-Infra), que permite, uma vez aprovado o projeto, o aporte de até R$ 1,5 milhão para modernizar e ampliar a infra-estrutura e os serviços de apoio à pesquisa desenvolvida em instituições públicas de ensino superior e de pesquisa brasileiras. Outra modalidade que também poderá contribuir para esta ação é um edital de RH lançado recentemente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), que permitirá que a licença sabática dos professores e pesquisadores seja gozada em atividades realizadas na região amazônica.
De acordo com o representante do MMA e coordenador geral do GTI, Paulo Kageyama, “ Essa é uma boa oportunidade de enfrentarmos o desafio de fazer com que o conhecimento tradicional possa chegar na Academia e vice-versa”.
O governador do Acre, Jorge Viana (PT), que prestigiou a abertura do evento, falou de sua satisfação com o caráter inovador da instituição nascente, lembrando que no passado “o normal e corriqueiro era o desprezo por isso aqui. A questão a ser resolvida era como desmatar e ocupar a área para resolver o ‘problema’ floresta”.
O Fórum da Sociedade Civil contou com a participação de oito organizações representativas dos povos indígenas e 17 outras das comunidades extrativistas, além de seis instituições ligadas ao movimento social. Segundo Francisco Ginu, líder comunitário e coordenador geral do Fórum da Sociedade Civil, "o encontro é uma oportunidade que se abre para o futuro e marca o aprofundamento da participação do povo na gestão da coisa pública".
Após o levantamento das demandas das comunidades locais em relação à formação de pessoal especializado para atender as suas necessidades, o que foi sugerido e definido como prioridade para o momento foi a criação do curso de Educação Indígena, para o qual poderão ser contratados cinco novos professores, que irão juntar-se aos 20 profissionais de ensino superior já contratados para outros novos cursos do Campus Ufac-Floresta.
Mais informações podem ser obtidas em http://www.ifch.unicamp.br/laa/unifloresta