07/07/2009

Uma educação para construir o Desenvolvimento Sustentável

 

Por Nicholas Burnett*

 

O que é Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS)? É uma educação destinada a preparar o futuro. Ela pretende nos tornar capazes de enfrentar os principais desafios da atualidade: a proteção do meio ambiente, o respeito pela biodiversidade e a defesa dos direitos humanos.

Há pouco mais de 20 anos, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento lançava um apelo para que fosse adotado um “modo de desenvolvimento suscetível de responder às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de resposta das gerações futuras diante de seus próprios problemas”. A essência do desenvolvimento sustentável se encontrava assim resumida: uma visão de longo prazo que nos incentiva a assumir nossas responsabilidades no presente e, ao mesmo tempo, no futuro.

Esta tomada de consciência levou uma boa parte dos Estados-membros a adotar, em 2000, os oito Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento que visam a erradicar a pobreza extrema e a fome, a melhorar a saúde da mãe e da criança, a combater o HIV e a AIDS, a concretizar o ensino primário para todos, a promover a igualdade entre os sexos e a garantir um meio ambiente sustentável. Ora, estamos convencidos de que, sem o apoio da educação, nenhum desses objetivos será alcançado; por isso, em 2005, procedeu-se ao lançamento da Década das Nações Unidas para a Educação em favor do Desenvolvimento Sustentável (DEDS).

Efetivamente, a EDS reorienta o aprendizado em vários níveis: em primeiro lugar, exige uma abordagem interdisciplinar, integrando as dimensões social, ambiental, econômica e cultural do desenvolvimento, assim como levando-nos a tomar consciência de nossa interdependência em relação às outras pessoas, ao mundo circundante e à natureza. Deste modo, ela pretende nos tornar capazes de enfrentar desafios da atualidade tais como proteção do meio ambiente, respeito pela biodiversidade e defesa dos direitos humanos. Ela facilita, também, o desenvolvimento tanto do pensamento crítico quanto da capacidade de decisão e de resolução de problemas, ao mesmo tempo em que incentiva o diálogo, o trabalho em equipe e o espírito de iniciativa. Por último – e este é, sem dúvida, o aspecto mais importante –, ela faz sobressair noções de paz, igualdade e respeito pelos outros, assim como pelos ambientes natural e social. Em outras palavras, ela visa a nos dar autonomia com a oferta de conhecimentos, competências e valores que façam de nós verdadeiros agentes da mudança.

A Conferência Mundial da UNESCO sobre a Educação em favor do Desenvolvimento Sustentável, recentemente realizada em Bonn, Alemanha (31 de Março a 2 de Abril 2009), mostrou que numerosos países já implementaram quadros estratégicos inovadores em favor da EDS. A Década incentivou os países a repensar os objetivos da educação, os conteúdos dos programas escolares e as práticas pedagógicas em complementaridade com os esforços despendidos para realizar o “Educação para Todos” (EPT). A Década tem engendrado uma série de iniciativas e de projetos que colocam em prática o EDS tanto no âmbito escolar quanto no extraescolar. Apesar disso, os progressos permanecem desiguais e devemos perseverar na sensibilização do público em geral. Hoje, devemos juntar nossas energias para que a EDS seja estabelecida como linha diretriz que permita melhorar a pertinência e a qualidade da educação graças ao compromisso de dirigentes políticos, de estabelecimentos de formação dos docentes, de universidades e de outros importantes parceiros. Devemos, igualmente, tirar proveito de todas as oportunidades para insistir sobre a centralidade da EDS.

A educação deverá fornecer respostas para a crise atual. A crise financeira e econômica nos induz a aplicá-la sem mais tardar. Não conseguiremos reduzir a pobreza e construir sociedades mais equitativas, duradouras e focalizadas na paz se não dotarmos os indivíduos, em todas as épocas da vida, com conhecimentos, competências e valores que lhes permitam informar-se e tomar decisões de maneira responsável. Uma educação de qualidade que facilite a tomada de consciência, a abertura, a solidariedade e a responsabilidade, deve fazer parte de qualquer resposta à atual crise mundial. A mobilização de alunos, professores, escolas e comunidades para enfrentar os desafios sociais e ambientais constitui o primeiro passo para superá-los. Mas, acima de tudo, é necessário que os dirigentes e os tomadores de decisão estabeleçam as condições indispensáveis a fim de que a educação se oriente para a construção de uma maior equidade entre as sociedades.

* Nicholas Burnett é Diretor Geral Adjunto da UNESCO para a Educação.


(Envolverde/Revista Eco21)
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