21/12/2005

Um suporte pedagógico para deficientes visuais

Em 2003, a professora de Matemática do Centro Estadual de Educação Supletiva da Unicamp, Antonieta Aparecida Gonçalves Pereira Kanso, recebeu seu primeiro aluno deficiente visual. Na época, mesmo com 24 anos de magistério, não sabia como ensinar a disciplina a ele. Mas as palavras ditas pela diretora – “ele tem o direito de aprender de tudo” – desafiaram a professora a tomar a decisão de que Roberto não seria apenas um ouvinte, mas que aprenderia o conteúdo integral.

O episódio foi o ponto de partida para que Antonieta desenvolvesse a Braimateca, um suporte pedagógico para o ensino de Matemática, principalmente envolvendo questões de álgebra, para deficientes visuais. O material consiste em um tabuleiro com inscrições em braille. Bastam pequenas adaptações para também ser utilizado com conteúdo de Física e Química. Segundo Antonieta, a maior dificuldade dos deficientes é que a escrita e leitura não são concomitantes. “Ele escreve da direita para a esquerda, mas lê ao contrário. Em disciplinas de exatas isso dificulta o ensino, pois é necessário que o aluno tenha uma memória acurada”, explica.

A Braimateca, o Laboratório de Acessibilidade da Biblioteca Central (LAB) e a disciplina Tópicos Especiais em Arquitetura I, cujo objetivo é envolver alunos de Arquitetura e Engenharia Civil, são apenas alguns dos exemplos de acessibilidade existentes na Unicamp e que, de certa forma, estavam dissociadas. A oportunidade oferecida pelo Programa de Educação Especial da Capes possibilitou aglutinar diversas propostas, que culminou na criação, em 2003, do Programa Todos Nós. A iniciativa é de professores e alunos e a intenção é fazer um diagnóstico da questão na Universidade.

Desde o início dos trabalhos, o programa já editou um livreto, Conviva com a diferença, distribuído aos calouros no início do ano letivo, e organizou uma oficina participativa “Acesso, Permanência e Prosseguimento da Escolaridade de Nível Superior de Pessoas com Deficiência: Ambientes Inclusivos”, em 2004, cujos resultados constam da publicação Todos Nós – Unicamp Acessível, também na versão em braille. As coordenadoras do programa, professoras Maria Teresa Eglér Montoan e Maria Cecília Baranauskas, entendem que mesmo com algumas ações já em andamento é preciso ampliar, atualizar, aprimorar e estender interna e externamente os serviços e recursos existentes para que se tenha um ambiente acadêmico difusor de práticas inclusivas.

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