26/03/2013

'Trote universitário não é tradição, é relação de poder', diz especialista

Especialistas criticam visão de que trote seja rito de passagem ou tradição.
Relembre os casos de abusos que ocorreram neste ano.

Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo

Apesar das instituições de ensino superior incentivarem ações de entretenimento, humanitárias ou pedagógicas para receber novos alunos, caso de trotes abusivos carregados de preconceito ou violência continuam sendo registrados em todo o país nesta época do ano. Muitas práticas se repetem sob alegação de que são tradicionais e fazem parte da história de determinadas faculdades. Estudiosos do trote universitário ouvidos pelo G1 afirmam que é preciso acabar com esta prática.

“Não tem nada a ver com tradição, a questão do trote é relação de poder. Um grupo político disputa o controle da situação. O menino que vai para a rua pedir by CouponDropDown" style="text-decoration:underline">dinheiro [nas brincadeiras de pedágio] é o soldado raso em uma hierarquia que tem general”, afirma Antônio Ribeiro de Almeida Júnior, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura (Esalq). O especialista é autor de três livros e estuda o tema desde 2001. "Ao longo do ano vejo o aumento da violência, e não da consciência."

Vários episódios de violência física ou psicológica foram registrados nas últimas semanas. Em Minas Gerais, uma caloura foi fotografada pintada de preto com as mãos acorrentadas e uma placa de identificação com o nome "Chica da Silva." No Rio Grande do Sul, os 'bixos' tiveram de segurar uma cabeça de porco e tomaram um banho com líquido que continha vísceras de peixe (confira outros casos na tabela abaixo).

As atléticas e centro acadêmicos das universidades costumam rebater as críticas dizendo que as atividades são ações isoladas, ocorrem independentemente das instituições e a participação dos estudantes é voluntária. Muitas instituições até disponibilizam telefones que funcionam como 'disque trote' para denunciar casos de coação e constrangimento.

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