Trabalhos sobre biodiversidade são premiados pela Capes
O Prêmio Capes-Natura Campus Excelência em Pesquisa divulgou nesta terça-feira, 22, em Brasília, os artigos vencedores em cada uma das duas temáticas propostas. Além da viagem à capital federal e dos certificados, os premiados receberam R$ 25 mil cada um. A iniciativa é uma parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a empresa Natura, de cosméticos.
A cooperação foi ressaltada pelo titular da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação, Paulo Barone. Para ele, o apoio empresarial a universidades e centros de pesquisa faz grande diferença para o país. “Essas ações apresentam para o Brasil um sinal importante de que por aí há uma rota de desenvolvimento da pesquisa científica, tecnológica e da inovação”, destacou.
O diretor de educação a distância da Capes, Carlos Cezar Leenusa, ressaltou a importância e a qualidade dos estudos acadêmicos realizados no país. “Isso mostra o compromisso do Estado brasileiro com a diversidade. Há muito tempo tenta-se trazer estudos e pesquisas de fora, mas estamos percebendo que, sim, sabemos o nosso rumo nacional.”
O vice-presidente de tecnologia digital da Natura, Agenor Leão Júnior, reforçou a construção das redes para a inovação. “Isso faz parte do DNA da nossa empresa”, disse. “Nossa visão é trabalhar cada vez mais com o sistema de colaboração.”
Nessa primeira edição do prêmio, foram inscritos 268 trabalhos científicos. Três deles selecionados, por categoria, para a final. Os textos trataram de assuntos relacionados à sustentabilidade e a sociobiodiversidade e conservação biológica. Outro critério foi a publicação em veículos da comunidade científica.
Considerada inovadora, a temática do prêmio ganha relevância ao promover a incorporação da riqueza da biodiversidade do Brasil à matriz econômica. A iniciativa já tem previsão para mais três edições. O próximo edital será lançado em 2017 e a premiação, em 2018.
Premiados — Na categoria de sustentabilidade, o estudo premiado abordou a substituição de materiais obtidos na natureza por outros capazes de resultar em algum valor agregado, principalmente em termos ambientais. No caso, a pesquisa substituiu a areia pelo bagaço da cana-de-açúcar. O prêmio foi recebido pelo orientador da pesquisa, já que o estudante ganhador, Fernando do Couto Rosa Almeida, desenvolve doutorado na Universidade de Caledonia Glasgow, na Escócia, Reino Unido, e não pôde comparecer.
Para o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Almir Salles, orientador da pesquisa, o estudo é relevante, pois busca resolver dois grandes problemas: onde depositar os resíduos e o da retirada de materiais da natureza.
O outro artigo premiado, do pesquisador Diogo Soares Samia, da Universidade Federal de Goiás (UFG), na categoria sociobiodiversidade e conservação biológica, mostrou a interface entre a ecologia comportamental e a conservação biológica de aves e mamíferos. O estudo buscou identificar as características das espécies mais ou menos tolerantes ao crescente impacto antrópico. “A pesquisa vem de encontro ao objetivo da empresa, que é o da conservação biológica, e de tentar mitigar os impactos”, disse Diogo. “Todos contribuímos para esse impacto: nós, residentes, empresas e governo.”
Em fase de edição, a pesquisa de Diogo está prestes a virar livro. A publicação trata do ecoturismo, suas promessas e perigos, através de uma avaliação biológica de impactos. O lançamento está previsto para agosto de 2017.
Mais informações na página do Prêmio Capes–Natura na internet.