01/06/2006

Tour pelo Brasil em busca do vestibular

Conheça os desafios de se prestar uma universidade longe de casa.

Meses de estudos, pilhas de livros e muitas aulas particulares. Por muitas vezes estudantes deixaram o cafezinho esfriar, não tiveram tempo para os namorados e amigos e chegaram até perder aquela 'super' balada. Ás vésperas de prestar um vestibular, milhares de jovens de todo o país deixam a rotina de lado para embarcar nesta maratona. O problema é que nem sempre estudantes e estudos são vizinhos de muro. Muitos chegam até trocar a comodidade de uma universidade próxima para se arriscar em faculdades que lhes dêem mais prazer e prestígio, mas que, em alguns casos, se localizam há quilômetros de distância.

Esse é o caso da aluna do Anglo Vestibulares Carla Salles, 20 anos, que mora em Araçatuba, interior paulista, e está se preparando para prestar vestibular em três universidades fora do estado de São Paulo: a UEL (Universidade Estadual de Londrina - PR), a UEM (Universidade Estadual de Maringá - PR) e a UFPR (Universidade Federal do Paraná). "Na ausência de uma boa faculdade no município onde moro, tive que buscar alternativas fora, já que o meu objetivo é ingressar no curso de Medicina em uma universidade pública", conta.

Carla não é a única estudante a fazer esta opção. Para se ter uma idéia, 11,62% dos candidatos que participaram do vestibular de verão de 2005 da Acafe (Associação Catarinense das Fundações Educacionais) - instituição que organiza o processo seletivo de 13 universidades de Santa Catarina - vieram de outros nove estados brasileiros. Já no vestibular da Unicamp (Universidade de Campinas), um dos maiores do país, 46% dos 49.585 inscritos eram oriundos de outras cidades e estados.

Para alguns, esta é apenas mais uma alternativa de ingresso no Ensino Superior. Outros, porém, encaram como a oportunidade de ouro para estudar em uma universidade pública de qualidade. Nos dois casos, não há como negar que a possibilidade de estudar em uma instituição pública ainda é o principal atrativo destes estudantes que abandonam a terra natal para prestar o vestibular em outra cidade ou estado.

Que não é nada fácil ingressar em uma universidade pública todo mundo sabe. Mas, para driblar a concorrência dos processos seletivos das instituições paulistas, o estudante do cursinho da Poli Icaro Santos Mello 18 anos, decidiu abrir os horizontes e ir buscar o seu sonho em outro Estado. "Os desafios de prestar o vestibular em uma outra cidade ou em um outro estado são maiores. Existe a diferença do custo e da comodidade, mas vale a pena. É uma nova alternativa de ingressar em uma instituição pública e de qualidade, muitas vezes, menos disputada", garante.

Atenção redobrada

Se prestar o vestibular em uma universidade perto de casa já demanda tempo e trabalho suficiente para atormentar a rotina de um estudante, imagine ter que enfrentar horas de estradas e ficar um período longe da família? Bem, não é todo mundo que encara isso numa boa. Mas, para aqueles que resolveram entrar neste desafio e se inscrever em exames em uma cidade vizinha ou até em outro estado, o momento exige atenção redobrada.

O primeiro passo, segundo a professora do departamento de Psicologia da Educação da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Maria Beatriz Loureiro de Oliveira, é elaborar um calendário para não se perder com as datas dos exames. "Assim, fica mais fácil organizar as viagens e verificar quanto tempo deve permanecer em cada lugar", alerta. Em seguida, é preciso verificar a distância entre a sua cidade e a da instituição em que vai fazer a prova. Isto vai ajudá-lo a optar pelo meio de transporte mais adequado, seja ele carro, ônibus ou avião. Mas preste bem a atenção na escolha, pois o desgaste da viagem pode interferir no rendimento do exame.

Outro aspecto bastante importante neste planejamento é a hospedagem. A psicóloga recomenda que o estudante procure por um lugar limpo, calmo e, de preferência, perto da universidade em que vai fazer o vestibular. "Muita bagunça e barulho o tempo inteiro também podem prejudicá-lo", destaca Maria Beatriz. Para fazer o seu roteiro, você pode procurar quais instituições no Brasil oferecem o curso que você procura no Onde Estudar, do Universia.

Se já arrumou estadia , nada de colocar aquela pilha de livros da cabeceira na mala, leve apenas o essencial. Não há mais tempo para estudar. O melhor, quando já tiver instalado, principalmente para aqueles que passaram horas na estrada, é aproveitar para relaxar. "É importante visitar o local do exame, com pelo menos 24 horas de antecedência. Fora isso, descansar será a principal missão do candidato", ressalta a professora.

Existem ainda, questões básicas que não podem ser deixadas de lado na hora de prestar qualquer vestibular. Além de uma boa alimentação e uma boa noite de sono, o candidato precisa estar muito tranqüilo para enfrentar a maratona das provas. "Não é só de livros que se faz o vestibular, muitos outros aspectos contam na hora de realizar uma boa prova", conta.

Luzes no fim do túnel

Como você pode perceber, prestar o vestibular em uma universidade longe de casa não é nada simples. Porém, não se assuste, não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Existem empresas especializadas que podem auxiliar com o planejamento da viagem. Este é o caso da Provest - Centro de Apoio ao Estudante, que além de fazer as inscrições para o candidato, organiza viagens para os processos-seletivos de todo o Brasil. Nos pacotes já estão inclusos a hospedagem, a locomoção e, ainda, guias especializados. "O vestibulando só precisa se preocupar em fazer a prova", afirma gerente administrativo da unidade de São Paulo, Marcelo Morreira da Silva.

Mas para isso é preciso fazer um investimento que pode variar entre R$ 100,00 e R$ 400,00. "Isso vai depender da cidade e do tempo da viagem", calcula Silva. Todos os anos, em média, quatro mil estudantes paulistas procuram os serviços da Provest. De olho neste filão, muitos cursinhos pré-vestibulares também começaram a organizar pacotes com o mesmo objetivo.

Algumas universidades, por sua vez, procuram facilitar o acesso nacional de seus vestibulares, levando-os até os candidatos. A Unicamp, por exemplo, realiza o seu processo-seletivo, simultaneamente, em 21 cidades do estado de São Paulo e ainda em outras nove capitais brasileiras. "O que a gente faz é facilitar a vida dos inscritos indo próximo a eles", explica o coordenador da Comvest (Comissão Permanente do Vestibular) da Unicamp, Leandro Tessler. Cabe a você descobrir se a universidade em que pretende ingressar disponibiliza o serviço.

Mesmo se você tiver que viajar para realizar o exame, as universidades disponibilizam em seus sites todas as informações necessárias para auxiliá-lo a chegar no campus. Em alguns casos, é possível encontrar até algumas opções de hospedagens e transportes. Além disso, muitas instituições aderiram às inscrições via internet, facilitando o acesso de candidatos de outras cidades e estados. Assim, uma boa visitada no site da universidade é mais que necessária: é OBRIGATÓRIA!

Outras instituições se preocupam ainda com o estado emocional dos candidatos. A UMC (Universidade de Mogi das Cruzes), por exemplo, criou um espaço dentro da universidade, com música e algumas outras atrações para deixar os alunos mais relaxados. "Todas as informações necessárias para a realização do vestibular estão disponíveis no nosso site. A nossa principal preocupação, no entanto, é com o nervosismo e a ansiedade dos candidatos, os maiores inimigos do vestibular", ressalta o gerente de Marketing da UMC, Carlos Elias.

Será que vale a pena?

Os custos são altos e os desafios são maiores ainda. Será que vale a pena investir em algo que não se tem certeza do resultado? Carla Salles, que está embarcando nesta maratona pela segunda vez, acredita que esta é uma boa experiência de vida. Mas a estudante alerta que o tour, excessivo, pelo Brasil atrás de vestibulares pode vir a comprometer o rendimento do vestibulando. "Quanto mais vestibulares você presta, mais preparado você fica. Mas é preciso tomar cuidado, pois ao invés de ajudar, isto pode te prejudicar. É bom sempre ter como foco o seu objetivo", conclui.

Esta matéria é a primeira parte do especial "Estudar longe de casa" .

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×