16/03/2010

Tendas-escolas fornecem um refúgio para as crianças afetadas pelo terremoto no Haiti

Porto Príncipe – Na capital devastada do Haiti e em seus arredores, tendas-escolas estão sendo abertas, com o apoio do UNICEF, para as crianças afetadas pelo terremoto de 12 de janeiro.

Um problema de longa data
A experiência do UNICEF mostra que é necessário levar as crianças de volta à escola o mais rapidamente possível após uma emergência, para restaurar um sentido de normalidade no dia a dia delas.

Mesmo antes do terremoto de 12 de janeiro, a pobreza e a falta de infraestrutura contribuíam para uma baixa taxa de matrículas em todo o Haiti. O terremoto só agravou o problema de longa data.

O Ministério da Educação haitiano estima que 80% das escolas a oeste de Porto Príncipe foram destruídas ou gravemente danificadas no terremoto, e de 35% a 40% foram destruídas no sudeste. Isso significa que aproximadamente 5 mil escolas foram destruídas e cerca de 2,9 milhões de crianças estão privadas do direito à educação.

Na sequência do terremoto, um grupo logístico sobre educação – co-liderado pelo UNICEF e Save the Children – foi criado entre as organizações de ajuda humanitária para apoiar o governo na tarefa de trazer as crianças de volta às escolas.

Com base na esperança
A tenda-escola do UNICEF que visitamos em Carrefour foi aberta em 22 de fevereiro. São duas grandes tendas, uma para crianças de 7 a 12 anos e uma para adolescentes de 12 a 17 anos.

Junto com as crianças e os adolescentes que vivem no acampamento para pessoas desabrigadas, as portas da nova escola também estão abertas para meninos e meninas da vizinhança – alguns dos quais nunca tinham ido à escola.

Professores da Cruz Vermelha haitiana conduzem as aulas. Chantal Duphrézin, uma das principais professoras do grupo etário mais jovem, mencionou que novas carteiras e bancos – fornecidos pelo UNICEF – tinham acabado de chegar.

"O Haiti vai mudar para melhor, temos certeza", disse Duphrézin. "Temos de ter esperança. E a mudança ocorrerá por nossos esforços... Chegará o dia em que não haverá nenhum entulho na rua. Isso é o que nós queremos."

Aprender pela brincadeira
Chantal Duphrézin contou que sua equipe de professores está desenvolvendo um plano de estudo combinado, que mistura diversão com os métodos tradicionais de ensino, para que os alunos possam aprender enquanto brincam. Essa técnica psicossocial ajuda a facilitar a volta à escola para crianças após uma emergência.

Testemunhei em primeira mão essa técnica nas tendas-escolas, onde vi grupos de estudantes, liderados por seus professores, cantando canções educativas – e todos claramente se divertindo enquanto aprendiam.

Mais tarde, abordei uma garota chamada Matsaika, 12 anos, que estava pintando calmamente em sua mesa. Matsaika agora vive no assentamento para desabrigados de Carrefour. "Quando eu crescer, quero ser uma enfermeira para curar os outros", ela me disse, acrescentando: "Estou muito feliz nesta escola".

(Envolverde/Unicef)

 
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