TCC avalia uso da internet por pacientes
A pesquisadora entrevistou 216 pessoas e se propôs a analisar de que maneira as consultas na rede de computadores influenciam diagnósticos e tratamentos de saúde
A acadêmica do curso de Medicina da Unisul Jennifer Silvestre fez uma pesquisa sobre o uso da internet por pacientes como fonte de informação em saúde e sua influência na relação médico-paciente”. Ela entrevistou 216 pessoas, entre 18 e 60 anos. Metade desse número na rede pública de Tubarão e metade na clínica Pró-vida.
Segundo Jennifer, a ideia era perceber de que maneira o uso da internet modificava as relações dentro dos consultórios. Cada paciente respondeu um questionário com 25 perguntas. A conclusão final foi de que, por enquanto, a internet ainda não interfere consideravelmente nos diagnósticos e tratamentos de doenças.
“A opinião dos médicos, na visão dos pacientes, ainda é incontestável”, conclui Jennifer. Para ela, no entanto, a prática das pesquisas na rede de computadores deve aumentar nos próximos anos. “Isso acontece porque as consultas estão com o tempo cada vez mais reduzido e o paciente vai para casa com muitas dúvidas”, argumenta.
Segundo os dados levantados, dos 216 pacientes entrevistados, 108 usavam a internet para fazer pesquisas sobre doenças em Tubarão. 58 % na clínica Pró-vida e 42% na rede pública. No entanto, quando perguntados sobre a influência dessas pesquisas para a mudança no tratamento ou diagnóstico, a maioria afirmou que isso não aconteceu. De acordo com a estudante, os pacientes têm utilizado a internet como uma maneira de aprofundar as informações do médico, geralmente depois das consultas.
“As pesquisas na rede podem ser uma alternativa complementar, quando indicadas pelos profissionais da saúde”, propõe a acadêmica. Segundo ela, essa prática pode ajudar o paciente a conhecer melhor o tratamento que vai fazer, caso o médico indique sites com informações confiáveis. “O ideal é que o paciente saia do consultório sem nenhuma dúvida. Como isso na maioria das vezes não ocorre, por conta da falta de tempo, a internet pode ajudar”, avalia.
Jennifer ressalta, porém, a importância da qualidade da informação. “Grande parte dos pacientes afirmou que vai diretamente ao Google”, comenta Jennifer, e lembra que a opinião do médico é fundamental. A estudante defende que a utilização da internet ocorra depois das consultas aos profissionais, a fim de procurar novas informações ou técnicas que o médico desconheça. “Cabe ao médico avaliar essas informações e considerar se elas são válidas ou não”, diz.