09/03/2006

SP inclui qualidade nas metas de educação

Por Talita Bedinelli

Com a maioria dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio alcançados, cidade estuda medidas para aprimorar ensino.

A cidade de São Paulo deve adaptar os indicadores de educação previstos nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de maneira a centrar-se mais em ações para melhorar a qualidade do ensino. Essa é a avaliação de especialistas e gestores públicos presentes no segundo dia de debates do 1º Fórum da Cidade de São Paulo — "Caminhos do Milênio".

No evento, realizado nesta terça-feira, estiveram presentes o secretário municipal de Educação de São Paulo, José Aristodemo Pinotti, os educadores Carlos Alberto Emediato, membro da Rede Internacional de Educação para a Paz, Leila Iannone, da Secretaria de Estado da Educação, e Zoara Failla, da Secretaria de Estado da Saúde.

De maneira geral, eles avaliaram que as metas de universalização do ensino fundamental estão cumpridas no município. No ensino fundamental, praticamente todas as crianças estão na escola. No ensino médio, as taxas superam a do Brasil.

“A demanda escolar está 100% atendida, tem escola para todo mundo. Aqueles que não as freqüentam, fazem por outros motivos, como a necessidade de trabalhar ou a falta de interesse”, comentou Zoara Failla. Ela destacou que os dados mais recentes apontam 98,1% das pessoas que freqüentam da 5ª a 8ª série estão matriculadas no curso diurno, enquanto em 1985 essa taxa era de 34,6%. “Isso prova que houve uma correção do fluxo escolar. A maioria das pessoas, hoje, freqüenta a escola na idade certa. Antes, o aluno era muito mais velho. E se estão na idade certa, não precisam trabalhar”, apontou a educadora.

Há dez anos, a taxa de abandono dos estudantes de 1ª a 4ª série era de 7,5% e hoje é de 0,6%. No ensino fundamental é de 1,8%, a menor do país. Isso se reflete na taxa de analfabetismo, que decaiu. Outro indicador na área de educação incluído nos Objetivos do Milênio — igualar a proporção de homens e mulheres na escola — também está resolvida, visto que a maioria das pessoas que estudam hoje em São Paulo é mulher.

Assim, avaliam os especialistas, a ação deve estar concentrada, principalmente, na qualidade da educação. Para a professora Leila Iannone, o aumento da qualidade depende de quatro variáveis: a formação básica dos professores, que deve ser continuada; políticas públicas de longa duração, para que haja um prosseguimento das questões fundamentais; maior investimento na escrita e na leitura; e a participação das famílias na escola, para que os pais participem da vida escolar de seus filhos, criando uma cumplicidade nos compromissos.

A melhoria qualitativa da escola passa por outro âmbito, dizem os membros da mesa: o aspecto cultural exerce uma grande importância para a formação dos alunos. Zoara aponta que a presença dos pais nas atividades escolares pode contribuir para a elevação cultural de seus filhos. “As escolas devem ser abertas aos pais para que eles possam se apropriar culturalmente do espaço”, diz.

O secretário municipal da Educação concorda e complementa que as escolas devem envolver as comunidades, e os alunos devem permanecer por mais tempo no ambiente educacional. “Há uma incoerência no município: a infra-estrutura da maioria das escolas é boa, o orçamento para educação é suficiente, os professores muitas vezes são os mesmos que os da rede privada e, mesmo assim, o resultado que temos não é satisfatório”, apontou ele, que acredita que a explicação está na falta de atividades pedagógicas exercidas pelas crianças quando saem da escola.

Adaptar o ensino à realidade dos estudantes é outra preocupação. Carlos Alberto Emediato destacou que o sistema de ensino é defasado. “A escola foi construída para uma criança que não existe mais, os esforços de hoje se alocam em função de uma visão ultrapassada”, criticou.

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