| Por Alexandre Saconi, do Aprendiz | Atuar na prevenção e combate ao racismo por meio da oferta de acolhimento, atendimento e encaminhamento jurídico e psicossocial para casos denunciados de discriminação. Esse é o principal objetivo do Centro de Referência de Combate ao Racismo, da Comissão Municipal de Direitos Humanos (CMDH) de São Paulo (SP), inaugurado na última sexta-feira, 20 de março.
Criado pelo decreto 47.897, o Centro de Referência também prevê a verificação e atuação em casos de racismo registrados pela mídia e a busca de parcerias, convênios e cooperação com demais órgãos e entidades de direitos humanos, que atuem na capital paulista.
O Centro conta com a parceria a Secretaria Municipal de Participação e Parceria da prefeitura de São Paulo. A gestão do Centro será feita pela Coordenadoria dos Assuntos da População Negra (CONE).
Segundo o presidente da CMDH, o secretário especial de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo, José Gregori, a iniciativa enriquece o trabalho que já vem sendo desenvolvido. “A ação possibilitará o desenvolvimento de trabalhos de pesquisa e conscientização em direitos humanos com o recorte de prevenção e combate ao racismo, inserindo cada vez mais os direitos humanos nas políticas públicas da prefeitura de São Paulo".
Para Gregori, mesmo com as reações radicais sendo cada vez mais raras atualmente, ainda é preciso atenção ao racismo velado. “A pessoa não vai dizer ‘Não contratamos negros’, mas ainda há uma tendência nesta atitude. Daí a importância da criação do centro”.
O secretário ainda afirma que instituições como a Fundação Palmares e a Secretaria de Participação têm cumprido seu papel. Com isto, a CMDH vem para acrescentar, “sempre com uma mentalidade construtiva a toda esta luta histórica”, diz.
21 de março
A escolha da data do lançamento ocorreu para lembrar o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.
Em 21 de março de 1960 o exército da África do Sul, ainda sob o regime do Apartheid, abriu fogo contra 20 mil negros que protestavam de maneira pacífica contra a lei de passe na cidade de Johanesburgo, capital do país. A lei obrigava os negros a portarem cartões que controlavam a circulação no espaço público.
No total, 69 pessoas foram mortas e 186 ficaram feridas. O acontecimento ficou conhecido como o Massacre de Shaperville, nome do bairro onde ocorreu a manisfestação. Em 1969, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data como Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.
Serviço
O Centro de Referência de Combate ao Racismo está localizado no Páteo do Colégio, 5 – Centro, São Paulo (SP). Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. (Envolverde/Aprendiz) |