20/02/2008

Software livre gera independência e economia

Por Julia Dietrich, do Aprendiz

“O mais importante do software livre é a sua essência. Ele surge da filosofia do compartilhamento e distribuição livre do conhecimento. É uma mudança cultural que troca a idéia de ganho mercantil pelo ganho social”. A afirmação do gestor da Casa de Cultura Tainá – organização que trabalha com projetos de acesso à informação em Campinas (SP) e participou do Campus Party – , Robson Bomfim, aponta, grosso modo, a importância dos programas de código aberto (conhecidos como softwares livres) e sua inserção na sociedade.

Segundo a Wikipedia, enciclopédia virtual colaborativa, um programa é livre quando o usuário tem a liberdade de executá-lo para qualquer propósito, a liberdade de estudar seu funcionamento e adaptá-lo conforme as necessidades, além de garantir que seu aperfeiçoamento seja liberado para toda a comunidade. Desse modo, todos se beneficiarão do programa alterado e poderão, por sua vez, também realizar novas modificações.

Com apenas o gasto de um CD ou DVD virgem, o usuário pode, por exemplo, baixar o programa em código aberto e alterá-lo conforme suas necessidades, sob a licença de compartilhamento da Creative Commons. “O software livre está essencialmente ligado à idéia de redes de conhecimento. Todas as modificações nele feitas podem ser realteradas por novos usuários e assim por diante”, explica Bomfim.

A experiência do uso dos programas tem dado tão certo que o governo federal brasileiro, por exemplo, adotou sua utilização como política de Estado, fazendo com que diversos de órgãos públicos dispensassem os softwares das grandes empresas de informática.

Segundo os militantes da tecnologia aberta, ao adotar o software livre como política pública, o Brasil intensifica sua soberania frente às grandes corporações, além de economizar significativamente. Em 2007, por exemplo, o Banco do Brasil afirmou ter 75% do seu parque tecnológico ligado ao sistema operacional GNU/Linux e, desde que a instituição adotou o sistema, a economia foi de R$60 milhões. O Metrô de São Paulo economizou R$ 1.737.450 com a não contratação de licenças de uso de sistemas de banco de dados pagos.

Tradicionalmente, as tecnologias de programação sempre estiveram nas mãos de grandes empresas, como por exemplo, as norte-americanas Microsoft e Apple. Por isso, para que um usuário tenha acesso a determinado programa de edição de texto, como o Microsoft Word, é necessário que ele pague uma licença de uso e compre as atualizações feitas no software. Segundo o portal Webinsider, o preço marcado para o ano passado do pacote do Office Professional 2007 era de R$ 1.200 e sua atualização custava R$ 790. Logo, se o usuário não paga as licenças e faz uso do programa, sua conduta é automaticamente considerada ilegal, chegando em alguns países à pena de prisão.

Sobre a qualidade técnica do Software Livre, Bomfim garante que é indiscutível. “A partir do momento que o programa pode ser adaptado conforme as necessidades do usuário, a tendência é que ele se torne algo que dialogue diretamente com as comunidades e suas especificidades”, explica.

Por isso, a adoção do Software Livre em governos aumenta gradativamente. Além do Brasil, a França firmou importante acordo no uso de programas de código aberto e vários países da América Latina já indicaram interesse em replicar as mesmas políticas. A Rússia declarou recentemente que em 2009 todas as escolas de ensino básico do país estarão equipadas com programas livres de edição de texto, edição de imagem e jogos educativos.

Bomfim salienta a importância do software livre como uma ferramenta educacional. “Trabalhar com a possibilidade de alteração do programa e a constante possibilidade de seu compartilhamento são experiências de aprendizado”, avalia.

Como a comunidade brasileira envolvida neste tipo de programação cresce constantemente, o maior evento de informática já realizado no país tem uma área de programação inteiramente dedicado ao Software Livre. Entre os palestrantes ilustres, esteve presente para conversar com os ‘campuseiros’ o papa desta tecnologia, John “Maddog” Hall. “Tipos de iniciativa como esta e a grande participação das pessoas só nos demonstram como é importante a idéia do compartilhamento. Para todos os envolvidos, nos seus diferentes setores e áreas de trabalho, a troca do conhecimento e o desenvolvimento de redes de informação são fundamentais”, conclui o professor de química da rede pública e agente multiplicador de Tecnologia Educacional em Gravataí (RS) Alexandre Soares.
(Envolverde/Aprendiz)

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