18/10/2007

Sociedade organizada em rede garante melhoria na educação

Por Karina Costa, do Aprendiz

Envolvimento de gestores municipais, universidades, diretores de escola, professores e comunidade. Essa articulação em rede garantiria uma mudança no quadro educacional atual, segundo a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda. Ela participou do Seminário Gestão Municipal de Educação, da Semana Vitor Civita de Educação, que acontece em São Paulo, entre os dias 15 e 18 de outubro.

"Nossa realidade é de universidades descoladas da vida real dos gestores; de conselhos municipais de educação que não funcionam com responsabilidade e de 45% dos diretores de escolas escolhidos por indicação política", critica Lacerda. "Não adianta cobrar do ministro um compromisso com educação se não há o envolvimento da sociedade. As ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) demandam participação social, para que não deixem de existir quando houver troca de governo", aponta Lacerda.

Para que a comunidade se envolva nesse processo, Lacerda explica que uma das diretrizes do plano visa explicar e discutir com as famílias o que é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "Dessa maneira há mais possibilidades de a comunidade acompanhar e cobrar resultados positivos das escolas em que seus filhos estudam".

Tal ação é importante, segundo ela, pela própria realidade educacional dos familiares responsáveis pelos alunos. "A vivência escolar dos pais é pequena. São mais de 40 milhões de adultos que não terminaram nem a quarta série". Lacerda lembra que uma pesquisa feita no Brasil demonstrou que a insatisfação dos pais perante as escolas acontece quando não tem aula. Do contrário, mostram-se satisfeitos. "A participação dos pais na vida escolar dos filhos não é qualificada. Eles ainda desconhecem esse universo."

Ela conta que muitos dos problemas educacionais de hoje se devem ao fato do foco de trabalho nem sempre estar no aluno. "Há anos a escola está articulada em cima das necessidades do professor. Se a escola tivesse foco no aluno, não teríamos experiências tão ruins hoje. Nos anos 80 e 90 o professor já chegava na escola sabendo o que iria ensinar, sem ao menos procurar conhecer os alunos, de onde vem, como raciocinam e sua cultura. Isso precisa ser modificado e o papel do gestor é grande nessa discussão".

Apesar da crise educacional, Lacerda comenta que tem se deparado em todo o Brasil com boas práticas de educação. "Conheci muitas escolas com diretores engajados e articulados com a comunidade, professores que se esforçam e crêem no desenvolvimento do aluno e escolas com projeto pedagógico consistente. Isso não vem do nada. São gestores que não se limitam a discursos pedagógicos ultrapassados. Esse trabalho feito em rede significa garantir escolas de qualidade para todos".
(Envolverde/Aprendiz)


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