Sesi e Unesco avaliam alfabetização de jovens e adultos
Os 300 mil alunos do programa Brasil Alfabetizado atendidos pelo SESI (Serviço Social da Indústria) em 2005 obtiveram bom desempenho em leitura e escrita, avaliado ao longo do processo de alfabetização. É o que aponta o Sistema de Avaliação de Competências, pesquisa do SESI e da UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Os alunos se saíram bem em oito das nove competências medidas pelo estudo, tendo média mais alta (70,2%), na habilidade de identificar e nomear as letras, distinguir letras maiúsculas e minúsculas e diferenciar os diferentes tipos de letras (manuscrita ou impressa). A média mais baixa se referiu à capacidade dos alunos de selecionar informações em manchetes, jornais e revistas e compreender ou interpretar textos não-literários.
A pesquisa também verificou o desempenho dos alunos em habilidades matemáticas. Das oito competências avaliadas, os alunos do SESI tiveram médias superiores a 50% em seis delas. O melhor resultado (71,7% de acertos) foi a capacidade dos alunos de conhecer as grandezas de tempo e comprimento e os processos de medidas delas. A média mais baixa (46,2%) foi verificada na capacidade de usar e identificar números decimais para a representação de comprimentos e quantias de dinheiro.
A avaliação dos alunos utilizou dois métodos complementares, que incluem uma avaliação aplicada a toda a amostra selecionada no momento da conclusão do curso. Foram igualmente realizadas avaliações em diferentes momentos em uma sub-amostra dos alunos (entrada, 60 dias, 120 dias e no final do curso), para aprofundar o entendimento sobre o desenvolvimento das competências pelos alunos.
“O ineditismo desse processo de alfabetização foi poder verificar, por meio da avaliação de entrada, que os alunos ao iniciarem o programa dominavam diferentes habilidades. Já sabiam, por exemplo, identificar as letras do alfabeto e associar palavras a desenhos”, afirmou Mariana Raposo, gerente executiva da Unidade de Educação do Departamento Nacional do SESI. O Sistema de Avaliação de Competências é baseado num relatório do International Literacy Institute em cooperação com a UNESCO, e já foi aplicado com sucesso na China, Índia, México e Nigéria.
“É interessante observar que, assim como na primeira avaliação do Projeto, publicada em dezembro de 2005, os alunos apresentam facilidade em formalizar conhecimentos matemáticos adquiridos no cotidiano. Demonstram que desenvolveram, ao longo da vida, as estruturas necessárias o raciocínio matemático básico,” apontou Eduardo de São Paulo, Oficial de Projetos da UNESCO e Coordenador do Estudo. “Este dado confirma o que havia sido identificado no estudo anterior, permitindo ainda compreender como se dá o processo desta formalização,” concluiu.
O Projeto SESI – Por Um Brasil Alfabetizado atendeu 300 mil alunos com mais de 15 anos em 2005, em 734 municípios, por meio de 26 dos seus Departamentos Regionais. O Projeto tem a missão de promover ações de alfabetização contextualizadas à realidade do aluno, apoiadas na responsabilidade social da indústria, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e a superação de desigualdades sociais, econômicas, de etnia e de gênero. Atenderam assim a diversas populações, algumas com características que as diferenciam, como de portadores de necessidades especiais e trabalhadores rurais de áreas canavieiras.
Grande parte dos alunos (41,1%) disse que queria se alfabetizar porque acreditam ser importante para o trabalho ou importante para progredir na vida. Cerca de um quarto dos alunos respondeu que a alfabetização é importante para ser independente ou que é uma obrigação de todo cidadão.
Aproximadamente 64% dos alunos atendidos eram do sexo feminino. Sessenta e dois por cento declararam-se pardos, mulatos ou negros. Dos alunos avaliados, 38,2% tinham freqüentado algum curso de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental e 33% haviam passado por cursos de alfabetização de adultos. Apenas 23% jamais tinham freqüentado algum curso.
Do total, 13,1% eram aposentados e 50,3% trabalhavam quando foram avaliados. Trinta e cinco por cento dos alunos trabalhavam como domésticos ou se dedicavam à agropecuária, pesca e extrativismo (19,6%). Somente 6,6% dos alunos eram ligados ao setor industrial.