SESI e SENAI apresentam ações de EaD durante a 22ª Conferência Mundial do ICDE
Foi-se o tempo em que diploma universitário era garantia de emprego e vida estáveis.
Em um mercado cada vez mais competitivo, qualificação profissional é a palavra-chave na hora de definir uma vaga. Os obstáculos para se adquirir esse diferencial não são mais intransponíveis, graças à tecnologia que possibilitou, principalmente, a redução das distâncias. Hoje quem tem acesso a um computador pode participar de cursos de graduação, especialização ou de mestrado em instituições de dentro e fora do País. É a educação a distância, que ganha cada vez mais espaço no Brasil e no mundo. O modelo de ensino que dispensa a sala de aula será debatido na 22ª Conferência Mundial de Educação Aberta e a Distância (ICDE), que ocorrerá de 3 a 6 de setembro e reunirá mais de mil educadores de 40 países no Rio de Janeiro.
Propostas inovadoras para melhorar a educação a distância serão apresentadas aos principais pesquisadores, acadêmicos e educadores do mundo. Entre as experiências estão sete trabalhos do Serviço Social da Indústria (SESI) e 11 projetos da Rede SENAI de Educação a Distância, desenvolvidos pelos Departamentos Regionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) dos estados da Bahia, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. São trabalhos que têm por objetivo o aprimoramento das técnicas de implementação dos cursos de educação a distância e que visam à inclusão social, como é o caso da Bahia e do Paraná. Os dois estados desenvolveram propostas para garantir a inserção de pessoas com deficiência auditiva no mercado de trabalho e na sociedade. Os projetos tiveram uma turma piloto e são voltados para o estudo da Língua Brasileira de Sinais - Libras.
Além de mostrar projetos, a Rede SENAI de Educação a Distância estará com um estande montado para divulgar as ações existentes, seja em aperfeiçoamento profissional, cursos técnicos ou cursos de pós-graduação. No segundo dia da conferência, a diretora de Operações do SENAI, Regina Torres, fará uma palestra mostrando a importância e o desempenho da instituição no País. Pelo SESI, participará a gerente-executiva de Projetos Estratégicos do SESI, Mariana Raposo, que apresentará diversas experiências de educação a distancia desenvolvidas pela entidade.
De acordo com a diretora Regina, a Rede SENAI teve uma contribuição importante na educação a distância, a partir do desenvolvimento de soluções para a área. Nove estados oferecem produtos cada vez mais diversificados. ?Fazemos uma análise criteriosa do público que queremos atender. Além disso, oferecemos soluções específicas para as empresas, desenvolvendo as propostas dos cursos e capacitando o pessoal para sua execução?, reforça.
No que diz respeito à participação expressiva do SENAI na 22ª Conferência Mundial de Educação Aberta e a Distância, a diretora acredita que a Rede dará uma demonstração dos avanços obtidos na área ao longo dos anos. Reflexo do amadurecimento do trabalho, que é evidenciado com uma produção mais intensiva e rigorosa. ?Espero que o SENAI seja reconhecido internacionalmente como agente transformador e também como o responsável pelo desenvolvimento e busca de excelência no processo de educação a distância?, conclui a diretora.
Já a professora Mariana Raposo, do Departamento Nacional do SESI, explica que a entidade desenvolve, em vários estados brasileiros, projetos pioneiros de educação a distância, que vão desde processos educativos para jovens e adultos (ensino médio e fundamental) até linhas de atuação em educação a distância específicas para a área de saúde, como o caso da Educação Continuada em Segurança e Saúde no Trabalho ou do curso de Prevenção ao Uso de Álcool e outras Drogas no Ambiente de Trabalho, desenvolvido em parceria pelo SESI e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Estados como o Mato Grosso e Ceará, por exemplo, realizam projetos voltados para inclusão digital por meio de Unidades Móveis, que levam as possibilidades das novas tecnologias a localidades mais distantes.
ANTES DA INFORMÁTICA - A história da educação a distância é anterior à informática. Começou com a utilização do correio para o envio de textos, vídeos e fitas-cassete. Segundo historiadores da Universidade de Caxias do Sul, as primeiras experiências de educação a distância no Brasil datam do final do século 19, com a realização de um curso de datilografia oferecido por meio de um anúncio de jornal. A institucionalização da educação a distância ocorreu na década de 70, com a criação dos Centros de Ensino Supletivo (CES). Em 1996, devido ao aumento das demandas educacionais do país, o governo federal incluiu o artigo 80 na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) - Nº 9.394/96, e assim, efetivou os processos de ensino que não utilizavam a sala de aula.
De lá pra cá, muitas transformações ocorreram, impulsionadas principalmente pelo uso da Internet na realização das aulas. Com isso, o número de cursos disponíveis no país é cada vez maior. Dados do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (Abraead), formulado a partir de uma pesquisa realizada em 2005 pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), mostram que entre os anos de 2001 a 2004 o número de cursos a distância cresceu 600% no país.
De acordo com a pesquisa, a quantidade de cursos superiores de graduação, seqüencial ou pós-graduação a distância, passou de 11 em 2001 para 77 em 2004. O crescimento elevado é reflexo do aumento na procura por estes cursos que, só no ano passado, foram responsáveis pela formação de mais de um milhão de pessoas, segundo o Abraead.
A Conferência Mundial é promovida pelo Conselho Internacional de Educação Aberta e a Distância (ICDE) e pela ABED. É realizada a cada dois anos, com a participação de conferencistas de renome internacional na área de educação a distância, com apresentações técnicas em aspectos relevantes da educação a distância, da educação flexível e da educação baseada em TIC - Tecnologia da Informação e da Comunicação.