Servidores encerram greve
Por Renato Marques
Após mais de três meses de paralisação, técnicos-administrativos voltam ao trabalho nesta quinta-feira (1º). Professores seguem em greve.
Depois de 106 dias de paralisação, chega ao fim hoje a greve dos servidores técnico-administrativos das instituições federais, comandada pela Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras). Seguindo indicação do comando de greve, as assembléias de base votaram a favor do encerramento do movimento. Sendo assim, os mais de 100 mil trabalhadores ligados à entidade retomam suas atividades normais nesta quinta-feira.
A greve da Fasubra começou no dia 17 de agosto passado, em 41 universidades federais e três universidades estaduais (Unicamp, Estadual do Rio e Estadual Paulo Sousa de São Paulo) onde está a base da entidade, com 120 mil técnicos administrativos. "A maioria das entidades acatou a orientação do comando e votou pelo fim da greve. Dessa forma, a base de trabalhadores da fasubra retorna ao trabalho hoje", confirma a coordenadora de educação da Fasubra, Léia de Souza Oliveira.
Nas últimas semanas, no entanto, o movimento vinha apontando sinais de esgotamento. Sem avanços nas negociações com o MEC (Ministério da Educação), o movimento parecia enfraquecer - até o último sábado, 15 instituições já haviam decidido retornar ao trabalho. Até ontem, quando foi aprovado o fim da paralisação, apenas os servidores de 17 universidades federais permaneciam de braços cruzados.
A greve chega ao fim, no entanto, sem grandes motivos para comemorar. Não há consenso na Fasubra quanto aos resultados junto ao ministério. Da mesma forma, nem mesmo a decisão do comando de encerrar a paralisação foi unânime entre os associados. Algumas assembléias ainda questionaram a decisão.
"Não há uma visão unânime acerca do desfecho da greve. O comando avalia que não fomos atendidos, mas não é unanimidade na greve", complementa Léia. De acordo com a coordenadora, embora o MEC tenha garantido os recursos para a implantação da segunda etapa do plano de carreira dos servidores.
Segundo informações do MEC, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aprovou este ano o plano de carreira para os técnicos administrativos das universidades federais, que implica em recursos adicionais de R$ 1,9 bilhão na folha de pagamento, parcelados em quatro anos. Ainda segundo o ministério, em 2006, o MEC vai aumentar em R$ 255 milhões a folha de pagamento desses técnicos.
Professores seguem de braços cruzados
A greve dos docentes das federais, no entanto, não tem previsão para terminar. Segundo o Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), as negociações recrudesceram e a situação é difícil. A greve dos professores já dura 91 dias.
"Nós ainda estamos em greve. O governo se comprometeu a criar um Projeto de Lei, garantido o reajuste para a categoria, mas até agora nada aconteceu. Não sabemos qual é o teor do projeto. Enquanto não soubermos, não há discussão sobre saída da greve", afirma o vice-presidente do Andes, Paulo Marcos Borges Rizzo.