09/07/2015

Senai no Paraná tem em 2015, 328 pessoas com deficiências em suas escolas

Aluno surdo é formando e TCC é desenvolvido a partir de suas dificuldades

O Senai no Paraná tem matriculadas 328 pessoas com deficiências em suas escolas em 2015. O número, correspondente ao período de janeiro a maio deste ano, é apenas um dos índices do Programa Senai de Ações Inclusivas (PSAI). No ano passado, o total de pessoas com deficiências matriculadas era de 766.

Instituído pelo Departamento Nacional do Senai em 2001, o programa está implantado em todas as escolas do Senai no Paraná.  Além de solicitações espontâneas para capacitação profissional de pessoas com deficiências, o PSAI atende também ao setor industrial em pedidos de capacitação para contratação, em cumprimento ao artigo 93 da Lei nº 8.213/91.

Atuação abrangente

De acordo com Jocimara Alves, responsável pelo PSAI, o objetivo do programa é promover o acesso e a inclusão, em cursos regulares, de pessoas com necessidades educativas especiais, contemplando todas as adequações necessárias às singularidades apresentadas por pessoas com deficiência e idosos, além de expandir o atendimento a negros e índios em comunidades quilombolas e aldeias, e também oportunizar acesso às mulheres em cursos estigmatizados para homens, e vice-versa.

Segundo Jocimara, a atuação do programa é bastante abrangente, na medida em que “procura alcançar todas as pessoas que por algum motivo enfrentam restrições sociais, sob o enfoque de combate à desigualdade e à exclusão, oportunizando capacitação profissional em igualdade de condições”.

Neste contexto, o número total de pessoas matriculadas em todas as vertentes (raça, etnia, gênero e idosos) até maio deste ano, é de 152.974, sendo que em 2014, foi de 386.692 matrículas.

Desafios da inclusão

Rodrigo Biernaski tem 19 anos e acaba de concluir o curso Técnico em Eletrotécnica na unidade de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.

Com deficiência auditiva, o jovem iniciou o curso em 2013 por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Contar também com o PSAI foi para ele uma alternativa que trouxe muitos benefícios. “Se não houvesse o programa, as adaptações de conteúdo não seriam possíveis, não teria o intérprete e não conseguiríamos apoio para desenvolver o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)”, afirma Rodrigo.

Baseados nas dificuldades de Rodrigo, ele e os colegas de equipe de TCC desenvolveram um protótipo que avisa e orienta pessoas surdas nas escolas e no ambiente de trabalho, com relação aos horários de entrada, saída e intervalos. A invenção também emite alarmes visuais e sonoros em caso de incêndio.

Sem terem encontrado aparelho similar no mercado, os alunos inventores estão agora com os olhos no futuro.  “Quem sabe conseguimos tornar o projeto comercial, facilitando a vida de alunos surdos?”, propõe Rodrigo.

Projeto inovador

Para o professor orientador dos estudantes, Celso Wolski, os planos da equipe são viáveis. “É um projeto inovador, por isso o submetemos ao Programa Inova Senai e Sesi 2015. Sendo aprovado, teremos efetivo financeiro para as adequações e a possível colocação do produto no mercado”, diz.

O Prêmio Inova Senai e Sesi foi criado para desenvolver a capacidade empreendedora, a criatividade e o raciocínio lógico por meio da sistematização de projetos de inovação elaborados por alunos, professores, técnicos e consultores dos Departamentos Regionais em todo o Brasil.

“A deficiência não é e não pode ser vista como um fator impeditivo e de alienação da pessoa no meio educativo onde está inserida. Deve ser um ponto de partida para uma junção de forças e apoios educativos que orientem e integrem todos os estudantes e profissionais num contexto de diversidade e respeito e valorização das diferenças”, assegura Stephanie Freires Bastos, do PSAI em Campo Largo.

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