28/08/2007

Seminário internacional aponta Work-Based Learning como uma alternativa de formação superior

O Núcleo de Inteligência Coletiva Aplicada à Educação - Nice vai realizar, no dia 5 de setembro, o I Seminário Internacional de Aprendizagem pelo Trabalho, onde serão abordados assuntos importantes para disseminar no Brasil o conceito de Work-Based Learning (aprendizagem pelo trabalho). O evento dará ênfase à necessidade de estruturação e desenvolvimento de novas alternativas e oportunidades de aprendizagem para adultos trabalhadores.

De acordo com Carmem Maia, coordenadora do Nice e pesquisadora do London Knowledge Lab da Universidade de Londres, o seminário vai apresentar sugestões de como esta metodologia pode ser aplicada como alternativa para o atual modelo de educação superior on-line que vem sendo desenvolvido no Brasil, tanto nas Universidades Públicas e Privadas, como nas Universidades Corporativas, com a importante participação dos gestores de RH.

Entre os grandes nomes confirmados para o evento está o professor britânico Michael Eraut, um expert em Work-Based Learning no Reino Unido. Lá, o conceito de Work-Based Learning surgiu, há pelo menos 20 anos, para designar diferentes alternativas de ampliação do acesso da classe trabalhadora ao ensino superior, desde a acreditação da experiência profissional anterior do aluno (prior experience learning) até programas de mestrado e doutorado realizados no ambiente de trabalho.

No Brasil, o Work-Based Learning ainda é confundido com e-learning. A grande diferença, no entanto, é que na Educação pelo Trabalho, o próprio trabalho e o seu ambiente são utilizados como case e como metodologia e programa de aprendizagem. Sendo assim, o WBL é muito diferente do e-learning, cujo modelo ainda está baseado no formato do curso superior tradicional, no delivery de um conteúdo e atividades prontas.

Para os apoiadores do Work-Based Learning, a idéia de "separar" o momento de aprender e de trabalhar está com os dias contados. Até porque, a experiência de aprender está cada vez mais presente na vida de todos e fica cada vez mais difícil separá-la das atividades cotidianas. "Todos sabemos que aprendemos enquanto fazemos, o que torna a aprendizagem muito mais reflexiva, significativa e motivante", comenta Carmem Maia.

Para Carmem, que vem pesquisando o tema há dois anos nas universidades do Reino Unido, o ensino superior brasileiro é ainda preconceituoso e extremamente conservador se comparado com o resto do mundo. "Um país como o Brasil não pode se dar ao luxo de definir um padrão ou modelo de ensino e não oferecer outras alternativas de aprendizagem", argumenta.

Baseando-se nessa realidade, o Nice pretende promover seminários nacionais e internacionais sobre novas alternativas e oportunidades de aprendizagem, diferentemente daquelas adotadas pelo ensino superior tradicional. "Será uma maneira de criar possibilidades de formação para públicos diversos", afirma Carmem Maia.

Serviço:

I Seminário Internacional de Aprendizagem pelo Trabalho

Dia: 05/09/2007


Hora: Das 8h30 às 12h.

Local: Auditório do CIEE - Rua Tabapuã, 540. Itaim Bibi.

Michael Eraut: É representante da corrente anglo-saxônica dos processos de aprendizagem não-formais e um dos principais pesquisadores britânicos no campo de aprendizagem pelo trabalho e como os profissionais aprendem em ambientes de trabalho.

Sua pesquisa demonstra que a aprendizagem, em geral, acontece informalmente durante o trabalho e poderia ser aproveitada como aprendizagem, desde que entendida e supervisionada por uma instituição acadêmica. Ele defende que o reconhecimento dado pelo mercado de trabalho é muito mais importante que a certificação formal das competências.

Michael Eraut tem prosseguido mais assiduamente na pesquisa em work-based learning, conhecimento tácito e na natureza do conhecimento profissional. Em especial, na última década, ele tem liderado diversos projetos de pesquisa focados na aprendizagem dentro do ambiente de trabalho, o que tem produzido evidência considerável a respeito da supremacia do aprendizado informal no local de trabalho e dos fatores que o afetam.

Eraut é coordenador do Projeto LINEA – Learning in Nusing, Engineering and Accountancy (Aprendizagem em Enfermagem, Engenharia e


Carmem Maia: Coordenadora do NICE e Pesquisadora do London Knowledge Lab da University of London. Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi Diretora de ensino interativo da Universidade Anhembi Morumbi no período de 1990 a 2002.

Há três anos é pesquisadora do London Knowledge Lab da Universidade de Londres nas áreas de criatividade, inovação em novas tecnologias e novas metodologias aplicadas ao ensino superior. Sua pesquisa atual está centrada na área de educação pelo trabalho.

Carmem Maia também é autora de diversos livros na área de educação à distância e acredita que a aprendizagem é um processo interno, que é preciso ser desperto e entendido para ser assimilado e aproveitado.


Informações: (11) 5561-0623 / contato@percreare.com.br



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