Seminário discute no Paraná as escolas itinerantes do MST
Por Redação Nota 10
Um seminário que teve início nesta segunda-feira (05), em Faxinal do Céu, promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Paraná e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), discute as escolas itinerantes do movimento. O evento conta com a participação de aproximadamente 400 pessoas, entre educadores das escolas itinerantes e coordenadores dos acampamentos do MST de todo país, além de intelectuais da educação, como o professor da Unicamp, Luiz Carlos de Freitas.
Com o lema "Escola Itinerante: um marco na história, poder estudar nela para nós, é uma vitória", o objetivo central da atividade é conhecer a história da escola itinerante e sua contribuição para a educação brasileira. Também serão levantadas propostas para o aperfeiçoamento da metodologia de ensino dessas escolas e o estreitamento do vínculo com a realidade das famílias Sem Terra, que vivem nos acampamentos.
A primeira escola itinerante foi implantada há 11 anos, no Rio Grande do Sul, após muito tempo de luta do MST por educação nos acampamentos. A escola acompanha o itinerário das famílias Sem Terra, nos acampamentos até o momento da conquista do assentamento. O coordenador estadual do setor de educação do MST, Alessandro Santos Mariano, explica que a escola itinerante surgiu da necessidade dos Sem Terra que, ao se deslocarem para os acampamentos, precisam de uma escola que acompanhe seus filhos. "Em muitos casos, os municípios não querem atender as crianças Sem Terra nas escolas municipais. Quando atendem levam as crianças dos acampamentos para a cidade onde, muitas vezes, sofrem discriminação por professores e colegas que não compreendem o processo organizativo e as causas que levam o Sem Terra a se organizar e a lutar pela terra", ressalta.
A escola itinerante está em funcionamento em sete estados brasileiros; RS, SC, GO, AL, PI, PE e PR. É uma escola pública reconhecida pela LBD (Lei de Diretrizes e Bases), e atende 3 mil crianças e adolescentes, que vivem nos acampamentos do MST.
No Paraná, o projeto foi implantado, em 2003. Atualmente, o estado conta com 11 escolas itinerantes, que atendem 1.500 crianças e adolescentes.
Segundo Mariano, a pedagogia da escola itinerante tem como base as várias dimensões da formação humana. Ao contrário da escola tradicional que considera o saber científico mais importante. "A Escola Itinerante considera este saber fundamental, mas atua também em outras dimensões, com tempos e espaços educativos para desenvolver a formação integral dos sujeitos, como: a convivência, a arte, o trabalho, o lúdico, a estética, a política e a luta", esclarece.
(Envolverde/Nota 10)