02/12/2006

Sem-terra defendem educação para a mudança social no paí

Por Gabriela Noronha e Raquel Mariano, da Agência Brasil

Brasília - "A mudança social no país só vai acontecer através da educação do povo”. Essa foi a conclusão apontada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na 1ª Jornada Estadual de Educação na Reforma Agrária, encerrada quinta-feira (30) em Cascavel (PR).

Durante cinco dias, com o tema Todas e todos os sem-terra estudando, foram debatidas formas de alcançar esse objetivo. Hoje, cerca de 300 jovens e adultos receberam a certificação da Secretaria de Educação de Rio Bonito do Iguaçu (PR), pela participação no projeto Brasil Alfabetizado, do Ministério da Educação.

Educar os jovens à beira de estradas, nas fazendas ocupadas, junto com os acampamentos do MST, é uma das missões das escolas itinerantes. “Elas trazem a possibilidade de crianças, jovens e adultos estudarem no acampamento e os conteúdos a serem trabalhados são relacionados à realidade que eles vivem”, disse Maria Cristina Vargas, do Coletivo Nacional do Setor de Educação do MST.

Ela lembrou que as crianças e jovens dos acampamentos encontravam dificuldades de locomoção para as escolas das cidades próximas e que geralmente não havia vagas suficientes para atender aos integrantes do movimento.

As escolas itinerantes já funcionam no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Alagoas. Em Pernambuco, a implementação aguarda aprovação e no Piauí, o projeto está em fase de legalização. No total, há 45 escolas em funcionamento, com 350 educadores e 3 mil crianças e adultos entre os alunos.

A primeira delas foi implantada em 1996, no Rio Grande do Sul. O funcionamento dessas escolas se dá em parceria com as secretarias estaduais de educação, que devem fornecer infra-estrutura e material escolar para os acampamentos. Aprovada pelos Conselhos de Educação estaduais, com base na Lei de Diretrizes e Bases, a gestão escolar é autônoma. O estado participa com o investimento, mas não organiza o modelo.

Além da alfabetização as escolas oferecem atividades como oficinas de requalificação para adolescentes que não completaram os estudos. E a comunidade é convidada a ensinar conhecimentos ligados à agricultura e também à cultura.

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