13/07/2006

Seguro educação: uma alternativa para o setor?

Graduação sem riscos

Depois de passar no vestibular, há ainda outra batalha para você vencer: a difícil missão de se manter na universidade, especialmente se ela for particular, por conta da instabilidade do atual mercado de trabalho. Hoje você pode estar empregado e ter condições suficientes para pagar as mensalidades, mas quem pode garantir que isso irá durar até o final do curso? Já imaginou ter que desistir de um sonho na reta final por conta de uma demissão inesperada? Ou ter que trancar os estudos porque o responsável pelo pagamento de suas mensalidades morreu? Ok, estas podem até ser questões extremas, mas também sã o pertinentes e deixam qualquer estudante com a pulga atrás da orelha.

Antes de dar margem para o desespero e reclamar das dificuldades é essencial planejar e se prevenir. E o Seguro Educacional pode ser um apoio fundamental para estas horas difíceis. O estudante de Comércio Exterior da UCS (Universidade Caxias do Sul) Fernando José Dal Ponte, 27 anos, que o diga. Com a morte de seu pai, o universitário poderia ter que abandonar os estudos no segundo ano da graduação. Mas, graças à adesão ao Seguro, Fernando vai seguir até o final com uma bolsa de 100%. "Optei pelo serviço como uma forma de segurança, mas jamais pensei em usufruir os seus benefícios", conta.

Para auxiliar os estudantes com os gastos escolares, o produto cobre as despesas com as mensalidades no caso da morte ou invalidez do responsável pelo pagamento, assistência médica 24 horas em situações de emergência e cobertura de três a quatro meses para as mensalidades em situação de desemprego. Além disso, o seguro pode incluir ainda aulas particulares, transporte às aulas e tratamento fisioterápico.

O Seguro Educacional poderia ser a solução para muitos universitários, porém nem todos sabem de sua existência. Este é o caso de uma estudante de Produção Editorial da Anhembi Morumbi, que não quis ter o seu nome identificado. "Não conhecia o produto. Se eu conhecesse, não precisaria estar abandonando a graduação no último semestre", lamenta. Desempregada há seis meses, ela não tem condições financeiras de pagar as mensalidades atrasadas e nem a re-matrícula para o próximo semestre. "Não sei quando, mas vou ter que começar tudo do zero."

Especialistas relacionam a falta de conhecimento sobre o seguro à cultura securitária no Brasil. "Os seguros, em geral, são pouco divulgados no país e uma alternativa não muito explorada pela população, principalmente no meio acadêmico", aponta o professor de finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Fábio Gallo Garcia. "Esta, porém, seria uma forma de evitar riscos e garantir a formatura de muitos estudantes."

Na opinião da aluna da Anhembi Morumbi, falta, principalmente por parte das instituições de Ensino Superior, a divulgação de alternativas. "Nem todas as universidades se preocupam em divulgar bolsas de estudo, de financiamentos ou até do seguro. A preocupação maior é receber e não dar condições para que os alunos concluam a graduação", aponta.

Fique por dentro

As principais seguradoras comercializam o Seguro Educacional e, em geral, oferecem duas formas de contratação: a individual e a coletiva. A primeira pode ser realizada pelo próprio aluno ou responsável e a segunda pela instituição de ensino. Com poucas variações, os serviços garantem coberturas para morte, invalidez, desemprego e afastamento.

Algumas universidades, inclusive, já aderiram ao plano coletivo. Entre elas a PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), a PUC Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), a UMC (Universidade Mogi das Cruzes) e a UCS - pioneira na implantação do sistema. Neste processo, o seguro pode ser oferecido, automaticamente, para todos os alunos matriculados na instituição ou, ainda, ser opcional. Geralmente, o custo do serviço, que pode variar de 0,5% a 1,5%, já está embutido no valor da mensalidade.

O processo tem acarretado muitos benefícios para a comunidade acadêmica. Para se ter uma idéia, a UCS, em parceria com a Iguatemi Corretora, beneficia, em média, 1.400 alunos por ano, ou seja, 4% dos alunos da instituição. "Destes, 95% são indenizados por conta do desemprego", destaca o sócio diretor da asseguradora Joel Pereira Filho. "Em dez anos, mais de 200 alunos foram beneficiados com bolsas integrais", completa.

Se a sua universidade não oferece o Seguro Educacional, é possível optar pelo sistema individual. Embora nem todas as seguradoras apostem no segmento, esta pode ser uma outra alternativa. A contratação desta modalidade é realizada com base na mensalidade escolar e o custo da taxa pode variar de 1,5% a 2%.

As diferenças das formas de contratação, de acordo com o professor Garcia, são o preço e a praticidade do sistema. "Na modalidade individual os custos são um pouco mais altos, mas ainda acessíveis. Além disso, o aluno terá que se responsabilizar por toda parte de contratação, coisa que no coletivo não é preciso, já que as questões burocráticas ficam por conta da universidade", aponta Garcia.

Custo x Benefício

Quanto antes você aderir ao Seguro Educacional, melhor. Mas, se é viável ou não, só você poderá dizer. Pare e pense: até que ponto isso vai ser favorável para a sua formação acadêmica? Vale lembrar, porém, que o Seguro Educacional vai afiançar um risco, e que você poderá pagar e não utilizá-lo. Ou poderá pagar e receber em dobro. "Eu adoro pagar seguros e não usá-los. Ficaria desesperado de ter batido o carro ou de ter ficado internado só para usufruir os seguros", brinca Garcia. "O custo/benefício está relacionado ao fato de dormir tranqüilo e não se preocupar com aquele evento possível", completa.

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