21/06/2011

Segurança ou paranoia

A que ponto chegamos! No início do ano letivo do 2012, no mais tardar, 72 das 186 escolas municipais de Belo Horizonte só permitirão o ingresso dos alunos a suas instalações depois de eles passarem por um detector de metais. Eles também terão, em caso de dúvida, de se sujeitar à inspeção de suas mochilas. O objetivo é impedir a entrada de armas nos estabelecimentos. Depois da tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, a ideia, que já existia, prosperou. O prefeito de Belo Horizonte sancionou a lei, embora fosse contrário a ela. Em enquete nas escolas, a maioria dos diretores foi a favor do uso de detectores de metais, que serão implantados em escolas com mais de 500 alunos.

Prevê-se que a medida vai causar transtornos, atrasando o ingressos dos alunos. Além de adquirir o equipamento, a prefeitura vai ter de dar manutenção e designar um guarda municipal para assegurar a operação. A iniciativa tem, sem dúvida, um efeito simbólico sobre professores, alunos, funcionários e pais. Mostra que as autoridades estão dispostas a enfrentar o problema da violência nas escolas, e que não olharão o seu custo. No entanto, o sistema precisa ter efetividade. Se não funcionar, a paranoia da insegurança se agravará. A violência na escola vem aumentando. Neste ano, a polícia registrou seis ocorrências com armas em escolas.

A escola deveria ser um local de paz. No entanto, a divisão da sociedade a está contaminando. A desigualdade social do mundo exterior se transporta também para dentro da escola, manifestando-se sob diferentes formas. Ao longo do tempo, foi construído no país um mundo marcado pela exclusão - de gente excluída da sociedade afluente, nas favelas e periferias, e de gente excluída da realidade social, dentro de seus condomínios e carros de luxo. O país vem fazendo um esforço para mudar isso. Mas isso não acontece do dia para a noite. As contradições deverão persistir. E recursos que deveriam ir para a educação, serão dirigidos para soluções paliativas.

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