Segunda, terceira, quarta, quinta chamada...
Por Renato Marques
Acha que foi reprovado no vestibular? Vagas que sobram pipocam por aí.
Quando viu seus resultados no vestibular, Caio César de Araújo Gonçalves, 17 anos, sentiu aquela sensação de 'bola na trave'. Por pouco não havia passado no vestibular das três universidades estaduais paulistas. Ainda assim, não desistiu. Percebeu que sua colocação era boa. Não se deixou abater, acreditou nas chances e... bingo! Acompanhou as listas seguintes (segunda, terceira, quarta chamada) e já garantiu sua vaga no curso de Geologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Para os próximos dias, pode ganhar mais um presente, com a aprovação na terceira chamada da USP (Universidade de São Paulo).
"Até que não fiquei tão mal. É claro que, lá no fundo, bateu um desânimo, mas nada de muito decepcionante. Quando vi minhas colocações nas listas de espera, até fiquei um pouco mais confiante", conta Caio. "Acompanhei todas a chamadas. Uma a uma. Só a USP não divulgou lista de espera junto com a primeira chamada. Aí fiquei um pouco desmotivado, porque achei que não tinha me saído bem na prova. Depois descobri que foi a lista em que eu estava mais bem colocado."
A situação de Caio é um exemplo de que os candidatos não podem - DE JEITO NENHUM! - deixar escapar as listas subseqüentes de aprovados divulgadas pelas faculdades. Definitivamente, o processo seletivo não termina na primeira lista de aprovados. Em linhas gerais, as instituições sempre soltam novas listas, para compor as turmas, ocupando as vagas remanescentes.
"O jovem precisa ficar atento, não perder nenhum prazo. Recomendamos que o candidato monte uma agenda com as datas de cada vestibular. Mas isso não acontece. Aos trancos e barrancos eles vão acompanhando as listas", diz o coordenador do Anglo Vestibulares, Alberto Francisco do Nascimento. "Casos de alunos que deixam de ver as novas listas acontecem com freqüência. Sempre tem alguns mais distraídos, que vivem no mundo da lua."
Não passar no vestibular pode ser ruim. Mas perder a vaga porque estava 'no mundo da lua' e não percebeu que tinha sido aprovado é bem pior, não é? Parece óbvio, mas não é anormal deixar passar alguns detalhes. Por isso, é preciso acompanhar bem de perto o processo seletivo e, fundamental, conhecer profundamente as regras. Normalmente, as grandes instituições são rígidas com seus prazos. Portanto, se você percebeu hoje cedo que a matrícula da segunda chamada terminava ontem, pode ter perdido a chance.
"É preciso que o candidato acompanhe de perto as listas. Ontem mesmo uma menina ligou desesperada porque perdeu uma vaga no curso de Direito por pura distração. Não acompanhou as listas e perdeu a chance", conta a coordenadora do vestibular da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Ana Zilocchi. "Não dá para o aluno perder de bobeira. A instituição não pode alterar suas regras. De maneira nenhuma vamos deixar de chamar o seguinte se o prazo para a matrícula não for cumprido. Se perder, perdeu, não tem volta."
"Cada lugar um lugar, cada lugar uma lei"
Ler, de verdade, o manual do candidato é a primeira regra para qualquer vestibulando. Nele estão detalhadas as datas e, principalmente, o processo de ocupação das vagas remanescentes. Essas normas são decididas internamente por cada instituição. Nas particulares, geralmente, os melhores colocados vão ocupando as vagas abertas até que todas sejam preenchidas. Algumas públicas, no entanto, exigem que o candidato assine uma declaração de interesse para poder concorrer. Se perder essa data, o candidato pode ser o primeiro da espera, mas fica fora da disputa.
"Tive que ir até a Unesp, no meu caso em Rio Claro (SP), e declarar interesse pela vaga. Aí, no mesmo dia, no período da tarde, eles divulgaram os nomes dos candidatos que foram aprovados. Por sinal, esse processo foi muito bem organizado", lembra Caio, que mora em Campinas (SP). "Cada instituição é um caso. Na Unesp, quando sai a lista de aprovados, sai também a de espera. Aí o aluno tem um prazo para declarar o interesse. Na Fuvest, é o contrário", complementa Nascimento.
Vale lembrar que, para evitar decepções, o melhor é tomar as rédeas da situação. Confira suas listas você mesmo. Como o número de listas e a data de divulgação variam de ano para ano, não dá para estabelecer um padrão pelos vestibulares anteriores.
"Algumas vezes, acontecem casos que até a gente mesmo fica chateado. A pessoa delega para alguém acompanhar e, aí, a outra pessoa não está habituada a este tipo de coisa, não conhece o calendário, e não vê", diz Ana, da PUC-SP. "Cada ano é um ano. O número de candidatos chamados varia, não dá para fazer uma previsão de quando vai ser chamado. Tem que seguir, estar junto."
Nem mais, nem menos
Vale lembrar também que ser aprovado nas listas seqüentes não faz ninguém diferente. Em primeiro lugar, porque vestibular não prova inteligência de ninguém. Segundo, porque na universidade o estudante vai começar uma vida completamente nova. Aqueles que antes estavam disputando uma vaga passam a ser colegas, nas mesmíssimas condições. Ninguém é melhor, ou pior, que ninguém porque não passou na primeira chamada.
"Não há diferença dentro da instituição. E isso vale para todos os vestibulares. Muitas vezes o aluno está sendo convocado na segunda chamada e é um excelente estudante", diz Ana. "Às vezes, o candidato pensa que por que passou na última lista de chamada vai ficar em uma turma mais fraca. Mas não tem nada disso, isso não existe. Vai começar uma vida nova dentro da faculdade", acrescenta Nascimento.
Caio, se preparando para o início das aulas, mostra maturidade ao analisar a situação. "Não estou preocupado com nada não. Para mim, o importante foi ter passado, não importa em qual chamada", afirma. "E, pela festa que fizeram lá em Rio Claro no dia em que divulgaram os candidatos que estavam aprovados na Unesp, eu não creio que haverá discriminação. O pessoal de lá foi muito gente boa e educado. Acho que eles não teriam por que fazer isso", finaliza.