Saúde pública é desafio após as cheias
Saiba como proteger-se e evitar problemas
Itajaí/SC – “Passada as cheias, o problema mais crítico relacionado à saúde será enfrentado agora”, diz Arlete Terezinha Besen Soprano, especialista em saúde pública e diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Ela refere-se às doenças provenientes do contato com as águas das enxurradas. Entre as possíveis epidemias estão casos de diarréia, infecções, leptospirose, piolho e tétano, além de possíveis acidentes.
A Univali em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí está coordenando trabalho de assistência em postos distribuídos pela cidade. Equipes com médico e enfermeiro se revezam no atendimento dos abrigos, com kits de medicamentos. Um posto de saúde foi instalado no Bloco 29, do Campus da Univali. Nos locais, mais de 300 voluntários da área de saúde da universidade estão atuando. Eles alertam para cuidados que devem ser tomados mediante o contato com as águas da enchente, principalmente relacionados a alimentos e áreas acidentadas. São eles:
- Todo alimento que ficou submerso ou umedecido não deve ser consumido mesmo que esteja em embalagem plástica;
- Também não devem ser consumidos os alimentos que tenham ficado na geladeira, em locais em que tenha faltado energia, mesmo que sem contato com as águas;
- Para esses alimentos, deve-se observar: alteração de cor, odor ou de consistência, como por exemplo, carne crua muito amolecida;
- É preciso evitar transitar de pés descalços principalmente se houver ferimentos, caso seja realmente necessário, deve-se usar botas ou mesmo calçados fechados com proteção de sacos plásticos.
- Também deve-se proteger as mãos;
- Em caso de ferimentos procure a unidade de saúde mais próxima.
Comidas contaminadas podem causar diarréia
Os casos de diarréia que ocorrem após o período de enchentes acontecem, principalmente, por ingestão de comida ou bebida contaminada (que ficaram imersas durante o período de cheias, por exemplo). A principal recomendação médica, segundo Márcio Vieira Ângelo, coordenador do curso de Medicina da Univali, é que as pessoas com a doença procurem assistência médica nos postos de saúde.
Como medidas paliativas, deve-se beber bastante líquido (água mineral ou fervida) e o soro caseiro. Para fazer o soro é fácil: Para um litro de água, acrescente uma colher (de sopa) de açúcar e uma colher rasa de sal. Essa recomendação serve tanto para crianças quanto para adultos. No entanto, Márcio adverte que é importante procurar a Unidade de Saúde mais próxima para que o município possa catalogar os pacientes e ter controle preciso do número de casos.
Cuidados com água e alimentos
- Antes de utilizar a água, tratá-la com água sanitária, Qboa (hipoclorito de sódio): 2 (duas) gotas de água sanitária para cada litro d’água e somente consumir a água 30 minutos depois da utilização do cloro;
- A fervura da água antes do consumo é uma alternativa segura ao tratamento com cloro e deve ser feita quando água estiver turva;
Leptospirose é uma preocupação após as enchentes
A leptospirose é uma doença transmitida pela urina de ratos contaminados. Os sintomas da doença aparecem em média de sete a 15 dias podendo levar até 30 dias após a exposição à água contaminada. “A água da enchente e a lama podem estar contaminados pela urina principalmente roedores domésticos como ratazanas, ratos de telhado e camundongos, esse contato pode ocorrer durante a enchente ou quando as pessoas retornam à suas casas e iniciam a limpeza e a remoção da lama e outros detritos”, aponta Arlete Terezinha Besen Soprano, especialista em saúde pública e diretora do CCS/Univali. Para esses casos é preciso estar atento para os sintomas de febre, calafrios, mal estar, dores no corpo.
A especialista indica, ainda, que como não há vacinas contra a doença. Em caso de percebidos os sintomas, deve-se procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação e inicio do tratamento. A limpeza da lama residual das enchentes e à desinfecção das casas deve ser feita com solução de água sanitária (hipoclorito de sódio), diluída em água. Essa simples solução mata as leptospiras, diminuindo as chances de infecção.
Além dessas, outras doenças poderão surgir tais como: Hepatite A, Tétano, acidentes com animais peçonhentos (cobras) e mordidas por cães e gatos, caso ocorra deve-se procurar a Unidade de Saúde para orientações e atendimento.
Mais informações: (47) 9963-8960, com Arlete Terezinha Besen Soprano, especialista em saúde pública e diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) ou (47) 9985-1079, com Marcio Vieira Angelo, infectologista e coordenador do curso de Medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).