18/03/2008

São Bernardo do Campo declara-se cidade educadora

Por Julia Dietrich, do Aprendiz

485 locais de atendimento e quase um milhão e meio de beneficiários das mais diferentes idades. Com menos de um ano atuação como cidade educadora, o município de São Bernardo do Campo (SP) já transformou áreas públicas de lazer, escolas municipais e estaduais, universidades e até mesmo empresas e espaços da iniciativa privada em espaços de aprendizagem. “A idéia é que o nosso cidadão, criança, jovem, adulto ou idoso tenha outros espaços de aprendizado na cidade e realize as mais variadas atividades que complementem sua educação formal”, explica o prefeito da cidade, William Dib.

Para garantir que o cidadão tenha acesso aos diferentes equipamentos, a prefeitura organizou uma extensa rede de colaboradores que se organiza para levar as informações ao público. Por isso, o lema adotado pela administração da cidade é a transdiciplinariedade das secretarias, órgãos públicos e parceiros do terceiro setor e da iniciativa privada. “Basicamente, observamos que todos nossos espaços podem oferecer atividades educativas – até mesmo garantindo direitos que já são ou deveriam ser básicos na formação e garantia do bem-estar do indivíduo”, conta Dib.

Em São Bernardo, até os postos e secretaria de saúde colaboram na construção da cidade como ‘cidade educadora’. “Nosso atendimento médico oferece atividades de educação sexual, prevenção contra doenças e espaços de atividades para pessoas com deficiência”, exemplifica o coordenador da Cidade Escola de São Bernardo do Campo, Admir Ferro.

Segundo o coordenador do Grupo Gestor de Projetos Educacionais (GGPE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Perez, que coordenou a pesquisa quantitativa sobre a Cidade Escola de São Bernardo, quase a metade (42,9%) da receita de impostos da cidade é utilizada para financiar a iniciativa. Desse recurso, uma boa parte ainda se destina a capacitar os próprios funcionários públicos na lógica do Bairro-Escola e no desenvolvimento de mecanismos tecnológicos para facilitar a ‘burocracia’ governamental. “Será preciso ainda um tempo maior para que os equipamentos públicos se acostumem com a nova política. Afinal, a prefeitura iniciou um grande projeto que pressupõe, inevitavelmente, uma mudança cultural”, complementa Dib.

É também esse montante que financia, além dos acordos com a iniciativa privada, todas as ações que acontecem na cidade, incluindo exposições e feiras culturais e científicas. “Percebemos uma maior concentração de programas para a infância e não muitos para a juventude. Por isso, o investimento da capacitação de profissionais é fundamental para que novas idéias e programas surjam para atender às demandas dos jovens”, explica Perez.

Para Ferro, é fundamental investir nas formações dos equipamentos públicos, pois, segundo ele, atividades antes impensáveis, tornam-se viáveis. “Temos muita criatividade”, comemora, citando como exemplo, uma parceria da Guarda Civil Cidadã (segmento da polícia municipal) com a Secretaria do Desenvolvimento Social e Cidadania. “Juntos eles desenvolvem um projeto de equoterapia (terapia com eqüinos) para crianças e jovens portadores de deficiência”, conta.

Outra atividade que Perez gosta de ressaltar são as Rondas do Ecomóvel – um programa que orienta os moradores dos bairros da cidade sobre práticas ecológicas. “A partir do momento que a conscientização, cada cidadão se torna um educador ambiental, investindo desde em coleta de lixo até preservação e conservação dos espaços públicos”, conta.

Congresso

Para comemorar e promover a iniciativa, a prefeitura organizou, com apoio da revista ARede e da Associação Cidade Escola Aprendiz, o 1º Congresso Nacional Cidade Escola São Bernardo do Campo que reuniu, entre 13 e 14 de março, seis mil interessados na discussão do conceito de cidade educadora.

O evento teve a presença de representantes do projeto o Centro é uma Sala de Aula, além do educador Braz Rodigues Nogueira e seu projeto para Heliópolis (SP) e do jornalista Gilberto Dimenstein e da coordenadora do projeto OldNet, Izabel Marques, ambos da Cidade Escola Aprendiz. “A troca de experiências é fundamental para levarmos nossas idéias para o país todo e assim, melhorarmos nosso papel como cidadãos”, conclui Dib.

Ontem, dia 13, o prefeito Dib ainda assinou o protocolo de intenção para adesão de São Bernardo à Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE) - entidade criada em 1990 em Barcelona, na Espanha, com o objetivo de implementar projetos e políticas públicas para melhorar a qualidade de vida de seus habitantes e que, atualmente, reúne outros 35 países.


(Envolverde/Aprendiz)

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