15/08/2007

Reunião em Santa Catarina definirá futuro do "Senhor das Pedras"

Especialistas reúnem-se para discutir a prorrogação da portaria que proíbe a caça e pesca do Meros

Itajaí/SC - Reunião que acontece na quarta e quinta-feira, dias 15 e 16 de agosto, no Centros de Pesquisa e Extensão pesqueiras das Regiões Sudeste e Sul (Cepsul/Ibama), em Itajaí, vai discutir a prorrogação da portaria 121/2002, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que proibiu a pesca e comercialização do peixe Mero, conhecido como "Senhor das Pedras", pelo período de cinco anos.

A espécie se tornou o primeiro peixe marinho da história do Brasil a receber um mecanismo legal de proteção. O resultado da reunião será definitivo e torna-se urgente, uma vez que a medida está expirando. A ação faz parte do projeto "Meros do Brasil", que visa a proteção do peixe e dos ambientes marinhos e costeiros em quatro pontos do país e oferece ao Mero, mais chances para garantir sua sobrevivência.

O projeto é patrocinado pela Petrobras, por meio do programa Petrobras Ambiental, e desenvolvido por quatro instituições: Instituto Recifes Costeiros, em Pernambuco, Associação de Estudos Costeiros e Marinhos (Ecomar), na Bahia, Instituto Ambiental Vidágua, em São Paulo e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.

Participam da reunião cientistas especialistas de diferentes partes do Brasil, representantes de universidades, centros de Pesquisas, Organizações não Governamentais (ONGs) e Ibama, além de ambientalistas e pescadores.

"A portaria que espera-se, seja prorrogada, foi fundamental para a proteção do Mero do Brasil e possibilitou que fossem realizados novos estudos sobre a espécie, mas os pesquisadores precisam de mais tempo para a divulgação das informações produzidas e continuidade dos trabalhos iniciados neste período", disse Mauricio Hostim, professor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do mar (CTTMar), da Univali e biólogo responsável técnico do projeto.

A reunião vai avaliar o que já foi feito e as próximas estratégias: "O objetivo é justamente discutir o período de prorrogação, além de apresentar os dados e as pesquisas que foram realizadas durante os cinco anos, para traçar as próximas metas", ressalta o professor da Univali.

O Mero é uma espécie de grande porte, da família Serranidae, a mesma da Garoupa e do Badejo. Ele pode atingir três metros de comprimento, pesar mais de 400 quilos e viver mais de 40 anos. A captura excessiva desta espécie, que ocupa áreas costeiras e apresenta comportamento destemido em relação a presença humana, além da crescente degradação de seu habitat vem resultando em declínios populacionais.

O Mero é altamente susceptível à pesca, pois possui longo tempo de geração, com taxas de crescimento lento e maturação sexual tardia, além de hábitos como os de agregar-se para a reprodução. A continuidade da portaria vai assegurar, além do conhecimento científico, a preservação do Mero e a conservação dos ambientes associados. Atualmente, o Mero está na lista vermelha das espécies ameaçadas de extinção da IUCN (Internacional Union for Conservation Nature) como espécie Criticamente Ameaçada.

Recentemente, o Ibama definiu a espécie como sobre-explotada, devido a sua alta longevidade, maturação tardia e alto valor comercial. Segundo Mauricio Hostim, professor da Univali, todos os setores já se mostraram favoráveis a prorrogação da portaria, inclusive os pescadores.

Mais informações: (47) 3341-7977/9973-6030, com Mauricio Hostins, professor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do mar (CTTMar), da Univali.

Com informações da assessoria de imprensa do Projeto Meros do Brasil

Wagner Mezoni

SC 02740 JP


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