Residência agrária terá 21 novas escolas como parceiros no próximo ano
Os profissionais que integram o Programa de Residência Agrária reuniram-se nessa semana em Brasília para avaliar as ações do primeiro ano do programa e o ingresso de mais 21 novas universidades como parceiros. Assim, a partir de 2006, o programa – realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) – contará com 36 parceiros. Em 2005, foram 15 universidades atuando nos projetos de formação profissional de nível superior para jovens e adultos em ciências agrárias, que estão construindo um curso de pós-graduação, com ênfase em educação do campo.
Os assessores pedagógicos que foram formados no Pronera também estão contribuindo para a formação de técnicos que atuem como educadores do campo e que trabalhem as questões ambientais, organização da produção, sociais, cultural, e institucionais do campo, conforme informa a coordenadora do programa, Mônica Molina.
A monitora Antônia Silva é moradora de um assentamento em Fortaleza (CE) e também foi aluna do curso. Ela explica que se tornou aluna porque existe a necessidade de estudar e se preparar para contribuir na organização dos assentamentos, dos trabalhadores e com a luta pela reforma agrária. “Nós ajudou a pensar e planejar os assentamentos de forma econômica, além da questão do desenvolvimento sustentável dos assentamentos”, afirmou.
Para ela, que teve participação nos cursos do Pronera, o Residência Agrária é importante porque aproxima os estudantes do campo, de uma qualificação mais prática dessa vivência, derruba preconceitos com relação ao assentados, além de criar uma aproximação dos técnicos e estudantes das universidades com os movimentos sociais. “Os estudantes começam a pesquisar e falar sobre aquela realidade dos assentamentos”, analisa Antônia.
A coordenadora geral de Residência Agrária da Universidade Federal do Pará e membro da Comissão Técnico Científico (CTC), Laura Ferreira, garante que o programa reforça um trabalho que ao mesmo tempo privilegia a agricultura familiar, mas também garante a esse técnico a possibilidade de entender a realidade onde está inserido. “Ele dá uma autonomia para que esse tipo de formação aconteça dentro de uma universidade. A proposta do residência agrária é justamente essa, uma proposta diferenciada”, avaliou.
Para o monitor e representante da Universidade Federal de Viçosa e membro da Comissão Técnico Científico (CTC), Willer Ferreira, a interação com os movimentos organizados da sociedade alimenta a universidade de outros procedimentos que historicamente nunca foram feitos. “Quando os estudantes começam a perceber uma outra realidade e exigir de si mesmos que a formação deles se adeque a essa realidade, acontece um movimento inverso que é de abastecer a própria universidade de um outro processo de produção de conhecimento”, explica.
Residência Agrária
O Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), lançou em 2004 o Programa de Residência Agrária para levar estudantes universitários do último período de agronomia, veterinária e outras ciências agrárias a conhecerem a realidade rural de sua região. Juntamente com técnicos de nível superior que atuam nas equipes de Assistência Técnica, Social, Ambiental e de Extensão Rural nos assentamentos da reforma agrária, esses jovens alunos receberão a formação adequada para atuarem em assentamentos antes de ingressarem, efetivamente, na vida profissional.
Os estudantes convivem por seis meses com as famílias, participam de sua rotina, trabalhos e reuniões, passando por um acompanhamento permanente de professores universitários e por técnicos das prestadoras de assistência técnica, que auxiliam na elaboração de um diagnóstico participativo da realidade e um plano de trabalho para os próximos dois anos. Após o período de seis meses, os estudantes formados recebem uma bolsa e são matriculados em um curso de especialização.
Durante dois anos e meio eles trabalham em regime de alternância entre aulas práticas em assentamentos do Incra e teóricas, em sala de aula com enfoque nos eixos de agroecologia, organização da população, pedagogia de terra e desenvolvimento sustentável.