30/01/2009

Rádio do interior de SP é pioneira em tecnologia 100% livre

Por Vivian Lobato, do Aprendiz

 

Diante de todas as discussões que envolvem redes, copyrights, creative commons e softwares livres, a Rádio UFSCar, uma rádio educativa, que opera na freqüência 95,3 FM em São Carlos (SP) e pela Internet, acesse o http://radio.ufscar.br:8080/fm/ chama a atenção. Ela possui um diferencial: foi a primeira rádio brasileira a utilizar 100% de softwares livres em suas operações e na execução de seus programas.



O projeto é da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), coordenado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade, e está no ar legalmente desde agosto de 2007.



De acordo com o diretor artístico da Rádio UFSCar Ricardo Rodrigues, o processo de criação da rádio foi construído colaborativamente. “Discutimos muito entre os estudantes qual seria o formato da rádio e, já que tínhamos tecnologia disponível, optamos por uma rádio digitalizada. Quando começamos a pensar quais softwares utilizaríamos, na hora lembramos dos softwares livres”.

No próprio site da Rádio existe um texto explicando o porquê da escolha do software livre. “A palavra ‘livre’ não diz respeito ao fato de eles serem gratuitos – como, de fato, são –, mas sim à natureza do software e seu processo de desenvolvimento. Esses softwares têm seu código – ou seja, sua composição – disponível para consulta e modificações”.



“A economia financeira não é o objetivo inicial. A troca de conteúdos, o caráter colaborativo sempre veio de acordo com as idéias que já tínhamos na universidade, o software livre veio para completar essa idéia. Ao invés de desenvolver grandes corporações, incentivamos o desenvolvimento local e coletivo”, completa Rodrigues.



Por ser a pioneira no Brasil a operar apenas com softwares não-proprietários, Rodrigues conta que no começo encontraram algumas dificuldades. “Depois de uma extensa pesquisa descobrimos que não existia uma rádio no Brasil totalmente operada por softwares livres.Os programas estavam sendo desenvolvidos quando resolvemos utilizar essa tecnologia. Existia uma carência de informação e pela escassez tivemos que quebrar bastante cabeça”.



O software base que a rádio usa para ir ao ar, para a criação das playlists e organização do acervo é o Rivendell. Já para a edição e gravação de áudio, a emissora utiliza o JACK e o Ardour.



“São muitas as vantagens de utilizar softwares livres. Porque gera pesquisa com certa maleabilidade e um retorno para a sociedade, depois deixa o programa com a cara que você precisa. Além de permitir a otimização da tecnologia e estar vinculado há uma ação muito maior de democratização da comunicação”, ressalta o diretor artístico.



Para Guimarães, entender o diferencial que existe nos softwares livres, é entender a importância de estar aberto. “A partir daí, você começa a utilizar o software de forma política”.



“Escutei na Campus Party deste ano que o Brasil é um  dos países que tem o maior número de desenvolvedores de softwares livres, mas infelizmente o número de usuários ainda é muito baixo.  As pessoas têm medo. Acham que não vão conseguir mexer, preferem o que já conhecem. Não compreendem que é uma linguagem”, complementa.



Educativa, universitária, comunitária e livre



A Rádio UFSCar procura ser uma rádio bem democrática, tendo um caráter além de educativo, universitário, comunitário e livre. “Procuramos sempre divulgar ações científicas, incentivar bandas independentes, artistas locais e criações randômicas”, diz Guimarães.



A programação é bastante eclética. “Rola desde clássico até lançamentos, procuramos atingir o maior número de audiência possível, agradando a todos”.



Por ser uma rádio idealizada por uma universidade, seu caráter estudantil é evidente. “A rádio é um veículo importante na relação da Universidade com a sociedade. O jornalismo da Rádio UFSCar leva até o ouvinte notícias sobre as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas na Universidade e em outras instituições de Ensino Superior e pesquisa de todo o país”.



A rádio também procura ser um espaço aberto e busca desenvolver, em sua grade, especiais que contam com participação da comunidade na proposição e execução de programas musicais e informativos.



“Com mais aproximação, a comunidade participa da rádio de uma forma mais ativa. Fala, atua e se identifica”, lembra o diretor. “Sem dúvida é uma rádio muito interativa em vários níveis. Abrindo espaço e tentando se aproximar dos artistas, da cena independente e ajudando a organizar e divulgar shows e eventos”, completa.

 


Crédito da imagem:www.sxc.hu

 


(Envolverde/Aprendiz)
 
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