Quarta edição da Febrace traz jovens cientistas à USP
Por Olavo Soares
Acontece na USP, entre os dias 21 e 23 de março, a quarta edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). O encontro tem como intenção exibir trabalhos na área científica produzidos por alunos do ensino fundamental (8ª série), ensino médio e ensino técnico de todo o País. Mas, mais do que servir como uma mostra de produções, a idéia da Feira é despertar o interesse para a ciência nos jovens.
No total, serão expostos 207 projetos. Destes, nove serão selecionados e participarão da Intel Isef, feira internacional que ocorrerá em maio, nos Estados Unidos.
“O principal objetivo é que os estudantes aprendam a aprender”, explica a coordenadora da Febrace, Roseli de Deus Lopes, que é professora da Escola Politécnica e vice-diretora da Estação Ciência da USP. A Poli, aliás, será a sede do evento: a Febrace acontece na Tenda de Eventos da Unidade, próxima à administração.
A professora ressalta que, nos dias de hoje, o conceito de pesquisa ganhou uma nova face, principalmente para a geração que se habitua a estudar com a internet. “Existe uma cultura formada que diz que fazer pesquisa é copiar e colar”, critica Roseli. Ela destaca que eventos como a Febrace estimulam o jovem a conhecer ativamente o processo científico, como se dá uma pesquisa, quais passos são necessários no trabalho de um pesquisador. “O jovem precisa aprender a fazer as perguntas corretas, e não esperar respostas prontas”, afirma.
A meta de despertar o gosto pela ciência, talvez a principal da Febrace, atende não só a questão da formação acadêmica, mas também uma tentativa de aumentar a auto-estima dos alunos. “Pesquisas dizem que, depois da questão racial, o que mais faz o aluno sofrer preconceito na escola é ser mais inteligente do que a média! Queremos dar incentivo para o aluno que pesquisa, mostrar que ele pode ser ‘normal’”, cita Roseli.
A Febrace tem trabalho tanto de estudantes de escolas particulares como de escolas públicas. E, se às vezes os alunos de escolas públicas esbarram em dificuldades financeiras – como não ter dinheiro para visitar a Feira ou acesso a materiais adequados para as pesquisas – eles se superam com empenho e criatividade. “E é isso que esperamos. Não queremos trabalhos bonitos, mas que tenham significado, que sejam fruto de um bom trabalho”, explica a professora Roseli de Deus Lopes.
Outro fator fundamental para a importância da Febrace, segundo a professora, é a aproximação entre USP e um público bem variado que ocorre durante o evento. Além dos alunos expositores, há uma grande quantia de pais, amigos e outros estudantes que visitam a Universidade. “A comunidade USP é fundamental para a Febrace. Quando um aluno de fora conhece a Universidade e é bem recebido pelo público daqui, passa a ter mais vontade de conhecer a Universidade Pública”, diz Roseli.
O horário para visitação da Febrace é das 14 às 19 horas, com entrada franca. A Tenda de Eventos da Poli fica na Avenida Professor Luciano Gualberto, Travessa 3, 380, Cidade Universitária, São Paulo.
Mais informações pelo telefone (11) 3091-5430 ou no site da Febrace.