Propaganda: alma da carreira
Vale apostar no marketing pessoal? Veja as vantagens e desvantagens
Não há como negar que ingressar no mercado de trabalho tem se tornado uma tarefa cada vez mais complicada, levando em consideração os crescentes índices de concorrência e de desemprego. Mais complicado ainda é manter-se nele e conquistar aquela tão sonhada promoção - ou mesmo simples reconhecimento. A solução, porém, não é se tornar uma vítima do sistema e se lamentar pela falta de prestígio. Talvez esteja faltando apenas um pouco de visibilidade do seu bom trabalho. Assim, é preciso agir com criatividade e, como diz o ditado popular: "a propaganda é a alma do negócio".
A realidade pode até ser cruel, mas a boa formação e a extensa bagagem profissional não são instrumentos suficientes para vencer a 'batalha' do mercado de trabalho. Em alguns casos, a falta de reconhecimento está ligada à fraca estratégia de marketing pessoal, o que significa que você pode não estar sabendo 'vender o seu peixe' da maneira certa. Especialistas são unânimes quando dizem da potencialidade do marketing pessoal na conquista do sucesso profissional. No entanto, também fazem questão de ressaltar os estragos que pode trazer quando mal utilizada.
A consultora da Career Center, empresa de orientação profissional, Vera Vasconcelos, assegura que tanto os profissionais que não utilizam o marketing pessoal quanto àqueles que extrapolam na dose acabam sendo prejudicados. "O erro mais comum é achar que os resultados falam por si só. Já a turma da overdose acredita no contrario: que só o 'blá-blá-blá' é o suficiente", aponta. "São duas visões distintas, mas ambas equivocadas", completa Vera.
Então, temos de um lado aquele profissional que não tem suas competências e resultados reconhecidos e valorizados por falta de visibilidade. No outro extremo, aquele que acaba sendo taxado de arrogante e, às vezes, de mentiroso por acentuar exageradamente as suas capacidades no ambiente de trabalho. Neste cenário, você deve está se perguntando: "e eu? Como devo me portar?" Pois bem, é aí que nasce o desafio. É preciso ter bom senso e encontrar um meio termo.
Cuidado com as armadilhas
Assim como nem sempre é o maior exército que ganha a guerra, mas sim aquele que melhor usa as suas armas, não é com a "força" que se conquista o sucesso profissional. Pode parecer uma comparação um pouco estranha, mas as regras do mercado de trabalho são similares. Na maioria das vezes, vence o profissional mais hábil, ou seja, aquele que melhor explora os seus recursos. A única diferença é que esta batalha deve ser constante.
O profissional, de acordo como o professor de Comunicação Empresarial e jornalista Walmir de Medeiros Lima, tem que se colocar no mercado como um produto competitivo, visando despertar o interesse das pessoas. "Para isso, é preciso desenvolver objetivos, metas e estratégias". Além disso, Lima garante que é preciso estar constantemente procurando novas possibilidades de melhorias. "O ideal é investir constantemente para que no futuro este investimento se torne lucrativo", afirma.
É lógico que você tem a opção de ser apenas mais um produto na prateleira do supermercado. Porém, se este não é o seu objetivo, o primeiro passo é criar a sua marca e sua própria identidade. "Neste processo, é preciso se conhecer muito bem. Por isso, olhe para si e descubra quais são as características e habilidades", alerta diretora do IBTA Carreiras, Sandra Zveibil. "Fazer marketing pessoal é buscar maneiras de demonstrar estas qualidades e ser reconhecido por elas."
Mas todo cuidado é pouco. Qualquer deslize e você pode ser taxado de marketeiro, o que não é nada bom para a imagem de um profissional. "Marketeiro é aquele cara que acha que fazer marketing é enganar os outros para se dar bem. Mas a propaganda não sustenta um produto que não seja verdadeiro", assegura o diretor da área de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Zaki Akel Sobrinho. "Desta forma, não adianta ter uma embalagem bonita, é preciso saber se posicionar dentro da empresa para dar maior volume de produção, de produtividade e trazer resultados positivos para a empresa. O marketing pessoal é uma conseqüência de tudo isso", pontua.
A espontaneidade e a moderação são outras características de um "bom marketing pessoal". Se preocupar, a todo momento, em vender sua imagem para a empresa pode passar uma impressão artificial. Além disso, a sua intenção pode ser deturpada e confundida com a arrogância e com a trapaça profissional. Cuidado, pois uma boa intenção pode fazer com que a sua credibilidade seja colocada em xeque.
Marketing pessoal a seu favor
De acordo com os especialistas, é nas simples ações do dia-a-dia que você pode perceber se está ou não fazendo um bom marketing pessoal. Quer um exemplo? Quantas vezes você foi convidado para almoçar com os seus colegas de trabalho? Os convites são constantes? Você é sempre excluído da roda de amigos? Ou ainda, nunca é convidado para participar de eventos e palestras da sua área? Com sensibilidade e bom senso você será capaz de identificar os resultados e avaliá-los.
Além disso, é preciso ficar atento no que as pessoas falam ou dizem de você. Isso é fundamental para que você saiba se as suas intenções estão sendo interpretadas da maneira correta. "O primeiro movimento tem que ser seu, mas é preciso fazer um feedback destas ações e verificar se os resultados têm sido positivos ou negativos para a sua carreira", ressalta Vera. "O marketing pessoal é algo que se aprende, se desenvolve e amadurece. É preciso estar em constante avaliação e utilizar a criatividade para driblar os seus desafios", conclui.