29/10/2005

ProJovem já tem mais de 182 mil inscritos

O ProJovem - Programa Nacional de Inclusão de Jovens chega, a partir deste mês, a todas as capitais do país e está muito próximo de atingir sua meta para este ano: atender cerca de 200 mil jovens, trazendo-os de volta aos estudos para proporcionar-lhes a conclusão do Ensino Fundamental, a formação profissional necessária à inserção no mundo do trabalho e sua valorização como agentes sociais e cidadãos participativos.

O programa é destinado aos jovens de 18 a 24 anos que terminaram a quarta, mas não concluíram a oitava série do Ensino Fundamental, que não trabalham ou não têm contrato em vigência na carteira de trabalho e que residem nas capitais dos estados e no Distrito Federal. Por meio de uma central telefônica (0800-642-7777), inscreveram-se mais de 182 mil jovens, aos quais foram destinadas 165 mil vagas, nas 26 capitais e no Distrito Federal.

O ProJovem está implantado em Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Velho e Boa Vista e Porto Alegre e já tem quase oito mil alunos matriculados. Em todas as demais capitais e no Distrito Federal, as aulas começam no dia 21 de novembro. Para 2006, está prevista a inclusão mais 200 mil jovens e ampliação da área de abrangência para municípios das regiões metropolitanas.

Trata-se de um conjunto de ações desenvolvidas pela Secretaria Nacional de Juventude - órgão ligado à Secretaria-Geral da Presidência da República - em parceria com as prefeituras municipais e os ministérios da Educação, Trabalho e Emprego e Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

A abordagem do programa está inserida no conjunto da Política Nacional de Juventude, sob coordenação da Secretaria Nacional de Juventude, criada para articular as ações do governo focalizadas no público jovem visando a aprimorar sua eficácia e desenvolver novos programas em atuação integrada dos ministérios afins.

A concepção pedagógica do programa foi desenvolvida ao longo de inúmeros debates entre especialistas em educação, trabalho e assistência social. O resultado é um conjunto inovador que combina ações educacionais, de formação profissional e de desenvolvimento comunitário, executadas simultaneamente.

O curso tem 1.600 horas de atividades, sendo 1.200 para a parte pedagógica, 350 horas para formação profissional inicial e 50 para projetos de interesse da comunidade. É ministrado por professores que têm curso superior, passaram por 200 horas de capacitação específica na metodologia do ProJovem e terão, até o final, várias atividades de formação continuada.

O governo federal está investindo R$ 311 milhões no ProJovem. Com esses recursos, são produzidos os livros distribuídos aos alunos e os manuais para os professores; são pagos os salários dos profissionais (gestores, professores, orientadores profissionais e assistentes sociais) e pagos R$ 100 por mês a cada aluno que cumpre, no mínimo, 75% da freqüência às aulas e das atividades programadas. Também estão sendo adquiridos 14.400 computadores para os laboratórios de informática das Estações de Juventude.

Pelo regime de parceria, as prefeituras fornecem as instalações para o funcionamento da Estação Juventude - cada uma formada por 1.200 alunos -, o acervo para as bibliotecas e o pessoal que forma o corpo docente e que cuida da parte administrativa.

As ações visam a atender a um público que, na faixa etária da juventude, é aquela que se encontra em situação de maior vulnerabilidade social. São aqueles que têm de 18 a 24 anos, abandonaram os estudos após completarem a quarta série do Ensino Fundamental e não têm emprego. De acordo com o cruzamento de dados feito pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), há 1,1 milhão de jovens nessas condições vivendo nas capitais e regiões metropolitanas.

O Programa assume, ao mesmo tempo, caráter emergencial ao atender um segmento da população que tem necessidade de chegar ainda jovem ao ensino médio, e caráter experimental quanto conteúdo e à proposta pedagógica, pois baseia sua linha curricular em novos paradigmas, tratando de maneira integrada a formação geral, a qualificação profissional e o engajamento cívico.

A proposta pedagógica do ProJovem incorpora o conceito de interdisciplinaridade. Ou seja, o processo educativo dá-se em torno de eixos temáticos que articulam conhecimentos de várias áreas ao mesmo tempo, o que representa expressivo avanço em relação ao modelo tradicional, que trata cada disciplina isoladamente. A metodologia permite ainda que se leve em conta as experiências de vida e os conhecimentos que aluno adquiriu fora da escola.

Desde as primeiras aulas, o aluno será orientado para propor e desenvolver projetos de interesse de sua comunidade e a utilizar em favor dela os conhecimentos e a profissão que está aprendendo. Com esse estímulo ao protagonismo, o programa quer ampliar as áreas de interesse do jovem como forma de combater a evasão, despertando nele a importância e o valor social de sua formação profissional e estimulando a integração e participação na comunidade.

O modelo pedagógico foi debatido ao longo de seis meses por vários especialistas e poderá ter impacto direto também sobre o modelo de educação de jovens e adultos praticado no País. Ele se contrapõe à metodologia hoje existente, que é a transposição do ensino regular adotado para crianças para salas repletas de jovens e adultos com outra percepção da vida e da realidade que os cerca e que é considera por muitos estudiosos como desestimulante.

Os especialistas admitem que o ProJovem poderá provocar mudanças significativas na modalidade de ensino para jovens e adultos, pois adota novos paradigmas e novos métodos, e exige novas atitudes da parte dos educadores. Por isto mesmo, foi criada uma sistemática de formação continuada para que gestores, professores, orientadores profissionais e assistentes sociais sejam habilitados para explorar todas as potencialidades pedagógicas do curso, do material didático e das atividades programadas.

O mesmo deve ocorrer com relação à formação profissional. A proposta do ProJovem inova nesse campo ao adotar um outro modelo de formação inicial para o trabalho. Essa inovação é traduzida nos chamados arcos profissionais: a formação é ampliada para uma área profissional, e não apenas focalizada em uma profissão. Dessa forma, habilita-se o jovem para tarefas diversificadas. O programa apresenta às prefeituras 23 arcos profissionais e a adoção de quatro deles que forem mais adequados às necessidades do mercado e sobre os quais haja competência local para ministrar os conhecimentos.

Na área de Telemática, por exemplo, estão contempladas habilitações de operador de microcomputador, operador de telemarketing, apoio ao usuário (helpdesk) e assistente de vendas; o arco de Serviços Pessoais engloba atividades de cabeleireiro, manicure, maquiador e esteticista. Essa abordagem múltipla amplia as possibilidades de inserção no mercado. Além disso, o jovem terá orientações sobre como atuar em vendas ou representação, como empreendedor, em regime de cooperativa ou outras formas de associativismo.

A filosofia do ProJovem se completa com o estímulo ao aluno para o prosseguimento dos estudos. Terminado o curso, o aluno passará por uma avaliação de conhecimentos de nível nacional e receberá o certificado de conclusão do Ensino Fundamental. Terá, portanto, ingresso garantido nas escolas de nível médio ou escolas técnicas visando sua progressão profissional e seu crescimento pessoal.

Terá ainda aulas de inglês e sairá do curso, qualquer que seja a sua formação profissional, capacitado para operar os programas mais comuns de informática e para planejar páginas e colocá-las na rede mundial, a Internet.

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