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Um projeto de lei, do deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), propõe que estudantes que ainda não concluíram o ensino médio – mas têm o 2.º ano – possam ingressar em uma faculdade, caso sejam aprovados no vestibular. A proposta alteraria a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que atualmente permite o ingresso nas universidades apenas para os estudantes com ensino médio completo.
Segundo o deputado, é comum que jovens passem nos exames seletivos ainda no segundo ano, quando fazem as provas como “treineiros”. A proibição para a matrícula, na opinião do parlamentar, é injusta, porque o aluno mostrou possuir conhecimento para entrar em um curso superior. A tramitação está em caráter conclusivo e o projeto de lei será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
De acordo com o pró-reitor administrativo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Valdecir Cavalheiro, essa proposta não serviria para o avanço do aluno do segundo ano do ensino médio para o ensino superior. “A maturidade desse estudante não está compatível com os ensinamentos durante a graduação”, ressalta. “Por conta disso a proposta não seria viável”, completa.
O diretor do curso pré-vestibular Dom Bosco, sede Müller, Luiz Octávio Stocco, diz que se a entrada do aluno muito cedo na graduação pode aumentar o nível de desistência, devido à falta de maturidade. “Quanto mais jovem ele entrar, perderá sua juventude”, salienta.
O professor diz ainda que o que falta é investimento na educação fundamental e repasse de mais verba para as universidades públicas. “O treineiro serve para ter experiência no tipo de prova, não de vida acadêmica”, acrescenta.
A estudante Ândria Lopes dos Santos, 17 anos, passou como treineira em medicina veterinária na Faculdade Evangélica, em Curitiba, e diz que se a pessoa está realmente preparada, não teria problemas em entrar na faculdade. “Mas ao mesmo tempo o ensino teria que ser adaptado às realidades existentes no país, uma vez que nem todos têm o mesmo acesso à educação”, afirma.
Georgia Bascherotto Kleina, também de 17 anos, foi aprovada como treineira no curso de física da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela conta que prestou o curso porque a segunda fase é a mesma do que ela pretende prestar realmente este ano, que é Engenharia Ambiental. Ela diz que as condições de maturidade para um adolescente assumir a responsabilidade de uma vida acadêmica varia de pessoa para pessoa. “Os alunos se preparariam para o segundo ano ao invés do terceiro, e assim encarariam como se tivessem duas chances de passar no vestibular”, enfatiza.
(Envolverde/Nota 10)
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