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Por Talita Mochiute e Vivian Lobato, do Aprendiz
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Em três anos, mobilizar cerca de 320 estudantes e coletar mais de 8 toneladas de materiais recicláveis foram os resultados do projeto Viva-Verde. A iniciativa, idealizada pela professora da rede pública Sueli Silva Souza, começou em 2006 na cidade de Bertioga, no litoral paulista. No início deste ano, a ação passou a ser realizada no Guarujá, no bairro Paicará, próximo à região portuária da baixada santista.
“O objetivo é estimular um olhar diferenciado em relação ao espaço em que as crianças estão inseridas, focando o problema do lixo. A questão ambiental vai muito além da questão ecológica. Está relacionada com o espaço no qual vivemos”, explica a professora Sueli Silva Souza.
Quando era professora da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Jardim Rio da Granja, em Bertioga, a educadora resolveu sensibilizar sua turma, composta por alunos de 6 anos de idade, para as questões ambientais. Montou um roteiro de preparação para o estudo do meio. “Durante a atividade, observamos a riqueza da Mata Atlântica e a presença de muito lixo no bairro, nas ruas e no rio Itapanhaú”, lembra Sueli.
No retorno à sala de aula, a professora leu para os alunos a história “O Menino que quase morreu afogado no lixo”, de Ruth Rocha. Em seguida, a turma traçou algumas ações para dar um destino correto ao lixo. “Combinamos que os resíduos recicláveis, como garrafas Pet, caixas de papelão, embalagens Tetrapak, deveriam ser trazidos limpos para escola”.
Para executar a parte prática do projeto, a professora contou com o apoio dos pais. Em reunião, explicou a importância da iniciativa, deixando claro que não era para as crianças tirarem o material reciclável da rua, mas do lixo domiciliar. No final de 2006, cerca de 480 quilos de resíduos foram coletados. “Dois anos depois, evitamos que 8 toneladas de resíduos fossem parar no meio ambiente”, enfatiza Sueli, lembrando que havia um local na escola destinado para estocagem desse resíduo, recolhido quinzenalmente por um catador da região.
Em 2008, o projeto ganhou o prêmio EcoPet, acesse no http://www.abipet.org.br/premio_ler.php?id=11&pg= conferido pela Associação Brasileira da Indústria de Pet (AbiPet) na categoria “Educação Ambiental”. De acordo com o coordenador da premiação, Hermes Contesini, o prêmio reconhece boas ideias de incentivo ao consumo consciente e que sejam replicáveis. Além do EconPet, o projeto da professora Sueli também conquistou outros dois prêmios, um do Ministério da Educação e outro da Cosipa.
Nova fase
No início de 2009, a professora Sueli mudou de escola. Passou a lecionar para uma turma com 21 alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Vereador Afonso Nunes, localizada no Guarujá. “Eu trouxe o projeto para cá. Já conseguimos coletar 400 quilos de materiais. 90% dos pais estão envolvidos na atividade”, relata.
De acordo com a professora, a iniciativa em Bertioga não continua na mesma intensidade. “Para desenvolver o trabalho, a comunidade escolar precisa se apropriar da ideia, independente da presença do idealizador”, conta. No entanto, acredita que o objetivo principal dessa etapa do trabalho foi alcançado: o aprendizado proporcionado aos alunos.
Além da conscientização ambiental, a professora trabalha outros conhecimentos por meio deste projeto. Os materiais recicláveis são revertidos em figurinhas de álbuns. “Utilizo esse álbum nas aulas de matemática para desenvolver o raciocínio lógico das crianças”, explica a professora.
As figurinhas, colecionadas pelos alunos, se tornam também o saldo de um cartão de crédito, que pode ser utilizado na “Feira Ambiental”, uma espécie de mercadinho com alimentos e brinquedos. “Nos produtos, coloco bolinhas que representam a quantidade e o valor. Na hora da compra, as crianças precisam realizar cálculos”, explica a professora que aproveita o momento para trabalhar algumas noções de educação financeira.
Na nova escola, a professora pretende mobilizar as outras professoras e alunos. Também deseja um espaço para a estocagem dos materiais. Enquanto não há um lugar adequado, é Sueli quem recolhe e encaminha os resíduos para reciclagem. O dinheiro da venda do material é revertido para a compra dos produtos da “Feira Ambiental”.
“Já arrecadamos em torno de R$ 40 neste ano. O lucro pode parecer pequeno. No entanto, há muito mais do que valores monetários embutidos aí. Só temos a ganhar com o destino correto do lixo”, conclui a professora.
(Envolverde/Aprendiz)
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