12/07/2006

Projeto levará ODM para escola indígena

Por Talita Bedinelli

Índios guarani do Mato Grosso do Sul terão aulas sobre Objetivos do Milênio, solução de conflitos e enriquecimento de produção agrícola.

Um projeto desenvolvido por um especialista de políticas sociais das Nações Unidas planeja inserir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) nas salas de aula das aldeias do Mato Grosso do Sul. O primeiro passo será abordar a questão em seminários de capacitação, que devem acontecer no início do próximo ano, destinados a professores, agentes de saúde, lideranças indígenas e funcionários públicos que atuam com os índios. O objetivo é que eles trabalhem as metas junto aos alunos e outros membros da comunidade.

“As aldeias conhecem bem os problemas que estão por trás dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, como a pobreza, a desnutrição infantil e a evasão escolar. São problemas sentidos todos os dias, mas que os indígenas não conhecem da forma sistemática elaborada pelas Nações Unidas. O seminário é uma oportunidade de sistematizar tudo isso para que eles aprendam como trabalhar os objetivos”, destaca Hermann Gebauer, consultor para políticas internacionais e desenvolvimento humano que esteve, a convite do PNUD, em visita às aldeias sul-mato-grossenses.

Durante duas semanas, Gebauer visitou os índios guarani dos municípios de Dourados, Amambai, Japorã e Antônio João. Ele analisou a situação das aldeias e desenvolveu um projeto na área de educação que visa o desenvolvimento das comunidades. “As reservas são muito pequenas, não chegam a 1,5 hectare por família. Não há espaço para a caça, a pesca e a coleta de frutas, o que gera um enorme déficit alimentício e uma grande incidência de desnutrição. A maioria absoluta vive com uma renda per capta de menos de US$ 1 por dia, ou seja, está abaixo da linha da pobreza extrema, da indigência”, descreve o consultor. “O PNUD não poderia intervir na questão da terra, mas poderia ajudar a melhorar a qualidade do ensino, para ajudar a promover o desenvolvimento humano sustentável”, completa.

Os seminários devem acontecer em janeiro e fevereiro do próximo ano com a presença de 250 pessoas, entre índios e funcionários da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), de FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), de prefeituras e de governos estaduais. Além dos Objetivos do Milênio, a programação do curso ainda inclui temas como cidadania brasileira, formas de integração entre a cultura indígena e a não-indígena, solução de conflitos, enriquecimento da produção agrícola, questão de gênero e higiene.

“Depois de formados, a idéia é que durante o ano escolar eles desempenhem atividades relacionadas com o que foi aprendido”, conta Gebauer. De acordo com ele, os indígenas que participarem da atividade receberão o apoio para a implantar os trabalhos nas aldeias e serão monitorados para que, no final do ano, os resultados das ações sejam avaliados. “A idéia é reunir as comunidades para que elas definam quais serão os objetivos para o ano seguinte”, completa o consultor.

O projeto ainda pretende realizar campanhas sobre a importância do estudo. “A maioria dos indígenas só completa o ensino fundamental. Os meninos logo começam a trabalhar e as meninas casam e têm filhos muito cedo, abandonando os estudos. Queremos fazer um trabalho de sensibilização para que eles terminem o ensino médio”, ressalta a gerente do PNUD no Mato Grosso do Sul, Eloísa Berro. Segundo ela, na continuidade do projeto, a proposta é que sejam oferecidos cursos profissionalizantes nas áreas de agricultura, marcenaria, artesanato e turismo. “O grande objetivo é buscar o desenvolvimento humano dessas aldeias através do aumento da escolaridade, melhoria da qualidade de ensino e da profissionalização do jovem”, conta. (PrimaPagina)

Crédito: Prefeitura de Dourados/Valmir Leite

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