24/07/2007

Projeto leva esporte a 30 mil jovens pobres

Por Sarah Fernandes, do Pnud

Iniciativa que promove atividades esportivas para estudantes de municípios de baixo IDH capacita 4,5 mil professores no Brasil

Um projeto que visa diminuir a evasão escolar, incluir educação física no currículo e envolver a comunidade na escola já levou atividades esportivas para 30 mil crianças e adolescentes pobres no Brasil. Chamado Caravana do Esporte, ele capacitou 4.500 professores e promoveu eventos em que os jovens participam de atividades com atletas e ex-atletas profissionais, como o ex-jogador de futebol Sócrates e o iatista Lars Grael.

As ações começaram em 2005, com uma parceria entre o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o canal esportivo ESPN Brasil e o Instituto Esporte Educação. A caravana visitou 21 cidades de 12 Estados. A maioria delas foi selecionada por apresentar baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros, feita pelo PNUD e outras instituições). A iniciativa também esteve em regiões pobres dos municípios de São Paulo e Salvador.

A caravana acontece mensalmente e promove um dia de aulas de esporte e brincadeiras para alunos de ensino fundamental dos municípios atendidos. "Antes da iniciativa, as crianças, em geral, conheciam futebol, vôlei e basquete. Com a iniciativa elas tomaram contato com outras modalidades, como tênis, judô, handebol, atletismo e canoagem", afirma a coordenadora do projeto, Adriana Saldanha.

Os professores fazem cursos e oficinas para obter sugestões de como esportes e brincadeiras podem ser aplicados durante as aulas. Eles recebem uma cartilha do Instituto Esporte e Educação com alguns exemplos e sugestões. "Como a maioria dos municípios enfrenta dificuldade de recursos, é uma oportunidade dos professores se reciclarem", afirma Adriana.

"Esporte é um meio de trabalhar questões educacionais muito mais amplas. Ele desenvolve valores e capacidades importantes para diversos campos da vida", avalia a ex-jogadora de vôlei Ana Moser, que preside o Instituto Esporte e Educação. "As atividades incentivam os alunos a continuar estudando e aumentam o significado da escola. Também incentivam o bom convívio social, e com isso as crianças crescem".

Os organizadores da caravana também avaliam o perfil do município e, a partir daí, propõem algumas modalidades e alternativas para improvisar materiais esportivos. No Amazonas, por exemplo, as comunidades fizeram redes de vôlei e basquete com a mesma técnica usada na confecção de redes de pesca. "Em uma das ações em comunidades ribeirinhas, Lars Grael ensinou canoagem para as crianças", conta Adriana. "A presença dos atletas é muito importante, eles são uma referência para os estudantes". Já participaram a judoca Edinanci Silva, a tenista Patrícia Medrado, o nadador Edvaldo Valério e a jogadora de vôlei de praia Jaqueline Silva, entre outros.

Depois da visita, a organização da caravana faz um monitoramento mensal das atividades da escola, e após um ano volta ao município para promover seminários aos professores. A ESPN Brasil produz documentários mensais sobre os municípios que abrigam o projeto. São abordados problemas sociais como trabalho infantil e dificuldade de acesso à educação.

As próximas edições da caravana visitarão regiões pobres de grandes centros urbanos, entre eles Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro.

ONU no Pan

Durante os Jogos Pan-americanos e Para-Pan-americanos, a ONU mantém um estande na Vila do Pan-Americana, para divulgar as publicações das agências e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O PNUD treinou 25 jovens carentes para atuarem como guias cívicos, informando os atletas sobre os Objetivos do Milênio e oferecendo informações gerais sobre os jogos e sobre a cidade do Rio de Janeiro.


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Municípios atendidos e seu IDH-M
Alcântara (MA) - 0,6

Itapecuru-Mirim (MA) - 0,523

Soure (PA) - 0,676

Santarém (PA) - 0,66

Belterra (PA) - 0,586

Salvaterra (PA) - 0,65

Caarapó (MS) - 0,66

Dourados (MS) - 0,73

Boa vista do Ramos (AM) - 0,59

Curaçá (BA) - 0,52

Conceição do Coité (BA) - 0,52

Uauá (BA) - 0,5

Salvador (BA) - 0,75

Formosa (GO) - 0,69

Palmeira dos Índios (AL) - 0,56

Quebrangulo (AL) - 0,48

Caracol (PI) - 0,48

Itaobim (MG) - 0,59

Nova Olinda (CE) - 0,51

Arcoverde (PE) - 0,63

São Paulo - 0,8
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(PrimaPagina)
(Envolverde/Pnud)


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