13/09/2007

Projeto Ler e Pensar discutirá a violência nas escolas do Paraná

Será realizado no próximo dia (20), na Ópera de Arame, o V Seminário Ler e Pensar de Educação, Leitura e Literatura. O evento, promovido pelo Instituto RPC, pretende discutir os fatores que causam a violência dentro das salas de aula. O nome do tema deste ano, "Escola Cidadania e Mídia, confrontos com a violência", remete a uma realidade encontrada nas escolas brasileiras e seu debate foi solicitado por grande parte dos oito mil professores integrados ao projeto.

Participarão do evento, que ocorrerá das 18h às 21h30, o cantor de rap, MV Bill, autor dos livros "Cabeça de Porco" e "Falcão Meninos do Tráfico"; Araci Asinelli da Luz, professora responsável pelo Programa de Extensão Universitária "Com Viver"; Adriana Cristina Araújo, da Associação Projeto Não-Violência Brasil (APNVB); e Adão Aparecido Xavier, vice-diretor do Colégio Estadual Helena Kolody.

O diretor do Colégio Estadual Professor Teobaldo Leonardo Kletemberg, Sergio Pin, comenta que a comunidade escolar em que trabalha já presenciou episódios de agressão contra os alunos na saída da aula. "Duas pessoas de bicicleta perseguiram um aluno nosso da noite, e atiraram diversas vezes contra ele. Uma das balas pegou em sua perna. Alguns metros adiante, acertaram um aluno da manhã que infelizmente morreu. Esses acontecimentos deixam os alunos preocupados e nervosos. Nos dias seguintes ao crime, vários deles faltaram. As aulas só voltaram à normalidade com a presença da patrulha escolar", falou.

Pin comenta que é comum a formação de blocos de jovens, que não são alunos da escola, em frente à instituição, com atitudes que amedrontam os estudantes. "Eles agem de forma suspeita. Infelizmente, há apenas uma patrulha escolar na região. Caso ocorra um crime semelhante em outro colégio, temo que eles abandonem a escola", disse o diretor do colégio, localizado no Sítio Cercado.

Segundo a pedagoga da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Maria Cristina Elias Ester Stival, a violência simbólica também prejudica o processo de ensino aprendizagem. "A agressão ao aluno deixa graves problemas psicológicos e de adaptação na escola. Se ele é agredido, não gostará de voltar para a escola. Estudar deixa de ser interessante", comenta.

Maria Cristina acredita que os debates devem ser abertos na escola, mas sem uma postura autoritária. "Desde a década de 80 a violência é debatida. O que não podemos fazer é afirmar que todos os alunos da escola pública são perigosos. Deve existir um processo democrático, onde todos, inclusive os alunos, sejam ouvidos", disse.

As inscrições para o V Seminário Ler e Pensar de Educação, Leitura e Literatura devem ser realizadas até o dia 14, por meio do e-mail lerepensar@rpc.com.br , ou pelos telefones (41) 3321-5562 e (41) 3321-5033. O evento é aberto para professores, estudantes e pessoas interessadas pelo tema.
(Envolverde/Nota 10)


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