08/08/2007

Projeto integra escolas públicas e universidades

Por Karina Costa, do Aprendiz

A distante ou inexistente relação entre as escolas de educação básica e as universidades do país, reclamada por muitos educadores, não faz parte do cotidiano do sistema educacional público de Curitiba (PR). Lá, um programa de qualificação, intermediado pela Secretaria de Educação, une escolas municipais e instituições do ensino superior com o objetivo de incentivar professores e pedagogos a melhorar a qualidade da educação. Tudo feito por meio da inserção de projetos inovadores nas escolas.

"Os professores podem desenvolver projetos pedagógicos que envolvam música, saúde, meio ambiente, teatro, jogos e tecnologia, por exemplo, desde que sejam aplicáveis em sala de aula e possuam algum diferencial", explica a secretária de educação de Curitiba, Eleonora Bonato Fruet. Depois de escritos, os projetos passam pelo conselho de cada colégio para verificação da relevância para os estudantes e comunidade.

A integração com a universidade acontece no momento em que mestres e doutores das instituições de ensino superior tornam-se orientadores dessas ações. "Nesse momento a troca de experiências, metodologia e conhecimentos, além do incentivo de um para outro, tem sido um grande ganho para esses professores, para as escolas e universidades", acredita Fruet. Segundo ela, nesse ano foram selecionados 1.084 novos projetos a serem aplicados em toda a rede municipal de educação da cidade. São responsáveis por esses projetos três mil professores municipais em parceria com 12 instituições de ensino superior da capital paranaense.

Para estimular os educadores, uma bolsa-auxílio de R$ 1.200 é paga para cada colaborador. Com ela, os professores podem aproveitar para aprimorar os projetos na escola ou mesmo investirem em sua própria qualificação, o que significa um benefício para os alunos. "Muitas universidades repassam a verba para o docente em forma de cursos de aperfeiçoamento", exemplifica Fruet.

Um exemplo de projeto é o que acontece na Escola Municipal Eny Caldeira. Alunos da 3ª série do Ensino Fundamental tornam-se repórteres e pesquisadores responsáveis por investigar a história do teatro. A biblioteca e o laboratório de informática da escola são os instrumentos de pesquisa dos alunos e todo o material pesquisado é transformado em reportagens publicadas no jornal eletrônico da escola. Ao longo do ano, a quantidade de material recolhido incentivou-os a montarem uma apresentação de teatro de sombras, inspirada nos Saltimbancos.

Os aprendizados transcenderam a idéia inicial que era aprender a fazer pesquisa, não deixar de ler e incluí-los nas novas tecnologias digitais. "Por meio dos estudos sobre a história do teatro, os alunos aprenderam, conceitualmente e na prática, sobre algumas profissões, como a de repórter, figurinista, roteirista e pesquisador", lembra a professora de Informática, Gelsumara Muzillo, que é uma das responsáveis pelo projeto junto à professora de Literatura da escola.

"Os professores universitários, orientadores do projeto, nos dão total respaldo na parte metodológica. Temos a idéia e eles nos ajudam a colocá-la em prática. Há espaço para muita troca de experiência e construção de conhecimentos," conta Muzillo.

Para o pró-reitor de graduação, pesquisa e pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Robert Burnett, o mais importante dessa parceria é a quantidade de material de pesquisa que os professores trocam e a possibilidade da universidade se inserir na comunidade. "A participação no projeto garante a todos os educadores estudo contínuo, o que resulta em um corpo docente sempre reciclado. Além disso, o objetivo de trazer aos professores da rede municipal uma melhoria teórica e metodológica foi atingido tanto que temos percebido melhora na qualidade da educação pública da cidade", ressalta Burnett, lembrando que cerca de 100 professores da PUC participam do projeto.

Dança, música, teatro, artes visuais são as áreas do conhecimento levadas às escolas públicas por meio dos professores da Faculdade de Artes do Paraná (FAP). "Com nossa experiência na academia ajudamos os professores a lapidarem suas idéias e metodologias de aplicação", explica a coordenadora do curso de artes visuais da FAP, Sonia Vasconcellos. "Estamos há anos nesse projeto e nossos professores não querem deixar de fazer parte. 25% do corpo docente da faculdade está inserido nas escolas", revela.

Na Escola Municipal Pró Morar Barigüi, a musicalização faz parte da grade curricular dos alunos da educação infantil até a 4ª série, passando também pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O aprendizado teórico e as oficinas práticas de coral, violão, flauta doce e xilofone têm trazido grande motivação para os alunos se empenharem na escola."Temos alunos mais motivados, sociáveis, expressivos e, além disso, pais que valorizam e apostam no potencial de seus filhos", avalia uma das professoras de música responsáveis pelo projeto "Afinando os desafios da escola através da música", Erlene Teixeira de Lima Martins.

Para ela, a participação dos professores universitários traz grande suporte e incentivo. "Há uma grande troca de saberes entre nós. Eles trazem muitos materiais para que possamos ler, pesquisar e estudar. O projeto evita que os professores se acomodem", conclui Martins.
(Envolverde/Aprendiz)

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