01/12/2009

Projeto forma orquestra com 80 alunos da rede municipal ensino

O projeto de Aida Cuba de Almada Lima está prestes a sair do papel. Autora e coordenadora do projeto da Orquestra Jovem Municipal de Belo Horizonte, ela conta, diante de silenciosos e obedientes alunos que portam flautas doces de variados tipos, que ver o projeto da orquestra se tornando real é a realização de um sonho pelo qual ela vem batalhando há 24 anos. Espalhados pela sala, um piano de cauda, vários contrabaixos de orquestra, xilofones, instrumentos de percussão de orquestra em geral. A cena se passa na sala de música da Escola Municipal Professora Isaura Santos.

A sala em questão foi designada recentemente para ser a sede dos núcleos central (que irá gerir o trabalho dos demais) e Regional Barreiro do projeto Orquestra Jovem Municipal de Belo Horizonte, cujo objetivo principal é criar uma orquestra com jovens das escolas municipais da capital. Para tal, serão criados núcleos de aprendizado em cada uma das regionais da cidade. “Em cada regional, será formado um grupo de flauta doce. A escolha deste instrumento se deve ao seu valor mais acessível. Se a criança se musicalizar pela flauta doce, poderá passar para os instrumentos de orquestra com alguma facilidade”, conta Aida. Na Regional Barreiro, o grupo de flautas já existe há mais de 20 anos. O modelo de sucesso será implantado nas demais regionais.

Para ingressar no grupo de sua regional, basta o aluno se prontificar, pois trata-se, de acordo com o projeto, de uma fase de inclusão, onde todos os interessados terão oportunidade de ter o primeiro contato com a música e com um instrumento. Posteriormente, os professores de cada regional indicarão os alunos que mais se destacaram no aprendizado para integrar a orquestra, que terá, ao todo, 80 jovens músicos. A maioria dos instrumentos necessários já foram adquiridos pela Prefeitura de Belo Horizonte. Alguns adquiridos pelo primeiro pregão, realizado em dezembro de 2006 e outra parte, comprada também via pregão, adquirida no final de 2008. “Estamos nos preparando para outro pregão, no qual acreditamos que compraremos os instrumentos restantes, todos da seção de maetais da orquestra”, afirma Aida.

Atualmente, de acordo com a coordenadora, o projeto está em fase de contratação de professores para os núcleos regionais, licitação final dos instrumentos de orquestra, captação de convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para que alunos do curso de Música possam estagiar lecionando para os grupos de flauta das regionais. Ainda segundo Aida, já que alguns professores da rede municipal de ensino também sabem música, aqueles que se interessam também estão sendo recrutados para lecionar aos pequenos músicos. Ainda não há uma data definida para o início das atividades da orquestra.

Projeção internacional


O projeto da Orquestra Jovem Municipal de Belo Horizonte já foi apresentado em outros países em três ocasiões. A primeira delas, em 2005, em Santiago de Compostela, na Espanha, no Congresso Internacional de Lusitanitas, onde foi reconhecido pela imprensa local como “uma das três pérolas de todos os trabalhos apresentados no Congresso”. As outras duas bem sucedidas experiências internacionais do projeto foram sua apresentação no Congresso Internacional de Americanistas, em Sevilha, também na Espanha, em 2006, e no Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, na Ilha da Madeira, em Portugal, em 2008.

Alunos aplicados

Estudos comprovam a relação do aprendizado de música e do desenvolvimento da capacidade de raciocínio lógico e matemático e também da interpretação de textos. Marcos Vinícius da Silva, de 16 anos, participa do projeto há cinco anos, toca flauta baixo e está começando a aprender violino. Segundo ele, desde que começou a estudar música, seu desempenho escolar melhorou significativamente. “Acredito que, com certeza, melhorei muito na escola. A música está muito ligada à matemática. Na quinta série eu tinha muita dificuldade em matemática. Quando entrei para o grupo de flauta e comecei aprender música, ajudou bastante para que eu entendesse melhor essa matéria”, conta.

 


(Envolverde/Nota 10)
 
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